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Crítica | Patrulha do Destino – 3X04: Undead Patrol

por Luiz Santiago
2.245 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Me pergunto se a certa rejeição que tive ao uso dos zumbis nesse episódio veio pela minha saturação em relação ao gênero ou pela forma nada convencional — e propositalmente boba e cômica — com que o roteiro nos apresenta essa versão morta-viva da Patrulha do Destino. Seguindo-se a uma tríade de episódios que trouxeram a morte de Niles e colocaram Madame Rouge + os Garotos Detetives Mortos em cena, Undead Patrol é um fillerzinho engraçado que retoma o plot das bundas carnívoras, coloca Willoughby Kipling em uma estranha, mas interessante missão e nos faz descobrir A Irmandade do Dadá, este sim o evento de real destaque.

O motivo de transformação do grupo em zumbis não fica exatamente claro, mas isso não é algo que importa muito para o episódio, pois nem é uma questão dramática. O foco do enredo, na verdade, é uma reflexão final sobre o luto e suas consequências para o corpo e a vida das pessoas, tirando-as de suas múltiplas necessidades do cotidiano e colocando-lhes apenas um único desejo. A cura também é um processo interessante, pois dá um novo sentido à visão que o cinema criou dos zumbis, vindo com seus símbolos numa mescla de psicologia, canibalismo e canalização da raiva, da dor e dos desejos e mágoas em um único ato. É um tipo diferente de catarse, acredito, e mesmo eu não gostando tanto dessa abordagem zumbificada na série, vejo a ideia geral como algo bem positivo.

Agora que Niles foi literalmente comido, há alguma esperança para o seu retorno? Não sei como ficou a renovação do contrato com Timothy Dalton e se podemos esperar a sua volta. De todo modo, o Chefe até pode retornar num outro corpo… nunca se sabe. O fato é que, estando sozinhos, os membros da Patrulha parecem não conseguir encontrar um propósito, algo que lhes traga uma ocupação à altura de suas loucuras, falhas e buscas. Todavia, algumas coisas podem mudar. Pelo que deu para entender, Larry está grávido (?) e a gente não faz ideia do que pode ser aquilo (seria a gestação de um espírito negativo próprio?), então é um ponto de atenção e cuidado para os próximos episódios.

Isso provavelmente deve fazer com que o grupo tenha uma nova perspectiva e novas tramas possam derivar dessa “renovação” corporal e espiritual deles, após retornarem da morte e da morte-viva. Com referências visuais (de caráter cinematográfico e metalinguístico) muito bem feitas a Um Cão Andaluz e A Idade do Ouro, de Luís Buñuel, a introdução dos Dadá foi algo digno de Doom Patrol, com toda a loucura, todo o caráter surreal e todo o mistério esperados desse povo. Sem contar que agora Rita parece ganhar um novo papel na série — ou pelo menos uma das versões de Rita; ou ainda, alguém imitando a face de Rita, se é isso mesmo que eu entendi o que o roteiro sugeriu –, o que pode ajudar a alavancar a personagem, que é a que mais sofre em termos de desenvolvimento fixo.

Patrulha do Destino (Doom Patrol) – 3X04: Undead Patrol (EUA, 30 de setemrbo de 2021)
Direção: Kristin Windell
Roteiro: Tamara Becher
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Shoni Baker, Chantelle Barry, Jon Briddell, Timothy Dalton, Wynn Everett, Michelle Gomez, Mark Sheppard, Ty Tennant
Duração: 50 min.

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