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Crítica | Perdido em Marte

por Iann Jeliel
395 views (a partir de agosto de 2020)

“Eu vou precisar usar muita ciência para sair daqui.”

Ridley Scott vinha em baixa na carreira desde O Gângster, em 2007, de lá para cá, somente filmes medianos para baixo – com a ilustre exceção de Prometheus, que embora a maioria deteste, eu considero seu filme mais corajoso em anos –, então o diretor precisava de algum modo voltar à boa forma, pelo menos aos olhares gerais do público. Eis que surge a oportunidade da adaptação do livro homônimo Perdido em Marte, o perfeito momento para isso acontecer. Terreno confortável da ficção científica – em alta com pelo menos um grande símbolo por ano (Gravidade em 2013, Interestelar em 2014) – junto a um material já modernizado e de fácil processo adaptativo pela sua linguagem mais descontraída e assumidamente aventuresca, que permitiram ao cineasta facilmente reconquistar seu lugar de apreço com o público sem a exigência de imprimir cargas dramáticas mais densas, o que ele não estava conseguindo fazer no seus últimos longas.

E é justamente o que ocorre, Scott abraça essa “zona de conforto” e abandona qualquer princípio de discussão mais filosófica sobre humano e o espaço para dar abertura a um blockbuster comercial de sobrevivência intergaláctica. Aliás, um dos grandes fatores que fazem esse filme ser tão divertido talvez seja essa pouca interferência autoral da mão da direção em contraponto à calculada proposta do roteirista Drew Goddard, em saber vender a adaptação no campo popular sem abandonar seus princípios próprios de escrita. Vindo de Lost, Goddard era o nome perfeito para fazer esse processo, pois saberia entregar criativas situações de survival, explicações científicas com base realista o suficiente para serem plausíveis, mas didaticamente ambíguas para ter a abertura de interferência da fé para tudo dar certo no final, assim, sustentando uma mínima articulação dramática dentro de um desenvolvimento de personagem bem humano.

Com a ajuda da montagem, Goddard consegue enxugar bem qualquer perambulância mais burocrática dos processos complexos por trás de um resgate tão distante, e cria até um jogo entre ele (simbolicamente representado pelo personagem do Jeff Daniels) e a força maior de um discurso humanista (representado por Chiwetel Ejiofor, Sean Bean, dentre outros personagens). Por mais que essa lógica maniqueísta não seja nada sutil, existe uma noção de limite desse conflito, onde o personagem de Daniels se vê aberto às soluções propostas pelos demais – por mais difícil que pareçam em execução -, e essas soluções apresentadas por eles nunca ultrapassam totalmente a verossimilhança científica ou ética por trás daquela burocracia existir. No fim, é um sustentáculo bom de conflito para as interações terrenas, um grande elenco é chamado para que essas sequências não se tornem barrigas na narrativa, mas seus personagens não chegam a ser tão desenvolvidos para não engolir a presença do principal astro.

Aliás, uma outra boa solução do roteiro para conseguir maior acessibilidade ao público é a estrutura de vlog do Matt Damon literalmente perdido em Marte. O Youtube estava em seu auge naquele momento justamente por todo mundo estar querendo narrar sua rotina em vídeo para os curiosos. Então, que jeito melhor de estabelecer a comunicação com o público do que uma quebra da quarta parede? Uma quebra plausível pelo passatempo oferecido ao personagem para não enlouquecer sozinho, e consequentemente uma boa desculpa para que o caráter expositivo dos diálogos se torne natural na proposta. Inclusive, o ator consegue vender muito bem essa naturalidade de conversar com a câmera através de uma personalidade positivista e “zuera”, para literalmente tentar incorporar uma lógica de canal no Youtube. O grande problema aí está nas sequências necessárias para não deixar o filme tão “Disney”, onde tudo dá errado para o seu lado e ele precisa demonstrar desespero.

