Crítica | Pedro Coelho (2018)

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O início da produção de Pedro Coelho (2018) não foi muito bom para a Sony Pictures, uma das produtoras da obra. Em abril de 2015, durante o famoso hack dos e-mails da empresa, os planos de pré-produção de Peter Rabbit vieram a conhecimento do público. Mesmo assim, o Estúdio ainda demorou oito meses (sabe-se lá por quê, uma vez que o mal já estava feito) para confirmar oficialmente o longa. As filmagens começaram, enfim, exatamente um ano depois.

Criada pela escritora e ilustradora britânica Beatrix Potter, a série infantil As Aventuras de Pedro Coelho apresenta um Universo rico, às vezes um pouco “pesado”, em termos de acontecimentos e moral da história, para as crianças. Ao longo de sua carreira, Potter, que adorava animais, escreveu e desenhou inúmeros contos, mas suas histórias com Pedro Coelho sempre foram as que mais venderam. A saga do personagem, no todo, pode ser resumida em quatro histórias icônicas, a primeira, A História de Pedro Coelho, onde ela apresenta oficialmente o personagem. A autora tentou imprimir o material em 1893, mas foi rejeitada por diversas editoras. Em 1901, fez uma impressão independente do conto e, no ano seguinte, conseguiu um contrato com a Frederick Warne & Co., que passaria a publicar seus livros. O segundo conto da saga, A História do Coelhinho Benjamin (1904), é uma sequência imediata à primeira e recebeu igualmente a atenção no roteiro desta adaptação cinematográfica.

A terceira e a quarta histórias, A História dos Coelhinhos Felpudos (1909) e A História do Sr. Raposão (1912) completam a jornada de Pedro Coelho, mas são histórias do futuro, com Benjamin casado e pai de muitos filhotes (os Coelhinhos Felpudos), assim como as irmãs de Pedro, cada uma morando em um lugar da floresta. Esta segunda fase da obra de Potter, contudo, não aparece aqui no roteiro de Rob Lieber e Will Gluck (que também assina a direção), e é bom que seja assim. Nesta história, somos apresentados a uma leitura cômica e charmosa que mistura live-action e CGI (assim como em Hop: Rebeldes sem Páscoa) e faz uma homenagem direta à autora, com a personagem Bea (Rose Byrne), uma artista com dois estilos de representação plástica, sendo um deles exatamente igual às ilustrações de Beatrix Potter, algo que sabiamente o diretor Will Gluck colocou em alguns momentos no decorrer da trama, e também nas cenas finais.

Em poucas palavras, Pedro Coelho é uma tremenda diversão. O roteiro não faz estripulias para manter o núcleo humano ativo (o que acaba sendo o erro dos filmes que têm bichos em CGI interagindo com humanos) mas não deixa de rechear a obra de gags impossíveis e comédia do tipo slapstick, arrancando risadas genuínas até do adulto mais Sr. Severino do mundo. Por um lado, o cinéfilo não vai se impressionar com o enredo, porque, pensando bem, estamos falando de uma mistura de Os Sem-Floresta (2006) com Bee Movie: A História de uma Abelha (2007) e, claro, o material original de Beatrix Potter que elenca a animosidade de bichos e pessoas de uma maneira nada fofa. Com Domhnall Gleeson vivendo o vilão da obra, temos a garantia de alguém que pode parecer assustador mas, ao mesmo tempo, mostrar nuances de compreensão e afetividade, mesmo sendo, em resumo, uma “pessoa meio louca”. Evidente que há exagero na performance do ator, mas não adianta cobrar algo diferente de um personagem desse tipo para um filme com essa proposta. A mesma coisa podemos dizer da hilária dublagem de James Corden para Pedro, o irresistível protagonista, cheio de momentos memoráveis.

E o mais interessante é que, assim como toda boa história infantil, os valores apresentados são Universais e servem, com adaptações particulares, para qualquer idade. Com ótimas referências a Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995), particularidades mostradas de maneira coerente para cada animal (todos muito bem construídos pelo roteiro) e uma ótima trilha sonora, Pedro Coelho é um filme familiar com pitadas de romance, intrigas, aprendizado e conceitos de fraternidade, companheirismo, lealdade, honestidade e perdão que fazem a gente se esquecer as bobagens e exageros do roteiro (todos no bloco humano, porque o bloco dos bichos é impecável) e curtir a obra pela sua essência, a pura fantasia fabular de infância que nunca nos abandona, não importa a idade que a gente tenha.

Pedro Coelho (Peter Rabbit) — Reino Unido, Austrália, EUA, 2018
Direção: Will Gluck
Roteiro: Rob Lieber, Will Gluck (baseado na obra de Beatrix Potter)
Elenco: James Corden, Fayssal Bazzi, Domhnall Gleeson, Sia, Colin Moody, Sam Neill, Margot Robbie, Elizabeth Debicki, Daisy Ridley, Rose Byrne, Christian Gazal, Ewen Leslie, Natalie Dew, Terenia Edwards, Marianne Jean-Baptiste
Duração: 95 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.