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Crítica | Perry Rhodan – Livro 31: O Imperador de Nova York, de W. W. Shols

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 31/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Coronel Freyt, Ivan Ivanovitch Goratchim, Tako Kakuta, Homer G. Adams.
Espaço: Terceira Potência (Terrânia), EUA (Nova York), Planeta Vênus, Lua Titã.
Tempo: Agosto de 1982

Quarto, último e “mais fraco” livro de W. W. Shols para a saga de Perry Rhodan, O Imperador de Nova York dá uma pausa nos eventos ligados aos saltadores e traz a equipe central da Terceira Potência de volta à Terra. Inicialmente, a presença de Rhodan em Terrânia deveria ser apenas para a preparação de algo maior. Ele pretende voltar ao Planeta Peregrino e pedir para AQUILO uma arma com a qual possa lutar contra os saltadores. Mas o que era para ser uma passagem rápida em casa, torna-se uma verdadeira guerra que, apesar de ter bons momentos, parece grandiosa e cheia de implicações demais para desenvolver-se em pouco tempo. Isto não é novidade na série, convenhamos. Aconteceu na reta final da luta contra o Supercrânio (O Domínio do Hipno) e volta a aparecer aqui, agora com milhares de robôs agindo contra os terranos, obedecendo a uma programação dos saltadores.

O mistério em torno desses comerciantes galácticos vistos inicialmente em Cilada Cósmica funcionava bem diante da proposta de K. H. Scheer naquele livro, e um bom aumento de informações sobre eles surgiu para o leitor logo na sequência, em A Frota dos Saltadores. Contudo, em nenhum dos dois casos tivemos a indicação de que a mão desses vilões, na Terra, teria chegado a tantos lugares. É nesse ponto que reside o meu maior problema com o livro — até porque os outros pontos de que não gosto partem diretamente desse problema principal. De repente, todos os continentes do planeta possuem robôs com a memória alterada, e por serem robôs inteligentes e dotados de grande tática de guerra, fazem um tremendo estrago: inicialmente em Terrânia e depois em Nova York. Estas, aliás, são as únicas cidades que recebem atenção do texto, resolvendo toda a problemática em elipse e anunciando posteriormente que “a situação na Terra estava controlada“.

Na primeira parte do volume, o texto dá detalhes sobre a ação dos espiões saltadores nas semanas que antecederam o uso de Tiff como isca. Mas o leitor é levado a entender que o perigo está apenas em Terrânia, onde se dá uma épica batalha cujo início é muito melhor que o final. Em dado momento, fiquei me perguntando onde é que estava o explodidor Ivan Ivanovitch Goratchim (adoro o sobrenome dele!) e confesso que a explicação do por quê ele não foi usado não me convenceu. Primeiro: prova uma grande irresponsabilidade da equipe da Terceira Potência em não manter os dados atualizados. Se entrou um novo mutante na equipe, não era para ele estar no banco de dados do cérebro positrônico desde o primeiro dia? Segundo: se a principal máquina não tinha conhecimento de Ivan, Rhodan tinha. E é absolutamente impensável que ele não tenha sequer considerado Ivan para a batalha desde o primeiro momento. Claro que entendemos a intenção do autor em formar a frente de batalha com menos armas potentes, no início, mas é uma escolha-armadilha: depõe contra Rhodan e sua equipe.

O problema sério, entretanto, acontece quando Nova York entra na parada. O nome do livro destaca algo que, na verdade, tem pouquíssima importância para o enredo, visto que o tal robô-imperador é rapidamente morto e a ameaça à cidade é neutralizada com um pouco menos de dificuldade, se comparada a Terrânia. Como se não bastasse, os eventos nos EUA impulsionam a louca correria que encontramos nos atos finais do volume: a localização da estação transmissora na famosa Lua de Saturno; a partida para Vênus; o escanteamento de algo tão importante como um girino inimigo ter pousado no planeta onde está o cérebro positrônico mais potente do Sistema Solar e a preparação-relâmpago para o avanço até Peregrino.

O Imperador de Nova York é um livro-ponte entre o perrengue da Terceira Potência em Beta-Albírio e a busca por uma arma para dar vantagem aos terranos nesse perrengue. Como obra isolada, destaca-se pela boa batalha que ocorre em Terrânia e pelo suspense que consegue manter no decorrer de toda essa briga contra os robôs. Todavia, é um livro cheio de atos importantes acontecendo em elipse, com uma decisão final que nos faz questionar a ordem de Rhodan (o que custava ir atrás do girino em Vênus e exterminar de vez a ameaça inimiga? Com todos os recursos do cérebro positrônico, quanto tempo que isso demoraria? Uma hora, no máximo?) e um título que superestima a curta monarquia dos robôs em Nova York. O potencial era enorme e muitas situações até foram bem executadas, como a maioria das cenas de batalha, o trecho que mostra o imperador enviando uma carta para Homer G. Adams e alguns outros detalhes no meio do caminho, envolvendo os saltadores. O tempo de tratamento para esses eventos secundários somados a algo tão intenso como a guerra das máquinas inteligentes acabaram diminuindo a qualidade da obra como todo.

Numa ação maciça, as autoridades militares da Terra conseguiram remover a ameaça representada por seus próprios robôs, cuja programação foi alterada. Mas a Terra só poderá se defender contra todos os clãs dos saltadores se Perry Rhodan puder contar com uma nova arma. Essa arma lhe é dada durante seu VÔO PARA O INFINITO. 

Perry Rhodan – Livro 31: O Imperador de Nova York (Der Kaiser von New York) — Alemanha, 06 de abril de 1962
Autor: W. W. Shols
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
174 páginas

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