As elipses constantes que a narrativa utiliza junto à forma como Ridley conduz essas cenas tornam-as quase anomalias dentro do filme e as fazem desequilibrar um tanto no tom. Pois fica nítido ser uma cena “preparada” para um momentinho bem específico, tornando-se previsível, logo, sem impacto e artificial, pois sabemos que não haverá fator consequencial algum ao personagem. Não chega a se tornar um prolongamento desnecessário, pois o ritmo nunca se perde e funciona como mais uma parte à aglutinação de expectativas para a apoteótica saída. Mas, veja bem a ironia: são talvez os momentos de maior autoridade do Scott no filme – a exemplo da única cena assim que parece orgânica, que é logo após ele acordar da tempestade, quase sem oxigênio e furado por um pedaço de metal que tem que tirar sozinho –, o que só prova o quanto ele realmente estava confortável no projeto, só usufruindo da assinatura orquestrada por terceiros, seja o autor do livro que criou a história, seja Goddard que deu a unidade ao filme.

Portanto, ainda que coloque Perdido em Marte como um filme muito bom e bem divertido, ele não exatamente representa a volta de Ridley Scott a uma boa forma, pois a ausência de seu estilo se torna uma virtude, e a presença um problema. Isso fica nítido nas piadinhas que sempre rolam, quando é uma piada que naturalmente surge em meio aos diálogos funciona, já as piadas que vão finalizar uma cena – ou seja, a cena estava sendo conduzida para ela – não funciona, porque fica forçada dentro do estilo do diretor. O mesmo vale para a seleção de músicas pop, quando surge diegeticamente (quando o personagem e o público estão escutando) funciona, quando surge não diegeticamente (aquelas que somente a gente escuta e não o personagem) fica como se Scott estivesse forçando um ar de “maneirinho”.

É um filme anêmico entre roteiro e direção, com problemas que não atrapalham exatamente na sensação de divertimento ou empolgação, tampouco deixam de ser perceptíveis ou incômodos, só não são tanto pela maioria ser facilmente contornável pelas ótimas intenções de good-movie, e isso, inegavelmente, ele consegue ser.

Perdido em Marte (The Martian | EUA, 2015)
Direção:
Ridley Scott
Roteiro: Drew Goddard, Andy Weir
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña, Sean Bean, Kate Mara, Sebastian Stan, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Benedict Wong, Mackenzie Davis, Donald Glover, Chen Shu, Eddy Ko
Duração: 141 minutos

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49 comentários

Vinicius Maestá 7 de junho de 2020 - 09:23

É decepcionante, vendo os comentários abaixo, como as pessoas desvalorizam a profissão do crítico e acham que entendem mais de cinema do que os profissionais da área. Quem entende um pouquinho de cinema, vai notar que os pontos levantados pelo redator estão totalmente corretos. E você pode gostar de filme problemático, mas se for pra debater, levante algum argumento minimamente decente.

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Milha Reforço Escolar 17 de julho de 2017 - 00:05

esse teu mini texto foi melhor que a critica acima parabéns

Responder
Tiago Lima 26 de outubro de 2016 - 16:14

O que mais me chamou a atenção é que este possa ser o primeiro filme etnicamente diverso do Ridley Scott. E só. O filme é gotosinho, mas como bem apontou tinha potencial para muito mais, principalmente na construção psicológica dos personagens.

Responder
Tiago Lima 26 de outubro de 2016 - 16:14

O que mais me chamou a atenção é que este possa ser o primeiro filme etnicamente diverso do Ridley Scott. E só. O filme é gotosinho, mas como bem apontou tinha potencial para muito mais, principalmente na construção psicológica dos personagens.

Responder
Giancarlo Albano da Silva 7 de maio de 2016 - 00:48

Na boa Matheus, você errou na crítica. O filme é bom sim.

Responder
Matheus Fragata 7 de maio de 2016 - 13:29

E onde eu disse que o filme é ruim? hahahahah, meu Deus.

Responder
Matheus Fragata 7 de maio de 2016 - 13:29

E onde eu disse que o filme é ruim? hahahahah, meu Deus.

Responder
Giancarlo Albano da Silva 7 de maio de 2016 - 00:48

Na boa Matheus, você errou na crítica. O filme é bom sim.

Responder
Anônimo 28 de fevereiro de 2016 - 22:22
Responder
Lucas Casagrande 28 de fevereiro de 2016 - 22:22

muito boa a critica, gostei do filme, mas é bem isso mesmo apenas um bom passatempo pra relaxar, honestamente ja fui ao cinema achando que não seria nada grandioso, a fotografia foi mesmo muito bonita, 3 estrelas ta justo

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Madex 19 de fevereiro de 2016 - 11:39

Se o filme não tem tensão, a tensão ficou toda fora da tela. Gostei do filme, mas realmente, a calma do astronauta era irritante, eu ficava nervoso só em pensar que ele esperaria anos pelo resgate, e ele ali… de boa. Não dá mesmo pra entender isso, furo absurdo. E olha que eu nem pensei nas possibilidades de falhas e riscos.

