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Crítica | Perry Rhodan – Livro 25: O Supercrânio, de Kurt Mahr

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 25/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Coronel Freyt, Reginald Bell, Clifford Monterny, Elmer Bradley, Homer G. Adams, Mr. Raleigh, Tako Kakuta, Capitão Farina.
Espaço: Terceira Potência (Terrânia), Estados Unidos (Salt Lake City / Sacramento / Nova York), Japão.
Tempo: Meados de julho a início de agosto de 1981

Lá pelo meio de O Supercrânio eu comecei a fazer diversas comparações com o nono livro da série Perry Rhodan, Socorro Para a Terra, escrito por W. W. Shols. Naquela ocasião, uma abordagem similar ao noir, fortemente ancorada nas disputas dos Deformadores Individuais — e dos humanos por eles possuídos — contra a Terceira Potência, me chamaram a atenção. Essa premissa garantiu uma aventura ágil, com boa dose de suspense e fantástica organização dos blocos internos, cada um interessante a seu modo. Neste vigésimo quinto volume da saga, o Exército de Mutantes está numa situação que lembra muito a daquela história, dessa vez enfrentando um mutante absurdamente poderoso, um hipnotizador e telepata de primeira ordem, capaz de exercer o seu domínio através de longas distâncias. Senhoras e senhores, bem vindos à ofensiva de Clifford Monterny!

Pensando exclusivamente em termos de motivação do bandido, O Supercrânio não tem uma boa construção. O texto de Kurt Mahr opta pelo simples ódio a fim de tornar Monterny um inimigo da Terceira Potência e seus habitantes, apelidados por ele de “rhodanitas“. É uma motivação clichê que pode funcionar bem quando falamos de espécies extraterrestres, até porque um segundo motivo, o de dominação, vem a tiracolo desse ódio. Quando consideramos um humano mutante, no entanto, sentimos falta de um trabalho maior em relação ao pensamento, aos sentimentos, aos objetivos e aos motivos do por quê ele quer ou pensa em tudo isso. Talvez os próximos livros lancem uma luz sobre tais questões. Aqui, infelizmente, ela é bastante opaca. E mesmo assim, não conseguiu mexer na qualidade do livro.

Acredito que o fato de termos passado um bom tempo fora da Terra (Sistema Vega. Busca pelo Imortal e por Peregrino. Vênus) tenha contribuído para deixar essa trama ainda mais atraente. Trafegar por diferentes territórios e mostrar uma poderosa força que desafiasse o governo de Terrânia era uma falta que sentíamos e que agora aparece recheada de excelentes atos dramáticos. Na condução desses enfrentamentos, tudo funciona. A atuação de Monterny é angustiante e gera um bom suspense par ao leitor, especialmente porque a grande habilidade hipnótica do vilão consegue gerar um Exército de Mutantes com ações que deixam Rhodan e a Terceira Potência em situações muito delicadas no lado financeiro, no lado psicológico e no lado prático, com subtração de recursos do novo país.

Tenho para mim que Kurt Mahr foi influenciado pela febre gerada na Alemanha a partir do lançamento de Os Mil Olhos do Dr. Mabuse (1960), de Fritz Lang. Esse fechamento de trilogia do personagem trouxe para o país uma série de obras que tinham como destaque o próprio Mabuse, mas que se uniram a um subgênero cinematográfico estabelecido oficialmente em 1959: o krimi (abreviação da palavra kriminalroman, ou literalmente romance criminal). Os filmes krimi foram fortemente influenciados pela literatura policial e pela ficção gótica, com destaque para Edgar Allan PoeArthur Conan DoyleAgatha Christie, James Hadley Chase e principalmente Edgar Wallace, o grande ícone do subgênero. O que vemos aqui é uma representação literária, na ficção científica, dessa atmosfera bastante popular nos cinemas germânicos em início dos anos 60, especialmente na figura de Mabuse, que era também um potente hipnotizador, um controlador de massas, um gênio do crime, um verdadeiro Supercrânio.

As tentativas de barrar o Supercrânio, as missões individuais e os blocos onde temos contato com o ponto de vista do vilão deixam a narrativa progressivamente mais tensa, prendendo facilmente o leitor. Gosto muito da ação final, no Japão, que coloca Monterny para correr mas ainda não o derrota definitivamente. Não podemos nos esquecer que ele conseguiu roubar três naves da Terceira Potência e que ainda tem mutantes a seu serviço. Esta é uma luta que ainda terá bons capítulos pela frente!

Na época em que a Terceira Potência foi fundada, Perry Rhodan mandou que seus “captores de mutantes” corressem mundo para lhe trazer os elementos com que pudesse criar seu Exército de Mutantes. O SUPERCRÂNIO teve a mesma ideia. Em silêncio montou sua organização secreta, e agora achava que ela já era suficientemente forte para enfrentar a Terceira Potência. E é assim que se trava o DUELO DE MUTANTES, título do próximo volume da série Perry Rhodan.

Perry Rhodan – Livro 25: O Supercrânio (Der Overhead) — Alemanha, 23 de fevereiro de 1962
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
163 páginas

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