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Crítica | Perry Rhodan – Livro 14: Charada Galáctica, de Clark Darlton

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 14/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Groll, Anne Sloane, Betty Toufry, Thora, Crest,  Anne Sloane, Ras Tschubai, John Marshall, Lossos.
Espaço: Planeta Ferrol (8º planeta de Vega)
Tempo: Agosto de 1975

O primeiro ato de Charada Galáctica desenvolve habilmente um novo arco para Perry e companhia. É bastante agradável o senso de inconformismo artístico que existe na área criativa da série, desde a constante mudança de autores e prosas, estilos de narrativa dentro de uma mesma história e, como aqui, a frequente alteração de arcos, finalizando algo mais próximo de uma ópera espacial comum, cheio de batalhas e intrigas universais, dos últimos livros, para iniciar uma aventura que, pelo menos neste momento, parece indicar uma jornada aproximada de um mistério sci-fi.

Após a vitória contra os tópsidas, Perry Rhodan e a Terceira Potência desviam seus esforços para a busca da imortalidade, que tem sido indicada como trama de grande importância dentro da série desde o início com a expedição de Crest e Thora à procura do mundo da vida eterna, e sua civilização supostamente imortal. Algo em torno de metade do livro desenvolve o estabelecimento da nova aventura e o enfoque em busca de mais um “objeto”, como usualmente feito na série. O interessante é que Clark Darlton escapa de um didatismo na organização do novo arco, esforçando-se em nos situar do novo enredo com o mistério, seja das pequenas pistas da existência do planeta de vida eterna escondido no sistema Vega, como também da orquestração da narrativa em torno da aventura em busca da charada galáctica!

É, aliás, um livro que desenvolve uma atmosfera mística em volta da existência ou não deste povo imortal, iniciando uma aventura completamente diferente da anterior (objetiva, épica e política), criada ao redor de questionamentos, enigmas e o aspecto mais contido, “fugindo” da exploração universal. Dito isso, Clark Dalton engenhosamente vincula o teor misterioso com a leitura mais pulp do Perryverso com uma narrativa de provações, à la Indiana Jones, mas, claro, em um cenário científico.

Depois que Perry encontra um transmissor de matéria com a capacidade de transportar várias pessoas dentro do cofre pentadimensional do 12º livro, ele e sua equipe utilizam a máquina para se teletransportar para um salão supostamente deixado pelos Imortais, abarrotado com testes e tarefas para provar se o povo que encontrou determinado local é digno do segredo da imortalidade. Toda a sequência de provações mirabolantes é uma das mais divertidas leituras em toda a saga, diluindo um pouco de tensão com o tom divertidamente aventureiro de cada missão impossível. Por mais que seja óbvio dizer isso, é um livro de charadas, e Darlton equilibra com muito cuidado a mística das tarefas com a diversão obsessiva do leitor em relação às resoluções científicas misturadas com ação – aliás, o autor continua demonstrando a importância dos mutantes no papel de ascensão da Terra como império, ganhando quase todo o destaque da aventura.

Além disso, há toda uma subtrama entre o cientista ferrônio Lossos e o sargento Groll à procura do planeta da vida eterna escondido entre Luas, que se correlaciona muito bem com a narrativa de mistério da obra – há pequenas explorações que terminam em um ótimo clímax versus uma figura incompreensível e uma descoberta bombástica. O fato do livro subverter alguns destes blocos com humor, desde a dinâmica de ódio/buddy de Lossos e Groll, até a sensação que os Imortais são trolls em algumas dessas tarefas, dá mais um ótimo toque à leitura. Charada Galáctica inicia uma nova jornada bastante diferente para a Terceira Potência, cheia de enigmas, aventuras contidas, mistério sci-fi e alguns indícios de caminhos existenciais com a curiosíssima história de imortalidade e eternidade.

A charada galáctica foi solucionada literalmente no último minuto, porém o desconhecido que guarda o segredo da imortalidade ainda não esgotou todos os seus recursos. Ele, para quem milênios não passam de segundos, lançou uma PISTA NO TEMPO E ESPAÇO.

Perry Rhodan – Livro 14: Charada Galáctica (Das Galaktische Rätsel) — Alemanha, 08 de dezembro de 1961
Autor: Clark Darlton
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Maria Madalena Würth Teixeira
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
118 páginas

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