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Matheus Popst 1 de fevereiro de 2016 - 23:46

Fiquei triste com a critica. Não por discordar, porque adorei o filme, que faz um elogio a grandeza do espirito humano, mas porque eu não acho motivos para dizer que o filme é bom.

Responder
Caio Vinícius 11 de janeiro de 2016 - 11:06

Sabe que eu gostei desse filme? Não que eu não enxergue seus óbvios erros, é obviamente um filme feel-good, como você disse.

Consegui me prender bastante assistindo o filme, e acho que se tivesse trabalhado o emocional do personagem a obra não teria o mesmo impacto. O que eu gostei foi justamente o fator despretensioso do filme.

Responder
Matheus Fragata 14 de janeiro de 2016 - 01:46

Exatamente, Caio. É uma boa diversão apenas.
Abs!

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FCS 10 de janeiro de 2016 - 17:58

Achei que era só eu que tinha achado este filme ruinzinho….É tudo muito clichê. Os trabalhos dos atores são os mesmos dos outros filmes catastróficos e espaciais. Se algo dá certo, é tudo oba-oba, se sai errado, fazem aquela cara de cachorro que caiu da mudança. Tem sempre o nerd geniosinho estilo rebelde que tem a solução miraculosamente engraçada. Preguiça de ver filmes assim, mas seguindo “as grandes boas críticas”, paguei pra ver. Fraquinho demais. Resumindo a boa crítica Gravidade >>>>>>>>>> Interestellar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Perdido em Marte

Responder
Lu 13 de janeiro de 2016 - 17:55

A hora que um Nolete ver que tu colocou Gravidade na frente de Interestellar vão incendiar a tua casa.

Responder
Isadora Frare 3 de janeiro de 2016 - 11:32

Assisti ao filme ontem a noite, em casa, mas fiquei tão incomodada com a baixa qualidade dos diálogos, a obviedade da trama e as piadas fora de lugar que comecei a procurar as críticas na internet. Esta foi a única crítica que conseguiu analisar o longa sem babar de amores por Scott ou se satisfazer com os efeitos especiais.
Texto muito bem escrito, cheio de ironias bem colocadas, bastante diferente do uso das mesmas no filme.
Aprendi um monte lendo seu texto, obrigada.

Responder
Matheus Fragata 3 de janeiro de 2016 - 16:19

Eu que agradeço, Isadora. O roteiro é muito medíocre – o problema já vem do livro que é igualmente regular. Para te contar a verdade, me surpreendi com o fato dessa ser, talvez, a única crítica que pinta o filme como ele é: diversão despretensiosa que desperdiça seu potencial em piadinhas tontas.

Muito obrigado! Fico feliz que tenha gostado do texto e que tenha aprendido mais sobre cinema. Se puder, continue nos acompanhando!
Abraços!

Responder
Alexandre Marques 28 de dezembro de 2015 - 16:40

Estudantes de artes e cinema acham realmente patético, por que o objetivo do filme não é o de seguir os padrões que você aprendem na academia. Os estudantes de Física, Matemática, Astronomia e Geografia já acharam incrível tamanha precisão científica. Ele segue os mesmos padrões de Interestelar. Apesar da crítica, o único revés do filme é a parte final, em que fura a roupa para impulsionar-se à nave, apesar de ser possível pelas leis de Newton, seria tão difícil, que sua morte seria inevitável. A propulsão da sonda para a órbita de Marte, a utilização da lona, que apesar da crítica, a própria NASA já a utiliza e pretende utilizar em missões espaciais à Marte, os cálculos extremamente precisos de viagens espaciais e contagens cronológica dos dias. A sonda espacial que caíra em Marte, que apesar da crítica ao achismo “milagroso”, ela realmente foi mapeada e poderia ser encontrada, dependendo da proximidade com a base. A plantação de batatas em solo marciano, que em teoria é perfeitamente possível (e é muito mais interessante, pelo pioneirismo científico e a proposta do real, do que aquela bosta de Guardiões da Galáxia que só alimenta o ego de quem se preocupa apenas com “roteirinho” ou é fanboy da Marvel). Enfim… Vi sua graduação e compreendo que o pessoal das Artes prefere um enredo padronizado segundo as convenções das escolas de artes, ainda que toscamente fora da realidade. Mas como estudante de física e em um mundo onde filmes como Interestelar, 2001: Odisseia no espaço e perdido em Marte, perdem espaço para o grotescamente fictício Star Wars, fico triste com textos como esse, superficiais, que engrandecem subjetividades acima de uma realidade que precisa ser aprimorada. Dizem que nossa assinatura é a cultura, mas nosso progresso é a ciência e ela deveria ser melhor vista do que um enrendo romantista ou algum sentido que as artes tomou como padrão absoluto e obrigatório para Filmes!

