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Crítica | Perry Rhodan – Livro 30: Perigo no Planeta Gelado, de Kurt Mahr

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 30/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Julian Tifflor, Klaus Eberhardt, Humpry Hifield, Gucky, Orlgans, Etztak, RB-013
Espaço: Planeta Homem de Gelo
Tempo: 1982

Após escaparem dos Saltadores no volume anterior, os cinco cadetes da Terceira Potência, liderados por Tiff, se esconderam no Planeta Gelado, em uma caverna preparada pelo robô RB-013, o qual eles decidem batizar de Moisés – me pergunto se existe algum motivo ou referência pela escolha do nome bíblico. Perigo no Planeta Gelado situa quase toda sua narrativa em torno dos cadetes escapando e confrontando os saltadores, agora com a ajuda do rato-castor Gucky, que chegou no planeta com o auxílio de Bell – em mais uma ótima e tensa sequência espacial descrita por Kurt Mahr, com muitas reviravoltas e extremo cuidado no retrato da ação.

Não sei se é uma impressão minha, mas desde o início do arco em Vênus tenho percebido que os autores da série têm prezado por volumes mais contidos e focados em um limitado número de personagens, algumas vezes coadjuvantes, do que apenas uma narrativa principal em torno de Perry com várias subtramas em paralelo. Com o aumento do número de personagens, era possível notar uma certa dificuldade de construção narrativa por parte dos autores em relação a equilibrar tantas faces e núcleos em um único volume, resultando em blocos mal resolvidos ou superficiais aqui e ali (especialmente em obras de exploração de mundo) ou então personagens escanteados.

É muito bacana que a série está tendo uma abordagem mais, digamos, episódica, em termos de distribuir aventuras para diferentes personagens – começamos a ter isso com o arco de Thora, por exemplo -, resultando nos ótimos volumes concentrados em desenvolver Tiff e os cadetes Klaus e Hump (e agora também Gucky). Dessa forma, Perigo no Planeta Gelado destaca mais uma aventura do ponto de vista de Tiff, menos misteriosa e instigante como Cilada Cósmica, considerando que a narrativa aqui acontece inteiramente com ação, no qual o personagem se assume como líder. É curioso como o chamariz cósmico é um personagem recente, mas já conta com um dos melhores arcos no Perryverso, com Kurt, aqui, delineando uma história da nova geração da Terceira Potência, cheia de dúvidas, inseguranças e honestidade – de várias formas lembram os primeiros livros da série, na divertida dinâmica dos astronautas antes de se tornarem gênios intergalácticos.

Além disso, Gucky ganha um bem-vindo protagonismo que não acontecia desde Os Rebeldes de Tuglan, dando o espaço da ação para o rato-castor brilhar além do esporádico alívio cômico. Aliás, o humor do personagem funciona de modo mais orgânico quando dinamizado na ação, se distanciando de alguns momentos deslocados e cansativos que vinham acontecendo nos últimos volumes. Sua dinâmica de superior em relação a Tiff também funciona muitíssimo bem, diversificando o papel do personagem dentro da Terceira Potência – daí a importância que citei anteriormente de volumes que destacam coadjuvantes, deixando Perry “guardado” em algumas histórias.

No mais, o trigésimo volume nos apresenta algumas respostas em relação aos Saltadores, como sua motivação para atacar/espionar a Terra e sequestrar Tiff: eles queriam informações do Planeta da Vida Eterna. É sempre intrigante quando os escritores da série se aprofundam nas mitologias e culturas das espécies/raças intergalácticas nos deixando entusiasmados com as repercussões da Terra em um possível cenário político espacial. Particularmente gosto muito quando a série adentra esse tipo de história, como aconteceu no arco diplomático/comercial de Ferrol, e adicionar a questão da eternidade elabora possíveis problemas para Rhodan e a Terra – me pergunto como será a reação de Àrcon.

Os Saltadores são bem genéricos como vilões, mas da perspectiva de mercadores e comerciantes dominantes, começam a oferecer alguns elementos do quadro galáctico que Perry está adentrando, e que ele tanto teme chamar atenção. Perigo no Planeta Gelado termina não se aprofundando tanto nesses assuntos, focando em uma história padrão de ação de Tiff, os cadetes e Gucky (interessante e divertido por si só), mas prepara alguns conflitos e temáticas curiosas para a série. Tenho duras críticas ao retrato machista de Kurt com “as moças”, duas personagens que apenas servem como estereótipos ruins de mulheres que só berram e precisam de ajuda, além de que a narrativa não foge de um molde comum de ação espacial para a série, mas o Livro 30 mantém um bom nível de qualidade no Perryverso, especialmente em relação a construção de personagens e nos preparativos de futuros problemas para a Terceira Potência.

A Terceira Potência possui corajosos representantes no sistema de Beta-Albíreo. Os cadetes liderados por Julian Tifflor, agora auxiliados por Gucky, conseguem impor, de seu esconderijo no planeta gelado, um sério obstáculo aos saltadores. Mas os saltadores já dispõem de vários espiões na Terra; e entre eles se encontra O Imperador de Nova Iorque. O IMPERADOR DE NOVA IORQUE é também o título do próximo volume da série Perry Rhodan.

Perry Rhodan – Livro 30: Perigo no Planeta Gelado (Tifflor, der Partisan) — Alemanha, 30 de março de 1962
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
164 páginas

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