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Crítica | Piranha 2 (Piranha 3DD)

por Leonardo Campos
342 views (a partir de agosto de 2020)

Depois do inevitável sucesso de Piranha 3D, uma continuação era quase certa. Não demorou muito para o elenco e a equipe técnica ser escalada, num projeto intitulado Piranha 3DD, referência ao tamanho grande de determinadas peças do vestuário feminino, algo ligado ao anseio dos estadunidenses pelos seios, versão da bunda brasileira, a tal paixão nacional por aqui. O duplo D, no entanto, não se refere apenas ao excesso de seios turbinados, captados pela direção de fotografia de Alex Lehman, focada na objetificação consentida do corpo feminino nesta história dez vezes mais exagerada que o filme antecessor. A referência também se estabelece diante das mortes ainda mais sangrentas, das situações sexuais envoltas em acontecimentos absurdos, tal como uma piranha que sai do interior de uma jovem e fica grudada no pênis de seu parceiro sexual, além da ferocidade ainda maior das criaturas aquáticas que ao contrário do que se imaginava, conseguiram perpetuar a espécie e voltaram para o ataque com ainda mais sede e falta de bom-senso, agarrando a seios, bundas, vaginas, pênis, etc.

É um soft pornô mesclado com as habituais comédias juvenis estadunidenses, elementos subsidiados pelos traços básicos do horror ecológico posterior ao advento de Tubarão, isto é, jovens incautos, uma ameaça animal, pessoas estúpidas e imbecis, comportamentos perigosos, empreendedores sedentos pelo lucro e um desastre de grandes proporções, até o desfecho de enfrentamento entre os heróis da história e os antagonistas, neste caso, as piranhas dadas como extintas, mas que escaparam de um bolsão de água abaixo da crosta do lago Victoria, após um terremoto. Elas continuam ativas e agora chegam ao novo parque aquático próximo da região, comandado por um homem inescrupuloso, detentor de 51% da sociedade do empreendimento, ao contrário de sua enteada boazinha, com seus 49% que não podem mudar as decisões malucas do padrasto, mesmo quando ela anuncia que há o risco de haver um ataque de piranhas. Toda a situação dramática, desenvolvida por Patrick Melton, Marcus Dunstan e Joel Soisson, é desenvolvida de qualquer jeito, sendo Piranha 2 uma experiência exclusivamente visual, sem qualquer bom-senso em seu texto, em especial, seus personagens ruins.

Ao longo de 83 minutos, acompanhamos a trajetória de horror cômico, dirigida por John Gulager, o responsável pelo espetáculo de seios, sexo, sangue e mortes violentas. A produção começa um ano após os acontecimentos no lago. O festival da primavera, acontecimento anual que sacolejava a economia local, terminou em muito sangue, memória que as pessoas pretendem esquecer, com foco agora no Big Wet, empreendimento que pretende dar uma nova cara ao turismo do Arizona. A atração está prestes a ser inaugurada e junto aos festejos, temos a indesejada chegada das piranhas assassinas. Maddy (Danielle Panabaker) lidera o elenco como a tal enteada que divide a sociedade do parque aquático que em questão de instantes, muda da cristalinidade de suas águas tratadas por cloro para um poço repleto de sangue e vísceras. Seu sócio, interpretado por David Koechner no modo “canastrice aguda”, contratou strippers aquáticas, criou a piscina adulta, algo para dar inveja aos quatro cantos da Mansão Playboy de Hugh Hefner, dentre outros itens para justificar o uso exagerado de CGI, elemento supervisionado por Jeff Lietz, dos efeitos visuais, setor em consonância com todos os setores, do design de produção de Ermanno Di Febo-Orsini ao design de som da equipe de Trip Brock.

O biólogo excêntrico, interpretado por Christopher Lloyd está de volta, as piranhas encerram o seu arco com a possibilidade de se rastejar e talvez andar, o policial Fallon (Ving Rhames) continua vivo, mas sem as pernas, agora projetáveis para as suas armas (assista e entenda) e David Hasselhoff é a grande atração para as piadas da história, voltadas ao legado da série SOS Malibu. Lançado em 2012, a franquia Piranha ganhou novos rumos e possui um projeto em aberto desde 2018, com programação para ser desenvolvido no Japão. Até então, nenhuma notícia além das artes conceituais divulgadas há mais de dois anos. É aguardar. Ademais, se for para voltar, precisamos ver as criaturas aquáticas com humor, mas não é preciso abusar tanto da inteligência do espectador, com diálogos absurdamente ruins e personagens que pouco nos importamos, tal como fizeram com Piranha 2, um grandioso espetáculo do ridículo, com brevíssimos momentos divertidos, narrativa mais preocupada em chocar com órgãos genitais e afins, menor inclusive em sua trilha sonora, assinada desta vez por Elia Amiral.

Piranha 2 (Piranha 3DD) — EUA, 2012
Direção:
 John Gulager
Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan, Joel Soisson
Elenco: Danielle Panabaker, Ving Rhames, David Hasselhoff, Matt Bush, Katrina Bowden, Jean-Luc Bilodeau, David Koechner, Christopher Lloyd
Duração: 83 min.

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3 comentários

Lucas Maia 8 de julho de 2017 - 22:41

Só pra constar, ainda não vi esse filme (e nem pretendo, só vi o primeiro). Mas lendo a crítica, vi que você citou Planeta Terror e, por não ser um link, acho que não tem crítica do dito cujo aqui. Venho encarecidamente pedir uma crítica do mesmo no Sábado de Sangue, pois Planeta Terror é um dos meus filmes favoritos da vida..

Obrigado e parabéns pelo site!

Ps: Eu gostei muuuuuito do Piranha 3D!!

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 8 de julho de 2017 - 22:40

Você vê que o site chegou o fundo do poço quando um dos editores fica fazendo críticas das SUAS PRÓPRIAS CINE-BIOGRAFIAS e dando nota baixa… Meu Deus…

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GENIO PLAYBOY E SAFADÃO VOLTOU 8 de julho de 2017 - 22:47

É… já deviam acabar com essa porcaria, site lixo.

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