Home FilmesCríticas Crítica | Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2

Crítica | Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2

por Gabriel Carvalho
340 views (a partir de agosto de 2020)

“Eu não quero ir ao veterinário!”

O que os nossos queridos animais de estimação aprontam quando estamos longe de casa ou não prestamos atenção? Os seus rabos continuam a balançar, permanecem esperando ao pé da porta de entrada ou então vivenciam grandes aventuras? Logo as respostas mais assustadores a essa pergunta eram as encontradas por Pets: A Vida Secreta dos Bichos. Porém, mesmo com as tantas maluquices apresentadas, tal primeiro exemplar da franquia ao menos começava com um pontapé bem mais pé no chão. Lá, o cachorrinho Max (Patton Oswalt, que nessa sequência ocupa o espaço de Louis C.K.) precisava aprender a conviver com o novo pet de sua dona, Duke (Eric Stonestreet). Assim sendo, a animação original possuía uma proposta aos arcos dos seus personagens que conversava com um argumento concreto: compreender os animais e até os seus sentimentos. Os personagens coadjuvantes, por sua vez, surgiam paralelamente a essa trama, que era a primordial. Já a continuação desse longa-metragem prefere, em contrapartida, sedimentar a sua narrativa em vários núcleos e que nunca nem conversam entre si. Tamanha essa cachorrada, a animação torna-se, consequentemente, esquizofrênica em poucos minutos. Como se o seu responsável, o cineasta Chris Renauld, chegasse em casa, e, sem controle algum, o seu longa não parasse mais de correr.

O protagonista, Max, tem que confrontar as suas próprias inseguranças, enquanto aprende a ser mais corajoso com os conselhos de Galo (Harrison Ford), cão-pastor de um rancho onde encontra-se passando férias com Duke e seus humanos. Gidget (Jenny Slate) entra em um processo para ter as noções de como se comportar como um gato, querendo recuperar o brinquedo preferido de Max, mas que perdeu por ser previsivelmente incompetente. Paralelamente a isso, o coelho branco Bola-de-Neve (Kevin Hart) encarna um super-herói mascarado, vivendo essa sua imaginação com tanta verdade que parece ter tomado algum chá no País das Maravilhas. Em contrapartida, uma nova personagem apresentada, Daisy (Tiffany Haddish), quer ajudar um tigre selvagem, vítima de maus tratos por Sergei (Nick Kroll), artista circense que é um antagonista maquiavélico – e que não poderia ser mais caricato. Assim, com essa bicharada aprontando tanto ao mesmo tempo, o longa-metragem parece não ter uma premissa particular. Em termos de arco, por exemplo, apenas Max possui um. O resto vai acontecendo. E assim continua, pois essas tramas somente se unem aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo por pura conveniência. Pelo menos, desta maneira, a animação assume uma proposta por ser descartável e, sem pretensões, entreter passageiramente.

Os minutos inicias da obra, porém, traziam um pensamento interessante, com a introdução de uma criança na casa de Max e Duke. O longa principia: a vinda de um bebê urge transformar como se organiza um lar. O modo como isso é resolvido, entretanto, garante comparações com Toy Story. O projeto anterior, primeiramente, tinha uma premissa extremamente parecida com a do clássico do cinema. Já dessa vez, a sua sequência ganhou um lançamento a poucas semanas do quarto exemplar da saga de brinquedos. Mas, enquanto outros usariam o cerne sobre o menino para construir narrativa, pensando as incertezas dos animais no mundo, tal animação opta pelo oposto. O começo é bem apressado, e a criança é prontamente esquecida. Esse vínculo, no entanto, é covardemente retomado na cena que conclui o longa, como se concretizasse qualquer mensagem. O arco de Max até tem certa conexão com a presença do garoto, que o cachorro quer proteger de perigos. Contudo, o relacionamento torna-se impessoal, porque a narrativa sustenta os medos de Max, e a sua chance de provar-se, em um escopo vago. Quem precisa ser resgatado é o tigre, não a criança. Então, o resultado soa piegas, o que surpreende, pois isso contraria o projeto, que nas outras tramas era sincero consigo mesmo, assumindo ser vazio em como explorava esse universo.

Ao passo que a conclusão sugere uma prepotência, o restante mostra o contrário: entretenimento sem compromissos, que atrai por suas cores e energia ininterrupta. O público a quem a animação mira é o mais jovem e, em termos de crianças, a Illumination é mestre em os cativar. Mesmo que as esquetes sejam desconexas – e não apenas narrativamente, o que seria compreensível, mas gratuitas para criarem unidade -, o resultado empolga modestamente. Querendo ser uma gata para resgatar o brinquedo de Max – premissa sem razão nenhuma para ser, porque ninguém precisa, teoricamente, cuidar de um pato de borracha -, a trama de Gidget é competente, por exemplo. Os roteiristas encontram nos inúmeros arquétipos de tais animais, próprios em características, jeitos de os explorar criativamente. Enquanto a franquia de brinquedos nos simpatizaria com a espécie, esse longa preocupa-se mais em sacanear os sensos comuns. Mesmo raso, assim entretém. Dentre as sacadas cômicas, a ranzinza Chloe (Lake Bell), uma personagem composta por uma nota só, permanece a única com um ânus que se aparenta ocasionalmente. Ora, a “sagacidade” nessa piada mora em associar gatos por serem bundões – troque, se quiser, esse xingamento por sua versão mais madura. É o que resta, enquanto a obra não cansar de correr e enfim se encerrar.

Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2 (The Secret Life of Pets 2) – EUA, 2019
Direção: Chris Renauld
Roteiro: Brian Lynch
Elenco: Patton Oswalt, Eric Stonestreet, Kevin Hart, Jenny Slate, Ellie Kemper, Lake Bell, Dana Carvey, Hannibal Buress, Bobby Moynihan, Tiffany Haddish, Nick Kroll, Pete Holmes, Harrison Ford, Sean Giambrone, Meredith Salenger
Duração: 86 min.

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23 comentários

clay alvez 1 de julho de 2019 - 15:27

NÃO DEIXEM ELE FAZER A CRITICA DE REI LEÃO (ksksksks)

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planocritico 1 de julho de 2019 - 16:44

Ele já pediu para fazer. Não tem mais jeito!

Abs,
Ritter.

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Henrique Valle 1 de julho de 2019 - 12:02

Seria melhor ter visto o Floquinho em Turma da Mônica – Laços.

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Leonardo Lima 1 de julho de 2019 - 10:09

Ontem tive a “sorte” de levar a minha filha de 8 anos pra assistir esse filme. E se já não tivesse achado o 1º bem méh, achei este mais ainda. E pelo jeito minha filha tb achou, já que do meio do filme pra frente, após acabar a pipoca dela, ela não parava mais quieta na cadeira, como se o filme a estivesse entediando. Filme pra ir direto pro Netflix e olhe lá.

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Diário de Rorschach 1 de julho de 2019 - 08:59

O primeiro nem era grande coisa, completamente desnecessário fazer uma continuação

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Vinicius S Pereira 30 de junho de 2019 - 22:12

A gente já entendeu que o Gabriel não tem salvação…

MANTENHAM REI LEÃO LONGE DESSE CRÁPULA!

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Acepipe Santi🐂GADO, O PARCIAL 30 de junho de 2019 - 22:12

@disqus_HrYi9xZvdi:disqus é o fim da linha pra você, seu anti-bicho!

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Bem cara de ser três estrelas esse aí.

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Acepipe Santi🐂GADO, O PARCIAL 30 de junho de 2019 - 21:47

Gente, ela apagou, mas é um comentário pérola demais para se perder nas brumas do tempo. Dona Rita acabou de me mandar um fax do resgate desse comentário que mais parece uma teoria da conspiração.

Doa criadores de “A Terra é Plana” e “Vacina Faz Mal“, vem aí… o comentário abaixo.

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Meu SENHOR. Mas isso é muito bom!!

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Jafia 30 de junho de 2019 - 15:54

Não indicaria para o público alvo infantil.
Tudo pode qdo seus ” donos”, não estão por perto.
E Qdo retornam, tudo parecem estar bem. Será que seria uma forma de estimular a mentira aos seus donos?
Como também verifiquei vários tópicos no filme da qual particularmente repudiou_me.
Vale salientar que o público infantil, se espelham se não forem orientado , no mundo de fantasias.
Para encerar, com direito de expressão, faço uso como exemplo de frases de Jean Paul Sartre.
” O homem nasce livre responsável e sem culpas”
” O homem é bom por natureza é a sociedade que o corrompe”

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Artur Montenegro 30 de junho de 2019 - 18:56

gente?

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GENIO PLAYBOY E SAFADÃO VOLTOU 30 de junho de 2019 - 19:04

Te repudiou? Tipo quais?

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Acepipe Santi🐂GADO, O PARCIAL 30 de junho de 2019 - 14:29

Alguma surpresa que Gabriel tenha dado 2 estrelas pra filme com animal?

Spoilers: nenhuma!

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Isso é uma conspiração da bicharada.

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Wagner 30 de junho de 2019 - 13:58

Hmm…
Nada novo sob o Sol

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Perdoe-me.

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Elessar 30 de junho de 2019 - 10:31

Só pode ser ironia essa crítica ficar com o Gabriel!!!!
De qualquer forma assisti ao primeiro e achei bem fraco, a premissa de que seria como “Toy Story” com os animais de estimação seria interessante, mas pra mim, passou bem longe, a qualidade de ambos não se compara.
Enfim, valeu pela crítica, pois, mesmo curtindo muito animações, continuo não animado pra conferir essa.
Mas…pensando melhor…ao considerar o “afeto” do autor da crítica pelos animais, quem sabe?
Hahahahahahahahaha

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Acepipe Santi🐂GADO, O PARCIAL 30 de junho de 2019 - 14:29

A gente fica dando chance pra ele, mas ele não toma jeito.

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Quando chegar nas mídias digitais, vale conferir como pano de fundo, enquanto está fazendo algo mais importante.

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ABC 30 de junho de 2019 - 09:50

Ele não para. Já é um caso perdido.

Espero que não ponham o Gabriel pra fazer a critica de Free Willy.

Saudações.

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 22:19

Especial Animais é comigo mesmo!

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Gabriel Carvalho 30 de junho de 2019 - 09:41

Gente… agora não tenho mais explicações não.

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