Responder
Matheus Fragata 28 de dezembro de 2015 - 17:16

Alexandre, para primeiro ponto no nosso diálogo, te chamo de preconceituoso. Sim, cara, você é muito preconceituoso! Você não me conhece de modo algum para afirmar que eu AMO a Academia! Que ideia absurdamente tosca. Para sua surpresa, senhor acadêmico de ciências exatas, eu detesto a Academia. Não faço parte do nicho de estudiosos que dedicam a sua vida a isso. Faço crítica de cinema porque entendo de cinema ao contrário do que você aponta aqui. Sim, entendo porque trabalho com isso, além de ter estudado por conta (isso significa que foi fora das recomendações literárias da faculdade).Por esse motivo em especial entendo muito de técnica cinematográfica. E entenderia da mesma forma caso não fosse graduado em Cinema como quando comecei a escrever críticas lá em 2010.

Segundo, você não leu o texto. Nem um parágrafo. Pois já nas primeiras linhas cito três filmes de ficção que absolutamente adorei. Entre eles o qual o senhor também adora, Interstellar. Com todo o respeito, eu pouco me lixo se o filme faz sentindo cientificamente ou não. O que me importa é substância, noção cinematográfica, personagens bem desenvolvidos, dramas relevantes, entre outras coisas. Me importa o cinema. Não a ciência desses filmes, ok? Não desmereço obras inteiras de ficção científica porque elas não são corretas cientificamente. Quem faz isso não é apreciador de obras ficticias.

Coisas essas que Perdido em Marte não tem, pois, novamente, ele é tão popzinho com seu humor repetitivo e historinha feel good quanto Guardiões da Galáxia que você despreza. Além de falhar constantemente na própria lógica interna. Tão “esperto” na ciência e tão burro no próprio texto. Coisas que só Perdido em Marte pode lhe entregar.

Terceiro, é a partir de “roteirinhos” que os filmes são feitos, sabia? Sem “roteirinhos” não há O Poderoso Chefão, não há Interstellar, não há Muito Além do Jardim, não há filme algum, ok? Ciência pela ciência não faz filme. Já que os filmes que se desprendem da realidade para você, não se emocione com Toy Story 3, O Rei Leão, O Mágico de Oz, E.T. Benjamin Button, entre outros, já que esses filmes são estúpidos cientificamente ao afirmar que brinquedos falam e pulam por aí ou que a savana africana é um palco shakespeariano. Filmes distópicos então como Laranja Mecânica, phew, joguem no fogo! Esses filmes malvados não obedecem a ciência ou tem compromisso com a realidade! Que absurdo!!!

Nesse seu comentário grotesco, afirmou categoricamente que não entendo absolutamente nada de cinema, já que ele não é uma vídeo aula. E tenho a mais absoluta certeza que você só gostou tanto de Interstellar, não por causa de sua ciência, mas sim pelo “roteirinho” que traz um dos dramas humanos mais belos que vi em minha vida. “Parabéns” pelo seu gosto completamente ditatorial para cinema.

Dica: não se sinta especial por conta disso.

