Home TVEpisódio Crítica | Penny Dreadful – 1X08: Grand Guignol

Crítica | Penny Dreadful – 1X08: Grand Guignol

por Filipe Monteiro
110 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

 

Algumas previsões sobre Penny Dreadful poderiam ser feitas desde o seu lançamento. Ao fim do primeiro episódio, a série já exibia sinais de que teria uma produção de alta qualidade. Uma vez assinada por John Logan, produzida por Sam Mendes e estrelada por Eva Green, não poderiamos esperar menos do que uma temporada intrigante e bem conduzida.

Traçar seu caminho a passos curtos dentro de um terreno bastante arriscado, foi o que Penny Dreadful veio fazendo até agora. Por mais preocupante e desafiadora que tenha sido a tarefa de tentar seguir a lógica proposta dentro da sequência, tudo fica mais claro desafiador após assistir ao último episódio da primeira temporada.

No roteiro de Grand Guignol notamos bastante cuidado para dar a seus personagens uma passagem justa à temporada seguinte. Dessa maneira, todos os núcleos ganham uma síntese, sem que isso anule a presença dos cliffhangers, que são muitos, por sinal.

Não é segredo que a Brona Croft não restava muitas opções para curar sua doença. Como já haviamos previsto, o destino da jovem é entregue às mãos de Dr. Frankenstein, o que significa que o desejo de Caliban em ganhar uma companheira será concretizado na temporada seguinte. Quando é expulso do teatro, a criatura não tem saída senão estreitar as relações com o seu criador.

É no teatro também que Sir Murray finalmente Mina. Na sua última expedição, que também contou com Victor Frankenstein desta vez, Malcom percebe a única maneira de salvar sua filha e toma a decisão final de sacrificá-la. Neste momento, ele deixa claro a relação paternal que propõe a Vanessa, que funciona como uma redenção por todos os momentos em que extraiu, dela, o lado sobrenatural como ponte para acessar o paradeiro de Mina.

Se há um eixo que poderia ser melhor desenvolvido é o de Dorian Gray. Ao longo de toda a primeira temporada, Reeve Cartney em nada impressionou, tampouco apresentou evoluções ao seu papel. Não é diferente no último episódio. O rapaz leva seu primeiro pé na bunda e pronto. Fim de história. O problema é a pergunta insiste em aparecer após o destaque dado a Dorian durante os oito episódios da temporada: será mesmo que a série precisava de um Dorian Gray?

Como é sempre melhor guardar o ouro para o final, vamos aos mais importantes cliffhangers do episódio, aqueles que vão levar o público a dar início à contagem regressiva para a segunda temporada. As pistas que acessamos em Demimonde enfim se confirmam. Ethan Chandler é de fato responsável por todas as mortes que vinham estampando os folhetins londrinos. Em noites de lua cheia, o americano perde o controle e assume a forma bestial de lobisomem.

Se a curiosidade aguça quando a identidade obscura de Chandler é revelada, imagine, então, quando chegamos ao fim do episódio e assistimos ao diálogo entre Vanessa Ives e um padre. Na busca por ajuda à sua causa, Vanessa se vê diante de um dilema ainda maior instaurado pelo padre. Se livrar da possessão demoníaca e levar uma vida normal, ou aprender a lidar com o problema e fugir da ordinariedade?

O desfecho à sucessão de acontecimentos que a série trouxe, mostra que Penny Dreadful conseguiu adquirir estabilidade durante esses três meses em que esteve no ar. Se a primeira temporada já foi bem sucedida, a quantidade de elementos a serem abordados posteriormente dá ao público a segurança de uma trama ainda melhor no ano que vem.

Penny Dreadful 1X08: Grand Guignol (EUA, 2014)
Showrunner: John Logan.
Direção: James Hawes
Roteiro: John Logan.
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Harry Treadway, Billie Piper, Reeve Cartney.
Duração: 60 min.

