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Crítica | Perry Rhodan – Livro 16: Os Espíritos de Gol, de Kurt Mahr

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 16/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Thora, Crest, Tanaka Seiko, Chaney, Deringhouse, Wuriu Sengu
Espaço: Gol
Tempo: Outubro de 1975

Após receberem a mensagem enigmática do Imortal no último livro, Perry Rhodan decide espalhar várias naves no Sistema Vega para monitorarem tremores ou abalos no espaço-tempo a fim de determinar a próxima locação onde continuarão sua jornada à procura da imortalidade. O capitão Chaney, um dos pilotos dispersos em Vega, detecta uma alteração no 14º planeta. Perry e companhia se deslocam ao mundo gigantesco na Stardust II para descobrir os novos passos da sua empreitada eterna (he, he), decidindo chamar o planeta de Gol (referência a Golias), possivelmente por causa de seu tamanho.

O que temos aqui é mais uma narrativa de “exploração de outro planeta” por Kurt Mahr, assim como o autor havia feito em Base em Vênus e Mutantes em Ação, com qualidades destoantes. Infelizmente, o autor perde completamente a mão em um estilo narrativo que ele já tinha trabalhado com louvor, não apenas sendo uma péssima exploração global, como também, de longe, o pior livro do Perryverso até aqui. Podemos ver alguns caminhos narrativos bastante comuns da série no livro, como a busca por um objeto especial, perigos extraterrestres, divisão de equipes e a contínua atividade de charadas do imortal deste arco, mas, apesar do formato padronizado ser repetitivo, os problemas de Os Espíritos de Gol residem não no enredo propriamente dito, e sim na prosa e na estrutura da obra.

Kurt Mahr emprega uma escrita completamente artificial, cheia de termos científicos e jargões técnicos que complicam a leitura (muitas vezes me peguei relendo trechos para entender o progresso da história), além de que truncam as aventuras e a exploração com o cunho “mecânico” do escritor, até pretensioso eu diria. Basicamente, é uma experiência chata e arrastada, que não te envolve com questões geográficas ou elementos extraterrestres, mas desenvolve uma espécie de leitura de “revista científica”, com parágrafos e parágrafos de gravidade, metano, veículos, e blá blá blá. Os livros de Perry Rhodan sempre tiveram este conteúdo científico mais denso, só que normalmente espalhado pontualmente pelos livros como um elemento de imersão, aquele toque interessante de mitologia e ficção científica que deixam as histórias mais recheadas de ilustrações sapientes, mas o que temos aqui é a prosa artificial como fronte de uma leitura maçante.

Além disso, a maneira como o autor fragmenta a estrutura da história piora o encadeamento que já era monótono pelo seu estilo de escrita. Grande parte do livro acontece em torno de diferentes grupos no planeta enfrentando seres extraterrestres que absorvem energia, que, aliás, são bem interessantes com a construção meio espiritual dada a eles, enquanto procuram um objeto ou pista do Imortal. Contudo, Kurt parece não entender como montar os diferentes blocos, com um vai e vem que, novamente, dificulta a leitura, mas principalmente quebra qualquer escalonamento de tensão ou mistério, considerando como cada parte da aventura termina de forma abrupta, normalmente com saídas fáceis; ou então ele resolve o conflito com alguma teoria científica (porcamente explicada) da cartola.

Os Espíritos de Gol tem alguns bons momentos, como Bell enfrentando dois “espíritos” na Stardust III – aliás, estou adorando como ele tem se tornado cada vez mais um alívio cômico bem-composto na dinâmica do grupo – ou então a virada surpreendente de quando Perry e companhia são teletransportados à nave arcônida e precisam combater os seres extraterrestres em um bom clímax, mas são apenas bons instantes em um livro completamente enfadonho. Kurt Mahr constrói muito mal a exploração do planeta e toda a jornada dos grupos (parece que não acontece nada, além de descrições científicas), e, o pior, Os Espíritos de Gol não insere qualquer tipo de progresso ou impacto na narrativa geral do arco. De longe, mas bem de longe, o pior livro da série até aqui.

A Stardust-III voltou ao espaço livre, muito embora por algum tempo parecesse que aquele objeto titânico, fabricado com o aço de Árcon, jamais se ergueria no planeta Gol. Mas de que serve o espaço livre a quem não conhece sua posição, a quem não enxerga a luz de qualquer constelação conhecida? Mas acredita-se que as coordenadas se encontram no PLANETA DO SOL MORIBUNDO.

Perry Rhodan – Livro 16: Os Espíritos de Gol (Die Geister von Gol) — Alemanha, 22 de dezembro de 1961
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
110 páginas

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