Responder
Luiz Santiago 28 de dezembro de 2015 - 17:52

Creio que independente de alguém ser físico, matemático, crítico de cinema ou professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, o resultado final de uma análise séria para um filme vai chegar no mesmo caminho: pautando roteiro, direção e todas as outras categorias técnicas que compõem o produto final, tais como fotografia, arte, trilha sonora, edição e mixagem de som, figurinos, maquiagem, etc etc etc. Um filme deve ser medido, antes de mais nada, por seus fatores de construção. Se ele condiz com uma realidade acadêmica X ou Y, é um detalhe, não uma obrigação (a não ser que esta seja a proposta de concepção do filme e, nesse caso, ele não seria uma FICÇÃO) ou maneira de criar referências para estudos de astronomia e terraformação de planetas. Se Ridley Scott tivesse isso em mente, ele não teria dirigido “Perdido em Marte”, teria dirigido “Cosmos – O Filme”.

A impressão que eu tenho dessa hierarquia segregadora de áreas do conhecimento que você defende (preconceito intelectual) é que para filmes que falem de ciência, a veracidade científica deve ser o bastante para deixar para lá quaisquer outros grandes erros da obra, principalmente do roteiro e sua condução, algo que curiosamente você desdenha em seu comentário.

Veja: nem na era dos cine-jornais e tampouco nos documentários essa veracidade é a coisa mais importante (padrões morais e éticos abertos para discussão dentro de cada obra, claro). Cinema é uma arte formada de várias outras artes e a intenção final é gerar um produto coeso. Se ele condiz com o que a ciência afirma ser verdade, possível ou provável, não é importante. O que está em pauta é a obra de arte analisada pela “galera de Artes” que você menospreza, não a leitura de um artigo da Nature por uma equipe de engenheiros espaciais.

No final das contas, é aquilo: um crítico de cinema não chega para um piloto de naves e analisa sua performance ou julga, diminui e taxa o que ele faz. Tampouco chega para um oceanógrafo ou para um arquiteto para fazer a mesma coisa. Ou para um físico ou para um astrônomo. Mas eu sempre achei uma curiosidade antropológica que alguns indivíduos dessas mesmas áreas do conhecimento arvoram-se críticos sempre que o cinema empresta da física, da arquitetura da astronomia, um cenário para um filme. Como se fosse obrigação de uma arte representar ipsis litteris o que a realidade diz. Bem… surpresa, surpresa… nunca foi. Nem na pintura, nem na literatura, teatro, música e… cinema! E isso, um bom crítico de cinema consegue ver e valorizar; quando uma área qualquer da ciência é bem ou mal utilizada em um longa. E isso porque um bom crítico de cinema conhece a sua área de estudo e sabe o que está julgado e quando e por quê julgar. Um agente externo que vir a mesma obra será como um narciso orgulhoso, obrigando e/ou defendendo que uma obra de arte represente o que ele estuda ou faz. Sinto informar, mas isto não é cinema. É dogma. Você como cientista não deveria sair por aí defendendo algo assim…

Responder
Gabriel Carvalho 28 de setembro de 2018 - 17:57

“Dizem que nossa assinatura é a cultura, mas nosso progresso é a ciência e ela deveria ser melhor vista do que um enrendo romantista ou algum sentido que as artes tomou como padrão absoluto e obrigatório para Filmes!” Essa é uma das coisas mais infelizes que eu tive o desprazer de ler nesse site.

Responder
Marcelo Bissaro 10 de junho de 2019 - 16:46

“Dizem que nossa assinatura é a cultura, mas nosso progresso é a ciência e ela deveria ser melhor vista do que um enrendo romantista ou algum sentido que as artes tomou como padrão absoluto e obrigatório para Filmes!” Essa é uma das coisas mais felizes que eu tive o prazer de ler nesse site.

Responder
Madex 19 de fevereiro de 2016 - 11:54

Depois desses dois esculachos merecidos, parafraseando Raul Gil, pegue seu banquinho e saia de mansinho. huahauhauhau

Responder
Rafael Miranda 26 de dezembro de 2015 - 20:08

Não achei que o filme necessitasse de uma pegada mais emotiva, é um enredo de superação através do conhecimento, um filme de otimismo. Em verdade achei a crítica fraca, tão dissonante em relação aos demais críticos que parece mais uma sequência de comentários pessoais do que uma análise de fato.

Responder
Matheus Fragata 26 de dezembro de 2015 - 20:16

Em vez de morder e assoprar com um comentário pessoal desses, poderia de fato citar onde que eu fiz um comentário pessoal e não um análise cinematográfica. Sério, me ilumine. Se não ficou satisfeito, saiba que a Internet é vasta para encontrar outras opiniões que reflitam a sua. A crítica não é fraca de modo algum. A menos que eu leve pelo seu prisma de avaliação “a crítica é fraca porque não bate com a minha opinião”.

Responder
Felipe 23 de dezembro de 2015 - 16:07

Particularmente eu achei a crítica raivosa. Embora o autor seja um estudioso do assunto a crítica nada mais é do que um exercício de opinião.

Responder
Matheus Fragata 23 de dezembro de 2015 - 18:11

Crítica raivosa? Não entendi absolutamente nada do que quis dizer após chamar meu texto de raivoso (hidrofóbico). Era para agregar à crítica da minha crítica raivosa?
abs

Responder
Heleno Junior 14 de outubro de 2015 - 17:04

Opinião de crítico é difícil de se entender.Enquanto essa aqui enumerou uma lista de motivos que segundo ele,o filme é ruim,as outras que vi em pelo menos uns 5 ou 6 sites diferentes,informam que se trata de um bom filme,dando boas notas e tecendo elogios de quem já foi conferir.Só vendo mesmo pra tirar minhas conclusões.

Responder
Matheus Fragata 14 de outubro de 2015 - 22:42

Heleno, opinião de crítico é opinião. Claro que haverá divergência e algum consenso dentro do grupo. Amigos meus reconhecem todas essas falhas que apontei no texto, mas se divertiram com Watney e suas trapalhadas marcianas fofas e deram nota 4. Isso acontece, mas comigo, não aconteceu. Assista e retorne. Abs

Responder
iorgue 7 de outubro de 2015 - 00:58

Ficção científica digna de Asimov e Clarke. Justamente porque centra na ciência. Se você quer humanismo, não precisa ir a Marte. Uma ilha como a do Tom Hanks já resolve.

Responder
Matheus Fragata 7 de outubro de 2015 - 15:14

Cara, você acabou de matar os espíritos de Asimov e Clarke com esse comentário. Você realmente comparou A Fundação e 2001 com um texto super formuláico e manjado de Perdido em Marte? Oh boy.

Responder
iorgue 8 de outubro de 2015 - 02:16

Na verdade, eu estava pensando em “Areias deMarte” do Asimov e “Canções da Terra Distantes”, do Clarke. Mas, é claro que todas as obras, dos dois melhores autores de FC são recheadas de informações e argumentos científicos. Pra nerd nenhum botar defeito.
Outra coisa: qual foi o artefato que apareceu do nada, para salvar o personagem do Damon? Você não estava falando da Pathfinder, né?

Responder
Matheus Fragata 14 de outubro de 2015 - 19:29

Não, falava mesmo do outro foguete que fica esperando ele do outro lado do planeta. Esse sim, foguete wolverine, que aguentou meses e meses de tempestades de areia enquanto o do começo do filme já começa a tombar com uma delas.

Responder
Giovanni Lautenschleger 21 de outubro de 2015 - 21:58

O cara carregar plutônio (ou outro material radioativa, não me recordo direito) nas costas foi demais…

Matheus Fragata 22 de outubro de 2015 - 00:33

Giovanni, é só você carregar com delicadeza que é sucesso! Pode confiar! Vivo carregando lixo radioativo aqui no escritório. É só andar com passos de tartaruga 🙂

Madex 19 de fevereiro de 2016 - 12:48

Outra coisa: o cara foi abandonado e quase pq foram pegos de surpresa pela tempestade.Ninguém nunca cogitou a possibilidade de surgir uma outra tempestade. Sempre “de boa”.

giovanni.lautens 21 de outubro de 2015 - 21:56

Comparar isso à Asimov e Clarke? Não! Pára com isso, cara. Se o filme fosse 10% do que esses dois caras são pra ficção cientifica tava bom demais, MASSS… o filme é muito ruim (o livro eu não sei)…

Responder
Pedro Enzo 6 de outubro de 2015 - 23:09

e as criticas do festival do rio ?

Responder
planocritico 7 de outubro de 2015 - 00:55

@pedroenzo:disqus, estamos publicando no mínimo duas críticas diárias de filmes do Festival. Já são NOVE no ar. Confira-as, aqui: https://www.planocritico.com/tag/festival-do-rio-2015/

Abs,
Ritter.

