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Crítica | Perry Rhodan – Livro 28: Cilada Cósmica, de K.H. Scheer

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 28/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Julian Tifflor, Sargento Rous, Major Deringhouse, Humpry Hifield, Klaus Eberhardt, Mildred Orsons, Orlgans
Espaço: Terceira Potência (Terrânia), Estados Unidos (Nova York)
Tempo: 1982

Mesmo após a derrota do Supercrânio no volume anterior, fechando o arco de Disputas Internas na Terra que se iniciou em Ameaça a Vênus, os problemas com adversários da Terceira Potência apenas começaram. Diante do desaparecimento de um cruzador espacial, Perry Rhodan chega a conclusão de que a Terra está diante de um novo inimigo, só que dessa vez extraterrestre. Para descobrir quem está enfrentando, Rhodan decide criar uma armadilha – daí o título do volume – com o cadete Julian Tifflor (Tiff). O novato já havia dado as caras no primeiro ato de Duelo de Mutantes, em um interessante bloco espacial da série, no qual conhecemos mais da base militar da Terceira Potência. Infelizmente para o personagem – e felizmente para o leitor -, Tiff retorna à série em uma posição, digamos, mal-afortunada, pois Rhodan decide utilizar o jovem como isca, ou, melhor dizendo, um chamariz cósmico para atrair o adversário desconhecido.

O grande diferencial de Cilada Cósmica, e o motivo por considerá-la o melhor volume da série desde Missão Stardust, está na mudança de abordagem narrativa de K.H. Scheer, mais especificamente da divergência de perspectiva. Como normalmente na série vemos um encadeamento de busca de um objeto, local ou indivíduo, muitas das vezes de um ângulo de reação (como também acontece aqui), o mistério (ou a charada, he, he) da procura ou da aventura parte da descoberta dos personagens principais a mesma medida que o leitor. Mas e se o grupinho protagonista composto por Perry, Bell, Marshall, Deringhouse, dentre outros membros importantes da Terceira Potência, já soubessem da tramoia e da cadeia de eventos, enquanto o leitor fica completamente no escuro?  É basicamente isso que K.H. Scheer concebe, utilizando o ponto de vista do cadete Tiff como fronte narrativo.

Isso causa algumas (boas) estranhezas, pois acompanhamos nossos personagens em um papel paralelo à trama, desconhecendo suas motivações e planos, o que aumenta o nível de enigma e mistério à história, ao mesmo tempo que vemos a aventura pelos olhos inocentes e personalidade honesta de Tiff. Aliás, a inteligente descrição da utilização de Tiff como isca no texto (única informação que sabemos e Tiff desconhece), desenvolve uma trama de dilema moral com as atitudes no mínimo discutíveis de Rhodan, adicionando bem-vindas camadas de complexidade ao protagonista, além de trabalhar o interessante arco do cadete dentro da Terceira Potência. Ao longo da obra vemos o lado adorador, idealizador e corajoso do personagem, mas também suas dúvidas, preocupações e, principalmente, a crescente desconfiança de Tiff em relação às decisões do seu comando. Será extremamente interessante presenciar as reações do cadete enquanto ele continua desenrolando as artimanhas de Rhodan.

É, na verdade, em relação a esse descontrole das motivações da Terceira Potência que o autor cativa o leitor. Cilada Cósmica se desenvolve narrativamente como um quebra-cabeça sendo montado por Tiff (praticamente uma personificação do leitor dentro da obra), à medida que o personagem vai de Terrânia até Nova York – em um interessante bloco familiar para o cadete, também levemente demonstrando a opinião pública contrária às ideologias de Rhodan – embarcando em seu caminho ao Setor Vega, onde é interrompido pelos temíveis Saltadores, o inimigo que Perry queria descobrir. O grupo que encontra Tiff, junto de Deringhouse e outros cadetes, é liderado por Orlgans, que explica que sua raça, longos descendentes dos arcônidas, se autodenomina de Saltadores, pois são negociantes e não tinham um planeta de origem.

Dessa forma, entre as motivações obscuras e imorais de Rhodan, o destino de Tiff, o inimigo inicialmente desconhecido e posteriormente mais curioso dado seu background singular, e a astuta falta de explicações para onde os personagens se moviam, Cilada Cósmica foi me deixando extremamente instigado com a história. Scheer é muito inteligente na entrega à conta-gotas de informações, criando muito mistério no volume, especialmente no ato final de grande suspense em torno do sequestro do grupo de Deringhouse e o plano da bomba dando errado. Tudo isso se constrói pela abordagem inventiva do autor na série, utilizando-se de uma aventura sob um olhar diferente.

O cadete Julian Tifflor, formando da Academia Espacial da Terceira Potência, foi escolhido por Perry Rhodan para desempenhar o papel de chamariz cósmico. O cadete caiu na armadilha em que lhe puseram. Mas Perry Rhodan, que na Stardust-III pretende tirá-lo prontamente da armadilha, defronta-se com dificuldades, pois de repente tem diante de si A Frota dos Saltadores. A FROTA DOS SALTADORES é o título do próximo volume da série Perry Rhodan.

Perry Rhodan – Livro 28: Cilada Cósmica (Der kosmische Lockvogel) — Alemanha, 16 de março de 1962
Autor: K. H. Scheer
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
164 páginas

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