Home Diversos Crítica | Perry Rhodan – Livro 4: O Crepúsculo dos Deuses, de Clark Darlton

Crítica | Perry Rhodan – Livro 4: O Crepúsculo dos Deuses, de Clark Darlton

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 4/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Dr. Eric Manoli, Dr. Frank M. Haggard, Crest, Thora, Albrecht Klein, Li Shai-tung, Peter Kosnow, Allan D. Mercant, Ivan Kosselov, Mao Tsen e Tako Kakuta.
Espaço: China (Deserto de Gobi), EUA (Los Angeles), Sudão (El Obeid), Congo, Alemanha (Munique), Austrália.
Tempo: final de agosto a final de setembro de 1971

Minha primeira reação para este quarto volume da saga Perry Rhodan foi de estranheza. Após o enervante e incrível exercício de K. H. Scheer em A Abóbada Energética, é claro que uma aventura de consequências sociais e políticas se armaria na obra seguinte, indicando um contra-ataque pesado e também o andamento de possibilidades B, C e D vindo das potências mundiais para acabar com a utopia proposta por Rhodan e seus amigos da Terceira Potência. O que eu não esperava era que a indicação de algo sobrenatural que já experimentávamos com Allan D. Mercant fosse se tornar o foco da nova história, e justamente pela estranheza e deslocamento desse tipo de abordagem é que temos aqui o primeiro livro com um maior número de problemas de desenvolvimento da saga.

A justificativa criada por Clark Darlton para esses “novos humanos” que entram na história não é, todavia, sem sentido. A presença de Mercant foi uma antecipada porta aberta para esse tipo de coisa, ou seja, a existência de humanos mutantes na Terra, todos eles descendentes ou diretamente afetados (quando criança ou enquanto feto) por fontes de radiação. Assim, entende-se bem o princípio e justificativa encontrados pelo autor. Até mesmo a forma como a mutação é trabalhada aqui ganha um olhar mais normalizador, que cabe sem grandes problemas nesse Universo. O impasse é que a atenção maior que esses indivíduos encontram aqui e o encaminhamento apenas parcial para o arco deles torna o texto estranho, como se nos preparasse para algo grande… que acaba sendo entregue apenas em parte.

Outra coisa que ainda torna aceitável esses personagens mutantes aqui é que eles não vieram aos milhares. Mutações genéticas são muito comuns em humanos até mesmo no nosso Universo, não dando poderes para as pessoas (bom, pelo menos até onde a gente sabe, não é mesmo?) mas tornando esses indivíduos diferentes dos outros, em distintas camadas. Assim, não vejo por que a rejeição tão grande que alguns leitores possuem desses personagens aqui. Eles são em pequeno número e suas mutações são explicadas a contento dentro desse mundo. É verdade que a apresentação repentinamente focada e o encadeamento para os seus arcos estão aqui entre o confuso (caso do alemão Ernst Ellert, com sua capacidade de teletemporação, projetando seu espírito para o futuro) e o impreciso (caso do sudanês Ras Tschubai, teleportador), mas a existência e clara importância dessas personas é algo perfeitamente cabível.

Além dos já citados, vemos o autor trabalhar de forma interessante a jornada do telepata australiano John Marshall, o contato da Inteligência Americana com a telecinética Anne Sloane e a introdução rápida, mas eficaz, de outro teleportador, o japonês Taka Takuta, que acaba tendo um papel muito importante no desenrolar final daquilo que seria o “derradeiro contra-ataque” a Rhodan e sua Terceira Potência. No conjunto geral, O Crepúsculo dos Deuses segue com o trabalhar de aglutinação de personagens em torno do protagonista, seja como apoiador, seja como inimigo, e dá um bom passo na criação de uma sólida base da apoio (agora com mutantes!) para este sonho que está se erguendo.

O pequeno tamanho do livro certamente impede que novas tramas ou mesmo uma melhor exploração para os personagens aconteça (vide o caso dos mutantes), mas a despeito das limitações e tropeços por isso causado, a aventura avança consideravelmente, com o desmonte cada vez maior da mesquinharia bélica dos humanos e o possível estabelecimento de uma atividade diplomática da humanidade com a Terceira Potência — com direito até a uma saída de Rhodan para negociações com empresários, em Los Angeles. O sonho da permanente paz mundial e um revolucionário avanço da civilização na Terra está cada vez mais próximo de se tornar realidade.

A nave dos arcônidas, pousada na Lua, foi destruída num ataque de surpresa lançado pelas potências terrenas. Apesar disso, a base de Rhodan, montada no deserto de Gobi, mantém-se intacta sob a proteção da cúpula energética. E o fator decisivo é este. Só a Terceira Potência pode dominar a nova crise que teve origem com a destruição da nave dos arcônidas. Saiba como isso acontece, lendo o quinto episódio da série: ALARME GALÁCTICO

Perry Rhodan – Livro 4: O Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung) — Alemanha, 29 de setembro de 1961
Autor: Clark Darlton
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1975)
176 páginas

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