Você Também pode curtir

8 comentários

Vera Falcão 8 de setembro de 2014 - 21:18

Confirmando que gosto não se discute, aprecio muito a atuação do Reeve Cartney como Dorian Gray e espero que ele seja mantido na segunda temporada – pela presença do ator e do personagem. Para mim, surpreendente é a palavra que melhor define Penny Dreadful, porque a cada episódio ela nos ofereceu algo fresco, uma porta sendo aberta para outro mistério, um novo elo firmando-se na cadeia de terror crescente. E se tudo gira principalmente em volta da bela Eva, ela precisa (e tem)) de acompanhantes que brilhem igualmente, porque nada mais chato do que uma história que se restringe ao fulgor de uma única pessoa. Ansiosa pelo retorno da série, com certeza.

Responder
Filipe Monteiro 9 de setembro de 2014 - 21:45

Concordo contigo, Vera! Gosto não se discute, mas compartilhá-lo não faz mal. Não só acho a atuação do Cartney sem sal, como acredito que ele não consiga mostrar em cena a dimensão do que é o Dorian Gray. Veja, porém, que isso não é somente particular ao ator e é bastante corriqueiro. Há personagens que são tão, mas tão complexos que simplesmente não cabem em ator algum. Assim é o caso do Dorian Gray de Oscar Wilde, da Gabriela de Jorge Amado, do narrador da Queda da Casa de Usher de Allan Poe, e de tantos outros. Sobre Penny Dreadful, sou tão otimista quanto você. Acredito que a série sabe explorar bem os elementos de suspense e tem potencial para se estabelecer em futuras temporadas. Vamos aguardar o que vem por aí. 😀

Responder
Bruno Medeiros 22 de julho de 2014 - 11:37

Gostei da série, principalmente a qualidade cinematógrafica e os ótimos diálogos que o John Logan escreveu para o show (o monólogo do Caliban nesse episódio e lindo demais) mas se tem algo que me incomodou em Penny e a sua falta de objetivo, senti uma falta de direcionamento aos bons personagens, não sei se outras pessoas ficaram com essa sensação também, isso me incomodou bastante.

Tomara que na 2° temporada isso melhore e acredito que irá já que temos as personagens com background já estabelecido e cliffhangers bem bacanas.

Responder
Mr_Popeye 13 de agosto de 2014 - 00:45

Concordo, personagens perdidos, sem deixar quem a acompanha saber o rumo da série

Responder
Filipe Monteiro 13 de agosto de 2014 - 02:41

Isso é realmente um problema. Nota-se uma falta de síntese para colocar tudo o que foi abordado ao longo dos oito episódios no seu devido lugar. O lado bom disso tudo é que a série já foi renovada para uma segunda temporada com dois episódios a mais que a primeira, então vamos esperar e ver qual o rumo que John Logan vai dar aos tais personagens perdidos e como fará para amarrar o que falta.

Responder
Guilherme Coral 3 de julho de 2014 - 16:33

Ótima crítica, Filipe! Gostei muito da série como um todo e concordo com você em relação ao Dorian. Espero que ele tenha um papel maior na segunda temporada.
Gostei muito em descobrir que aquele vampiro careca não era, de fato, o Dracula. Assim fica um gancho ainda maior para a próxima temporada, considerando que o Malcolm não vai simplesmente desistir de sua busca (tampouco o próprio vampiro deixar Miss Ives de lado).

Responder
Filipe Monteiro 4 de julho de 2014 - 15:16

Obrigado, Guilherme. Só não tenho tanta certeza se quero que Dorian tenha um bom papel na segunda temporada, ou que eliminem ele de vez, já que o Reeve Cartney não me agrada nem um pouco. Acho que as tentativas de atrair Vanessa para o lado negro da força vão ter plano de destaque na próxima temporada. Já estou esperando ansioso.

Responder
Guilherme Coral 5 de julho de 2014 - 01:51

Vou te falar que não sei se gosto ou não do Reeve como Dorian. Tem horas que ele me convence e outras que ele parece totalmente sem sal.
Também estou muito curioso para ver o que vai sair da Vanessa, a série deve manter esse enfoque mesmo.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais