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Crítica | Perry Rhodan – Livro 57: O Atentado, de Kurt Mahr

Matar Rhodan! Duas facções políticas da Terra querem a morte do Administrador do Império Solar.

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 2: Atlan e Árcon — Episódio: 57/99
Principais personagens: Perry Rhodan, Horace O. Mullon, Fraudy Nicholson, Walter S. Hollander, Kommodore Flagellan, O’Bannon, Milligan
Espaço: Planeta Terra e Planeta Fera Cinzenta
Tempo: Segundo semestre de 2040

Enquanto Os Mortos Vivem serviu, em essência, para trazer Rhodan e a Terra novamente ao radar da Via Láctea, O Atentado serve provavelmente a um propósito misterioso e vindouro na saga, por isso, não traz acontecimentos que lhe dê forças o bastante para se manter interessante além de seu início e de seu fim. No livro anterior, eu chamei a atenção para o fato de Clark Darlton elencar problemas relacionados à colonização da Terra a outros planetas, em uma análise crítica, de espelho social, refletindo aquilo que as metrópoles europeias fizeram em praticamente todo o mundo. Em O Atentado, Kurt Mahr pegou um aspecto desse problema no Universo da série e o politizou, fazendo com que duas organizações — os Filósofos da Natureza e os Democratas Autênticos — preparassem um ataque que deveria matar Perry Rhodan, a quem chamavam de “ditador”.

A primeira parte da trama se passa em território conhecido, afunilando-se para Terrânea, onde o assassinato deveria acontecer. Nesse primeiro momento, o leitor está curioso, então a narrativa de Kurt Mahr tem peso, já que apresenta algumas novidades e coloca o líder do Império Solar em perigo. O mistério envolvendo Mullon tem as aparências de obras de espionagem ou de “agentes-assassinos especiais“, garantindo algumas páginas de bastante tensão. Até os primeiros momentos de Hollander em cena são bons, porque ele é alguém que desgostamos, e isso cria uma antipatia que vai evoluindo para os piores sentimentos possíveis em relação ao personagem, tornando-o um bom antagonista maniqueísta. Em termos de criação de algo novo, a primeira parte desse livro cumpre o que promete dentro de uma normalidade de escrita, sem muita fineza, mas com qualidade o bastante para segurar o leitor. O problema ocorre quando o atentado revela-se apenas uma desculpa inicial para mover a história até outro lugar.

A gente já conhece os enredos em que um escritor frustra a expectativa do público tirando de cena algo que, inicialmente, parecia ser o principal; levando a história para um outro caminho. Talvez o enredo mais famoso em que isso acontece de maneira exemplar é o de Psicose (1960). Aqui em O Atentado, somos levados a assumir, desde o título, que a tragédia será o grande tema do livro. Mas não. Ela ocupa pouco menos que a metade da obra, enquanto todo o seu desenvolvimento é dedicado à viagem que os dois grupos exilados da Terra fariam até Rigel III, onde deveriam começar uma nova civilização, sem cidadania ou contato com o planeta Terra. A briga por poder entre os grupo de Mullon e Hollander é a tônica de metade do livro, e boa parte das descrições de enfrentamento entre esses grupos e os problemas enfrentados ao longo da viagem (principalmente a terrível enrolação perto da transição suicida que Hollander orquestra) é quase totalmente desprovido de coisas que nos mantenham interessados.

Eu só voltei a apreciar a leitura — e ainda assim, passando por cima de resoluções abruptas e descrições de inúmeras conveniências — nas últimas páginas, após a queda da nave no providencial planeta Fera Cinzenta. O processo de colonização ali me lembrou um pouco o de Vênus, com a diferença de que os presentes indivíduos não estão mais ligados à Terra. Bem, pelo menos por enquanto. O último capítulo deixa o leitor confuso quanto a isso. Há um infiltrado de Rhodan em meio aos colonos e uma nave do Império Solar ali perto, acompanhando todo o processo. Para quê? Há algum plano de Rhodan para esse grupo que a justiça terrana acabou de exilar? A maneira como Kurt Mahr finaliza o livro dá a entender que eles terão ligação com algo importante da série, e o parágrafo de ligação com o livro seguinte reforça isso. Mas se for o caso, então toda a luta desse volume foi em vão? E uma pergunta que não quer calar: Rhodan foi muito bonzinho para com esses exilados, não foi? A quantidade de coisas que ele simplesmente deu para os traidores me impressionou. Foi bondade demais para com conspiradores, ameaçadores da paz na Terra e assassinos. A meu ver, não mereciam nada além do básico para tentarem sobreviver em outro planeta.      

Num Estado altamente civilizado como o Império Solar, a pena de morte deixou de existir. Os autores do atentado foram banidos da Terra e perderam a cidadania terrana. Assim, transformaram-se em colonos interestelares. Será que os 8 mil banidos conseguirão sobreviver?

Perry Rhodan – Livro 57: O Atentado (Die Attentäter) — Alemanha, 5 de outubro de 1962
Autor: Kurt Mahr
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1977)
170 páginas

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