Responder
Maitê 3 de outubro de 2015 - 22:29

Sabe diante de todo aquele ufanismo americano “do conosco ninguém podosco”, eu me lembrava o tempo todo do Poema em Linha Reta do Fernando Pessoa “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo…” Dava vontade de enfiar o dedo na garganta… Deixa para lá. O bom do filme é que poderá dar subsídios para uma ótima aula de Física, Botânica… Fora isso só vale pela simpatia do Matt Damon, aqui entre nós, imagine se fosse com aquele amigo dele “comedor de nannys” que droga não seria, mas a bela fotografia e a música “Starman” do David Bowie fizeram valer o ingresso.

Responder
Matheus Fragata 5 de outubro de 2015 - 03:11

Havia te avisado hahaha. Mas A Travessia é um dos melhores do ano. Recomendo que invista seu tempo nesse filme maravilhoso.

Responder
Maitê 5 de outubro de 2015 - 17:39

Como assim, Matheus Fragata, “hahaha” ??? Tenha piedade, eu sou uma pobrezinha que investiu seu rico dinheirinho naquela estatal geradora de pixuecos!! Brincadeirinha! A Travessia tem no elenco Joseph Gordon-Levitt (um dos meus atores favoritos) então já estou juntando os $$$$ para o 3D. Até lá.

Responder
Matheus Fragata 5 de outubro de 2015 - 21:17

Meu Deus, Maitê! Eu não sabia! :O Sinto muito, imagino sua dor 🙁

Guarde sim seus pixulecos restantes para ver A Travessia em uma sala IMAX com o melhor 3D que podem te oferecer. Te aguardo nas próximas críticas!

Responder
FabioRT 3 de outubro de 2015 - 19:14

Sou um dos poucos que acha Prometheus um bom filme. Gosto dos enigmas, mistérios, suspense e pontas soltas…acho que dão charme ao filme. Também acho que a protagonista e o Androide de Fasbinder estão ótimos (principalmente o segundo…cheio de sutilezas)…além da trilha sonora que achei demais. Tem fotografia e cenas de ação que achei antológicas (tempestade de areia, homenagem à cena da barriga do Alien 1). A ideia central e as ligações sutis com a franquia Alien também me animaram. De ponto negativo…o biólogo e geólogo ultramegairritantes (sorte que a participação foi curta) e o sacrifício tipo “eeeeeeehhhhhhhhh vamos todos morrer ” do “não vou falar para evitar spoilers”. De resto gostei bastante…mas concordo que não é um filme fácil de se gostar. Dizem que as continuações irão ignorar totalmente o filme…uma pena…
Abraços

Responder
Cersei Rainha Global 3 de outubro de 2015 - 06:31

Não vi ainda mas estou ansiosa para ver

Responder
Silvio Chagas 1 de outubro de 2015 - 18:39

O livro varia de bom a regular, falta justamente explorar mais os personagens.

Quanto ao filme, concordo que no máximo é regular. Muita coisa acontece sem ser explicada e alguns trechos do livro simplesmente foram cortados ou adaptados de maneira incorreta ou tão rápida que não da tempo de entender o raciocínio, por exemplo, quando foi falado que o tempo de comunicação entre a terra-marte era de 12 minutos, ou que não foi dito que a lona utilizada é extremamente resistente ao invés de uma simples folha de plástico como parece no filme; que as mensagens trocadas pela câmera apontando os hexadecimais levavam várias horas do dia, etc.

O tempo de entrada e saída dos locais pressurizados merecia pelo menos um dos diálogos super apressados para o telespectador saber que levava em média 10 minutos, para não deixar a impressão de ser instantâneo.

Os indicadores nas câmeras, por favor, isso além de ser passado eu ficava a todo tempo me perguntando a mesma coisa, como o nível de oxigênio estava sempre crítico e a oscilação era despreoporcional, e os flickers, a imagem é digital, isto simplesmente não acontece, etc.

Em geral achei o filme muito acelerado, explicando pouco e muito rápido; o pior definitivamente foi o fato de algumas partes do livro terem sido simplesmente CORTADAS, mas, apesar de tudo, recomendo.

Responder
Pedro Enzo 30 de setembro de 2015 - 20:18

o 3d desse filme é bom ?

Responder
Matheus Fragata 30 de setembro de 2015 - 22:46

Sim, a maior parte da diversão do longa está concentrada no efeito 3D. Se assistir em 2D, talvez o visual não fique tão imersivo.

Responder

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