Crítica | Pi

estrelas 3,5

Estreia delirante de Darren Aronofsky em um longa-metragem, Pi é uma viagem pelo mundo dos números e pela mente perturbada de um gênio.

O filme é composto por sequências eficientes de agonia e loucura, mas também reserva fartas doses de estesia sustentada por uma edição insuportavelmente rápida e por um tsunami narrativo na ligação das sequências que por pouco não compromete o roteiro. Na verdade, o alarde feito em relação à película me parece matéria de rala cinefilia. O filme é bom, mas não é a revelação do século e nem é tão inovador assim.

As características de Aronofsky já despontavam nesse trabalho, que apesar de ser genial em se tratando de primeiro filme, também tem seus pontos ruins no roteiro – especialmente a partir do momento em que as pessoas passam a procurar e cobrar os cálculos estatísticos de Max –, e como já disse, na edição, que é de fato muito criativa, mas sou daqueles que defende ao menos um momento de distensão na trama (qualquer trama) para que o espectador possa pensar, abstrair e respirar um pouco, e isso, em um filme matemático, seria essencial, coisa que jamais acontece aqui.

Mesmo assim, Pi é uma obra que nos prende do começo ao fim. A narrativa densa faz a pequena duração da obra parecer maior do que realmente é, tamanha a força e o número de informações trabalhados em tão pouco espaço de tempo. O final, no entanto, consegue “estragar” o filme – mas é preciso ver para entender essa afirmação, embora ela seja absolutamente subjetiva.

A despeito de todas essas ressalvas, Pi é um filme que segue um caminho diferente daqueles que querem o grande mercado americano e, só por isso, merece o reconhecimento que tem. É um filme para ser melhor conhecido e apreciado, mas também é daqueles que pouquíssimos gostarão.

*Publicado originalmente em 24 de fevereiro de 2014.

Pi (EUA, 1998)
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky, Sean Gullette, Eric Watson
Elenco: Sean Gullette, Mark Margolis, Ben Shenkman, Pamela Hart, Stephen Pearlman, Samia Shoaib, Ajay Naidu, Lauren Fox
Duração: 84min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.