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Crítica | Perry Rhodan – Livro 12: O Segredo do Cofre de Tempo, de Clark Darlton

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 12/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Wuriu Sengu, Thora, Crest, André Noir, Anne Sloane, Ras Tschubai, John Marshall, Tako Kakuta, Quequéler, Crek-Orn, Tequer-On, Rok-Gor, Lossos.
Espaço: Terceira Potência/Galáxia (Deserto de Gobi), Planeta Ferrol (8º planeta de Vega), Planeta Rofus (9º planeta de Vega), Lua Iridul.
Tempo: Julho de 1975

Expansão. Desde que o digníssimo e malevolente Luiz Santiago, à la Perry Rhodan, coercitivamente me convidou a participar das críticas do Perryverso – alguém precisava ajudar essa alma ociosa, não? -, me peguei fascinado com a história da Terceira Potência, especialmente em seu desenvolvimento expansionista. Desde o começo com a narrativa de independência estatal e criação de um governo mundial (ainda em desenvolvimento, aliás), até capítulos mais recentes de diplomacia intergaláctica, a série é uma deliciosa leitura de contínua ampliação, seja política, social, científica ou fantástica da ópera espacial. E como em todo Império em ascensão, há exploração.

O início de O Segredo do Cofre de Tempo trata largamente do crescimento bélico e político da Terceira Potência. Perry Rhodan retorna à Terra com a conquista da grande nave de guerra arcônida para reunir e treinar tropas com o intuito de voltar ao sistema Vega e expulsar os tópsidas do território dos ferrônios, mantendo segundas intenções para colocar as mãos nos planos dos transmissores de Thort. O preâmbulo para a regressão à Vega é um dos meus blocos favoritos em toda a série. Há um caráter militarista, e até obsessivo por parte da população, na comemoração geral da vitória e retorno de Perry Rhodan; sua recepção calorosa, o treinamento acelerado e a saída em combate contra uma nação intergaláctica.

De muitas formas, a Terceira Potência se torna personagem e protagonista nesta introdução. Temos relatórios terrestres sobre a dificuldade na criação de um governo mundial, mas com progresso no âmbito de segurança com a formação da Federação de Defesa da Terra (FDT), uma organização que fundiu todos os serviços secretos sob o comando de Allan D. Mercant. Há também a já dita convocação de tropas mutantes e treinamento de pilotos para a batalha, o batismo da nave arcônida com um nome terráqueo, entre outras pequenas pontuações inteligentes que o texto de Clark Darlton vai fazendo para demonstrar o alcance da Terceira Potência e o escopo gigantesco de dominação que a narrativa tem assumido.

A parte mais interessante desse desenvolvimento narrativo está em como os personagens vão se tornando ferramentas ideológicas da missão. A ambição e inteligência de Perry, o auxílio de comando de Bell, as decisões rápidas de Marshall, a importância dos mutantes, etc, em que em nenhum momento esses personagens questionam seus papeis ambíguos de manipulação dos tópsidas e até mesmo de seus aliados ferrônios. Todos estão absortos e comprometidos com a expansão e as várias conquistas de sua nação, e se torna completamente impossível, tanto pelo carisma dos personagens quanto pela fascinante evolução (social, científica, bélica) da Terceira Potência, não torcer por este “pequeno” Império em ascensão universal. Além disso, é interessante pontuar como estes desenvolvimentos ambíguos trazem uma curiosa inversão de papel para Thora, que deixa de ser uma personagem chata com seu ar de superioridade, se tornando uma intrigante observadora receosa com o alcance de Perry e seus companheiros.

Existe um quê de épico no primeiro ato deste livro, tanto na forma inicial que chegam e saem da Terra – o caráter militar realça esse ponto -, como também nas ótimas batalhas espaciais. Além disso, há um sentimento total de opressão dos tópsidas por parte da Terceira Potência, desde a dominação bélica em velocidade e poderio com as naves, até as várias “influências” causadas pelos mutantes na cadeia de comando dos “homens-lagartixa”, que reafirmam a soberania colossal da Terra. Até os momentos de política nas manipulações de Thort com a ajuda de telepatia tem esse aspecto grandioso em relação às consequências e resultados dos atos eticamente debatíveis de Perry e companhia.

É por este estilo dado à obra que eu não gosto da resolução com os tópsidas, terminando sua expulsão com uma espécie de “pegadinha” pregada pelos mutantes. Não é apenas anticlimático, como também deslocado narrativamente com a cadência de guerra espacial grandiosa que dita o tom da primeira parte do livro. Por outro lado, o ato final, focado inteiramente no segredo que dá nome ao volume, traz de volta o sentimento de grandiosidade à série, só que no campo de mitologia sci-fi com os personagens tentando descobrir os mistérios acerca dos transmissores ferrônios, a quinta dimensão e uma raça “mais velha que o sol”.

O texto de Clark faz um ótimo trabalho de equilibrar a conquista de uma nova “arma”, artifício narrativo que estabelece grande parte do enredo expansionista da série, com pequenos vislumbres e indícios interessantíssimos sobre tramas que acompanham o grupo principal desde Missão Stardust, como imortalidade e viagens dimensionais. Por fim, O Segredo do Cofre de Tempo é um ótimo livro de expansão para a série, trazendo transições morais na crescente ambiguidade da Terceira Potência e de Perry Rhodan – o fato dele estar manipulando os ferrônios, enquanto esconde decisões de Crest e Thora, certamente deixam o personagem mais dramaticamente intrigante -, assim como delineando caminhos fascinantes para uma nação cada vez mais poderosa, manipuladora e em perfeita sincronia entre suas “engrenagens” humanas. A Terceira Potência se desloca cada vez mais para o grandioso e a dominação. Expansão. Exploração.

Com a ajuda de seus mutantes, Perry Rhodan conseguiu expulsar os tópsidas do planeta principal do sistema Vega. Porém os tópsidas são uma raça renitente por natureza. Retiram-se para a orla do sistema, onde erigem uma fortaleza: A FORTALEZA DAS SEIS LUAS. De lá, tramam novos planos de conquista. A luta pela FORTALEZA DAS SEIS LUAS, e a perseguição da pista achada no COFRE DE TEMPO formam o enredo do próximo volume desta coleção.

Perry Rhodan – Livro 12: O Segredo do Cofre de Tempo (Das Geheimnis der Zeitgruft) — Alemanha, 24 de novembro de 1961
Autor: Clark Darlton
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Maria Madalena Würth Teixeira
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
116 páginas

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