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Crítica | Perry Rhodan – Livro 5: Alarme Galático, de Kurt Mahr

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 5/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Tako Kakuta, Crest, Thora, Allan D. Mercant.
Espaço: Terceira Potência (Deserto de Gobi), Groenlândia, Petersburg (Virgínia, EUA), Lua.
Tempo: final de 1971

Aqui temos pela primeira vez um autor diferente dos criadores da série Perry Rhodan assumindo a escrita de uma das novelas da saga. Kurt Mahr fez parte do curso de Engenharia Civil e acabou mudando para a Física, disciplina na qual construiu uma carreia de sucesso, trabalhando inclusive no programa de viagens espaciais dos Estados Unidos, chegando a obter cidadania do país em 1968. Em PR, Mahr trabalhou como consultor científico e também como escritor, sendo Alarme Galático a sua interessante estreia na série, lidando inicialmente com a retirada das tropas da Federação Asiática que pretendiam destruir a Terceira Potência por um túnel abaixo do domo, e daí partindo para o primeiro grande passo para um verdadeiro andamento dos livros, em termos de preparação tecnológica e conquista do espaço.

Quando afirmo isso, não estou diminuindo ou escanteando de modo algum o trabalho feito em A Terceira Potência, A Abóbada Energética e O Crepúsculo dos Deuses, tríade de livros que trabalharam a dificuldade de diálogo entre as potências da Terra naquele momento e a proposta de Rhodan e seu território autônomo, protegido por tecnologia alienígena. Esses volumes foram importantes para melhor contextualizar o leitor no Universo da saga, oferecer a base para um trabalho futuro com a transformação da ordem social estabelecida (como vemos no presente título) e com a mentalidade de chefes de Estado e das massas frente à existência de vida inteligente fora da Terra — um conceito que nós, em nossa própria realidade, vamos lidando de forma cada vez mais… comum, por assim dizer. Todavia, o forte peso político desses conflitos fechava o campo de possibilidades dos membros da Terceira Potência, já que estavam confinados à cúpula, o que tornava qualquer plano mais ambicioso uma operação de cuidados extremos. Tudo isso muda aqui em Alarme Galático.

O estilo de escrita de Mahr é bastante lógico e ele consegue levar de maneira dinâmica os diferentes arcos da história, dando nuances de uma grande dificuldade no meio do livro, apresentando algo que mudaria por completo o status da Terceira Potência e focando o clímax da obra em um inesperado enfrentamento, com resultados imediatos para Rhodan e seus amigos, resultando no maior passo para que a Terra começasse a se preparar para a verdadeira conquista do espaço, uma imagem e situação políticas muito bonita, mas que eu acredito que ainda terá uma boa quantidade de reveses adiante, já que certas decisões e atores políticos nem sempre estão satisfeitos com um acordo de paz ou com as promessas de ganhos que podem ter. Vale também destacar que o lado econômico e industrial ganha interessante abordagem na primeira parte do livro, mostrando que uma parcela dos setores de produção americanos era composta por indivíduos que simpatizavam com a causa de união e liberdade defendida por Rhodan.

O fato é que parece que estamos lendo três contos que se passam no mesmo Universo. Na primeira parte, acompanhamos a missão de Tako e temos uma linha de ação bem modulada, que se repete parcialmente na visita de Rhodan à base da Groenlândia, para uma conferência com Mercant. A primeira impressão que temos é que o livro irá se desenvolver a partir dessa tentativa de conseguir materiais para construir uma nave, mas as coisas rapidamente mudam de rumo. No segundo bloco de desenvolvimento, o autor estabelece o que de fato se torna o motivo de ‘alarme galático’, fazendo-nos temer e odiar Thora ainda mais um pouco, o que é algo interessante, pois mantém essa personagem difícil e perigosa cercando os mocinhos, apresentando grandes e inesperadas dificuldades, além de mostrar o quanto ela é uma das mais interessantes personagens da saga até o momento.

Essa relação de perigo diante da presença de Thora começa a ganhar verdadeiro corpo na primeira viagem que fazem à Lua, para tentar coletar o material que sobrou da destruída nave dos arcônidas. O leitor não pode deixar de se preocupar com o tempo que Perry e Bell ficam desacordados, recebendo o restante de seu treinamento hipnótico, para o mais profundo desprazer de Thora. Assim que explora ao máximo os eventos desses dois grandes atos, o autor nos convida a uma revisão de tudo aquilo que vimos até então, numa irônica repetição do ciclo de união das potências para derrotar um inimigo em comum. A ideia para a passagem ao ato final é boa, mas a sua execução sofre alguns problemas quando pensamos no corte meio abrupto e nas rápidas resoluções ou ações suspensas criadas para dar lugar às consequência de um outro evento: uma vindoura invasão alienígena.

É neste último ato que o autor delineia de modo mais forte uma porção de conceitos da Física, especialmente quando descreve o processo de viagem em grandes velocidades, como as que temos representadas aqui. Confesso que nem toda a descrição foi interessante ou muito clara, mas o ponto positivo desse tratamento é que ficamos com menos perguntas a respeito da chegada das naves de uma beligerante espécie e a narração do combate + as suas consequências fecham o volume com chave de ouro, validando com um pouco de bom humor e uma grande dose de esperança a promessa de um mundo melhor, além de abrir a possibilidade de um novo ataque externo, o que coloca a Terra na mira de inimigos aliens antes mesmo de dominar a conquista do espaço. Um verdadeiro batismo de fogo e a peça que faltava para a validação oficial da Terceira Potência. Começa então um novo momento da História da Terra.

A primeira invasão foi rechaçada. O alarme nuclear pode ser suspenso, mas é muito provável que os sinais automáticos de emergência emitidos pelo cruzador destroçado dos arcônidas sejam captados por outros invasores potenciais. Perry Rhodan sabe disso e está empenhado na formação de uma poderosa força de combate. No próximo volume da coleção […], O EXÉRCITO DE MUTANTES, saberemos tudo sobre a composição dessa tropa e seu extraordinário potencial.

Perry Rhodan – Livro 5: Alarme Galático (Atom-Alarm) — Alemanha, 06 de outubro de 1961
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
110 páginas

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