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Crítica | Perry Mason – Livro 1: O Caso das Garras de Veludo, de Erle Stanley Gardner

por Luiz Santiago
254 views (a partir de agosto de 2020)

Os primeiros passos de Erle Stanley Gardner na literatura não foram bem-sucedidos. Publicando sob diferentes pseudônimos (como Charles Green, Kyle Corning e Grant Holiday) ele tentou algumas histórias policiais, de terror e até de ficção científica, mas não conseguia emplacar de verdade uma aventura que fizesse o gosto do público e disparasse em vendas. Isso mudaria para sempre em março de 1933, quando conseguiu colocar nas bancas O Caso das Garras de Veludo, primeira aventura com o seu mais famoso personagem, o advogado (que aqui age mais como detetive) Perry Mason.

Quando Eva Griffin entra no escritório de Mason, logo no início do livro, o leitor sabe que virá um grande problema pela frente. O cenário típico dos filmes noir e a característica de dama fatal que Eva encarna chamam a atenção do público e da secretária de Mason, a assertiva Della Street. A birra que a secretária tem para com Eva desde o primeiro contato é justificava ao longo do volume, uma vez que a cliente é uma mentirosa compulsiva e uma grande atriz. Ela sabe da capacidade profissional de Perry Mason e chega à conclusão de que se arrastá-lo para o centro da grande intriga em que está metida, ele fará de tudo para livrar a si mesmo e, no processo, livrar ela também.

O que me deixou feliz nessa construção é que o autor não trata o protagonista como um bobinho apaixonado. Mason não apenas resiste às investidas sedutoras de Eva Griffin como também joga duro com ela. Ele sabe onde está colocando os pés, prevê que Eva lhe trará problemas sérios e não cultiva nenhuma falsa expectativa em relação à bela mulher. Quando a situação aperta e, no processo, ele se vê como suspeito de um assassinato, fica claro que entende que Eva irá falar dele para a polícia na primeira oportunidade que tiver. E esse é um ponto de virada interessantíssima no livro, porque o autor consegue disfarçar o que seria o clímax da obra e estende esse ponto máximo por mais algumas páginas, até que a segunda parte do problema seja definitivamente resolvida, deixando algumas migalhas estratégicas para “resolução em elipse posterior à última página”.

O meu único “senão” diante do caso está na presença da senhora e da senhorita Veitch. O dilema em torno do casamento é válido (embora o ex-marido da jovem tenha se deixado levar muito facilmente para o meu gosto), mas a postura final das duas me pareceu pouco orgânica, especialmente as linhas de diálogo da Sra. Veitch, com um tom de exposição que não faz muito bem ao livro. A forma como o autor estrutura o caso em torno delas, no entanto, é extremamente divertida. Mason assume todas as características de um detetive durão das novelas pulp e lança mão dos mais diversos recursos para conseguir se colocar à frente da polícia, ter acesso a documentos e, a partir daí, encaminhar o caso.

Mesmo com a atmosfera fortemente detetivesca dada ao protagonista nessa aventura de estreia, Gardner não se esquece de que Mason é advogado. Caminhos legais são constantemente abordados no decorrer do livro e o final é marcado por uma jornada de “defesa da cliente em apuros“, basicamente o que teria sido o livro se Eva não fosse uma astuta mentirosa. A definição de Della para essa femme fatale tem uma enorme precisão aqui: “ela é toda garras e veludo“. E mulheres assim, especialmente na ficção, têm o poder de tornar casos difíceis em praticamente impossíveis, arrastando também alguns inocentes (ou quase isso) no processo.

Perry Mason – Livro 1: O Caso das Garras de Veludo (The Case of the Velvet Claws) — EUA, 1933
Autor: Erle Stanley Gardner
Publicação original: William Morrow
224 páginas

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4 comentários

planocritico 1 de março de 2021 - 00:56

Nem vou falar nada, a não ser listar os problemas médicos e psicológicos que sua TRAIÇÃO me causou e que só estão se agravando agora que a crítica saiu:

– queda de cabelo;
– psoríase;
– taquicardia;
– insônia;
– ranger de dentes quando consigo dormir;
– espasmos involuntários dos braços e pernas;
– espasmos nas pálpebras;
– azia;
– perda de memória recente;
– terror noturno.

Obrigado. Mas, como diria minha avó, deixe estar, jacaré, pois a lagoa há de secar…

Abs,
Ritter, Controlando a Tremedeira e a Vontade de Mandar Anthrax pelo Correio.

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2021 - 10:41

O INIMIGO É MUITO ARTICULADO MESMO, NÉ???

Quem vê, nem sabe que CERTAS PESSOAS já me roubou Sherlock Holmes e Jules Verne só esse ano!!!

Responder
Wagner 1 de março de 2021 - 22:31

– queda de cabelo;
Que cabelo?
– psoríase;
Cê já é naturalmente irritado
– taquicardia;
Com que coração?
– insônia;
Não dorme desde o nascimento de Cristo
– ranger de dentes quando consigo dormir;
Tira a dentadura
– espasmos involuntários dos braços e pernas;
É Parkinson
– espasmos nas pálpebras;
Alimentação inadequada
– azia;
Eno
– perda de memória recente;
Esqueci
– terror noturno.
Mas você caça de noite

Abs,
Ema (cada um com seus pobrema)

Responder
planocritico 1 de março de 2021 - 22:31

Tem uma Ema que está merecendo uns pescotapas…

HAHAAHHAHHAHAAHHAHAHAHAHAH

Abs,
Ritter, o Esmaga-Ema.

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