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Crítica | Perry Rhodan – Livro 32: Voo Para o Infinito, de Clark Darlton

por Kevin Rick
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 32/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Topthor, Grogham, AQUILO, cadete Redkens, Laar, Regoon, Gorat, Nex
Espaço: Peregrino, Bárcon
Tempo: Agosto de 1982

Em Voo Para o Infinito, depois de removerem a ameaça dos robôs em O Imperador de Nova York, Perry Rhodan e companhia retornam seus esforços para ir a Peregrino e pedir para AQUILO uma arma para combater os Saltadores, agora liderados pelo comodoro Topthor. O comerciante galáctico descendente dos arcônidas descobriu através de mensagens de rádio dos saltadores Orlgans e Etztak que Rhodan sabe onde fica o Planeta da Vida Eterna, decidindo seguir a Stardust-III para descobrir a localização do Peregrino e destruir a nave arcônida.

Assim como aconteceu no volume anterior, Vôo Para o Infinito se distancia de uma narrativa focada em um conflito direto com os Saltadores, mantendo os adversários da Terceira Potência em segundo plano até o ato final (que já falarei). Com o retorno de Perry à quinta dimensão, Clark Darlton temporariamente retoma o (ótimo) estilo narrativo com uma linha filosófica e espiritual que acompanha AQUILO, nos entregando uma aventura que apresenta para Perry uma pequena fração da eternidade, enquanto demonstra sua insignificância humana com boas doses de existencialismo e solidão.

No entanto, antes de explanar mais sobre a trama, é preciso pontuar que previamente ao encontro entre Rhodan e Bell com AQUILO, descobrimos (agora de forma expressa) que o protagonista da série viajou para Peregrino uma segunda vez após O Imortal, em busca do dispositivo que transformou Tiff em um chamariz cósmico. Transformando um evento dessa dimensão dentro da série em uma elipse, com um esclarecimento superficial, é uma escolha no mínimo bizarra por partes dos autores, tanto pensando de um aspecto de sentido narrativo quanto de lógica para os parâmetros científicos complexos da viagem.

Felizmente, a terceira viagem a Peregrino é muito bem desenvolvida em termos de risco (o problema temporal) e especificidade do qual a história é digna, a despeito de novamente se manter em um único volume, nos dando aquele gostinho de quero mais da leitura alegórica e espiritual que acompanha o personagem mais complexo da série. De início, o contato entre Perry e Bell com o Imortal tem uma leveza e humor irônicos que faz parte da personalidade recreativa de AQUILO, rendendo uma boa porção de comédia – ainda que note algumas piadas deslocadas com Bell no ato final, que tornam o clímax do livro um pouco anticlimático.

Além disso, há um bom humor em relação à maneira banal que AQUILO encara situações gigantescas da perspectiva do Perry, o que aumenta o nível de insignificância humana frente à eternidade que delineia a narrativa. É a partir de um desses momentos que se inicia a trama principal do volume, no qual acompanhamos AQUILO levar Perry em uma viagem pelo infinito para ajudar os Barcônidas, um povo que colonizou vários mundos antes de desligarem-se da atração gravitacional da Via Láctea, caindo num abismo cósmico distante de qualquer planeta ou estrelas. A viagem (ou voo, como o título expõe) até o planeta isolado é meu bloco favorito do volume, pois Darlton insere uma parcela de sequências metafóricas, até oníricas, em uma ótima descrição da perturbação de Perry frente a respostas que ele sequer conhece as perguntas.

Existe também um tratamento épico na prosa transcendental de Darlton, traçando caminhos de divindade, cientificismo e também bélicos. Curiosamente, o comportamento de AQUILO passa uma impressão de camaradagem, até um mestre eu diria, e não tanto de uma superioridade que vimos em O Imortal, trazendo outra camada messiânica ou pelo menos de sucessor ao arco de Rhodan – especialmente pontuada nos questionamentos de AQUILO sobre Perry ter absorvido o conhecimento dado. A facilidade com a qual AQUILO aceita demandas levanta mais algumas sobrancelhas, inclusive de Rhodan desconfiado com as circunstâncias, me deixando interessado nas motivações d’O Imortal.

As sequências com os barcônidas também deixam uma boa quantidade de dúvidas e uma porrada de desdobramentos para o futuro da série em relação ao possível reencontro de Rhodan com os descendentes (AQUILO o levou a um período temporal diferente no planeta). A trama com os barcônidas entrega uma abundância de detalhes para a mitologia da série, desde questões ancestrais até a colonização universal, mas vai de encontro com as temáticas do livro, se aprofundando em uma trágica história de solidão e da inescapável fragilidade humana, mas também com um bocado de otimismo e momentos de gentileza por parte de AQUILO que abrem sorrisos. Provavelmente a trama mais humanista de toda a série.

O final do livro nos traz de volta a “realidade”, em um desfecho de ação intercalado por piadas entre Bell e AQUILO que não funcionam de maneira orgânica, como havia pontuado. Apesar de rápido, a trama em Peregrino é extremamente bem condensada e preparatória, mas o ato final me soa deslocado e um desfecho um tantinho frustrante pensando no escopo da linha narrativa apresentada. Por outro lado, o impacto das armas recebidas, denominadas de transmissores fictícios – não tinha nome melhor? – adiciona (mais um) poder extremamente destrutivo à Terceira Potência, nos situando do embate entre a Stardust-III turbinada e os Saltadores, em específico Etztak, que ameaça destruir o planeta gelado onde se encontra os cadetes e Gucky. É um bom cliffhanger, mas confesso que gostaria de mais voos pelo infinito com um certo imortal irônico.

Ao contar seu Vôo Para o Infinito, Perry Rhodan oferece uma visão emocionante do passado e do futuro mais longínquo – e obteve dois transmissores fictícios. Esses transmissores fictícios são armas muito perigosas. Já foram utilizadas e voltarão a sê-lo, porque Etztak, patriarca dos saltadores, condenou um mundo à morte. MUNDO DE GELO EM CHAMAS, o novo e fascinantes volume da série Perry Rhodan, lhe dirá tudo a este respeito.

Perry Rhodan – Livro 32: Voo Para o Infinito (Ausflug in die Unendlichkeit) — Alemanha, 13 de abril de 1962
Autor: Clark Darlton
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
164 páginas

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