Home Diversos Crítica | Perry Rhodan – Livro 17: O Planeta do Sol Moribundo, de Kurt Mahr

Crítica | Perry Rhodan – Livro 17: O Planeta do Sol Moribundo, de Kurt Mahr

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 17/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Thora, Crest, Tama Yokida, Fellmer Lloyd, Tenente Tanner, Tanaka Seiko
Espaço: Vagabundo (planeta)
Tempo: Dezembro de 1975

Durante a leitura de Os Espíritos de Gol eu percebi uma certa ordenação narrativa que me incomodou bastante (tanto que achei o livro medíocre) e que temi ser repetida aqui em O Planeta do Sol Moribundo. Ao longo da leitura, fiquei bastante feliz por isso acontecer apenas parcialmente neste 17º volume da saga de Perry Rhodan. O problema a que me refiro é, em uma frase simplória e direta, uma “enrolação cheia de problemas que não servem bem ao rendo“, organizado para que Rhodan e os tripulantes da Stardust III encontrem o planeta, o Ser e/ou o objeto ligado à regeneração celular, o que em outras palavras quer dizer ‘a vida eterna’.

É evidente que eu entendo a necessidade dramática de os autores estenderem ao máximo essa grande busca, até porque essa é parte da graça — e também há de se considerar aí que não estamos falando de qualquer coisa, estamos falando da ‘vida eterna’, logo, alcançá-la deveria ser algo difícil mesmo. Para mim, a trajetória vinha sendo parte da graça até Pista no Tempo e no Espaço, mas no volume seguinte, com todas as travessuras dos espíritos luminosos e uma passagem por um planeta para não se obter nada de verdadeiramente relevante e que fizesse jus a todos os problemas transcorridos, simplesmente me deixou irritado. No caso desse Livro 17, uma parte da abordagem enrolada se faz presente (destaco aquela cena estranha e desnecessária com a bomba arcônida que cai-não-cai), mas no todo, o livro conseguiu se valer muito bem em si mesmo, e em relação à série.

Transportados de modo inesperado para um lugar cheio de “estrelas irreconhecíveis”, Rhodan e a tripulação da Stardust III acaba aportando no planeta Vagabundo, onde devem encontrar a pista definitiva para o Ser imortal que os espera ou para a bênção eterna que ele tanto promete. Como todo o enredo transcorrido em Gol foi meio frustrante para mim, comecei a leitura desse volume torcendo para que tivéssemos algo menos focado na exploração de um planeta e mais em viagens, em lutas, em negociações, encontros e coisas práticas. E evidentemente me frustrei (precocemente) ao perceber que não teria muito disso não. Ocorre que essa aventura de Kurt Mahr é uma sólida trama de exploração e que consegue nos prender tanto pelos eventos preocupantes que exibe, quanto por nos entregar de fato algo vital para o avanço de Rhodan até o seu grande objetivo.

O fato de termos duas espécies inteligentes e com comportamentos diferentes no planeta Vagabundo é um ponto positivo logo de cara. Isso coloca os personagens em constante tensão e dá a oportunidade para muitos trabalharem nos mais diversos momentos de crise (devo dizer que isso também ocorreu, e de modo interessante, no livro anterior). O andamento da busca até a reta final, na “toca” dos ratos-castores, mantém o leitor aflito, esperando o pior dos robôs odiadores e esperando algum tipo de salvação do Ser que está guiando tal procura… ou dos seres brincalhões daquele lugar. Após um momento de claustrofobia e desespero, enfim, somos presenteados com uma descoberta marcada por uma prosa descritiva de primeira, e que me encheu de alegria no final do livro.

Dá para lamentar o fato de obra não avançar porque sua primeira metade é quase um repeteco de organização dramática em relação a Os Espíritos de Gol, mas isso muda muito na segunda metade do volume e, pela surpresa que nos é adiantada no textinho final (ao que parece um rato-castor está a bordo da nave) o livro seguinte romperá com o ciclo de enrolação e criação de problemas que não servem para tornar a trama mais interessante, dando mais atenção aos detalhes, ações e descobertas. Assim espero.

O planeta Vagabundo, que gira em torno de um Sol moribundo, ofereceu perigos muito maiores do que se poderia esperar de um mundo que parecia tão inofensivo. Como tantas vezes, também aqui as aparências enganaram. Mas agora, com o modelo da Via Láctea, encontrariam o caminho de volta para o sistema Vega. Será mesmo? Se dentro em breve Rhodan se depara com os OS REBELDES DE TUGLAN, isso é devido exclusivamente a Gucky, um clandestino que viaja a bordo da Stardust III.

Perry Rhodan – Livro 17: O Planeta do Sol Moribundo (Planet der Sterbenden Sonne) — Alemanha, 29 de dezembro de 1961
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
107 páginas

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