Home FilmesCríticas Crítica | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

Crítica | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

por Guilherme Coral
366 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2

A franquia Piratas do Caribe, desde o primeiro filme, sempre fora lucrativa para a Disney, mesmo considerando seus altos valores de produção. Evidente que esse sucesso nas bilheterias acabaria gerando sequências e mais sequências, até o público não aguentar mais ver o capitão Jack Sparrow (e muitos já não aguentam). Seis anos após Navegando em Águas Misteriosas, ganhamos mais uma continuação da série, A Vingança de Salazar, que, pela primeira vez na franquia, não tem Ted Elliott e Terry Rossio no roteiro. A grande questão que nos acompanha enquanto assistimos a obra é: Jack já não deveria ter pendurado seu chapéu? Certamente que sim.

A trama se passa alguns anos depois dos eventos do quarto filme e Jack (Johnny Depp) novamente se encontra sem navio e sem tripulação, apenas com a miniatura do Pérola Negra e, claro, sua bússola que não aponta para o Norte. No fundo do poço, sem um tostão, Sparrow acaba entregando sua bússola como pagamento por rum. Mal sabia ele que isso libertaria o capitão Salazar (Javier Bardem), um antigo caçador espanhol de piratas, que acreditavam estar morto. Com a ajuda de Henry Turner (Brenton Thwaites) e Carina Smyth (Kaya Scodelario), Jack precisa encontrar o Tridente de Poseidon, capaz de quebrar todas as maldições do mar, salvando-o, portanto, de Salazar.

Um dos aspectos que garantem a identidade da franquia Piratas do Caribe, é como as velhas lendas do mar são utilizadas a fim de compor esse universo que mistura a fantasia com a realidade. Vimos isso com Davy Jones, a Fonte da Juventude, o Kraken, dentre diversos outros elementos. A Vingança de Salazar, contudo, soa como o capítulo que menos acrescenta nesse sentido, ainda que ofereça um olhar sobre o passado de Jack e resolva o futuro de outros. O Tridente de Poseidon é algo que jamais é verdadeiramente trabalhado e apenas devemos aceitar o que ele faz, similarmente ao navio mágico de Barba Negra no filme anterior.

Esse, contudo, está longe de ser o maior dos problemas desse longa-metragem. O que realmente dificulta nossa imersão é a constatação de que estamos diante de uma cópia descarada de A Maldição do Pérola Negra. Vejamos: temos um velho inimigo de Jack que retorna, um casal que demora a demonstrar o que realmente querem, maldições a serem quebradas, um oficial da coroa britânica perseguindo os piratas e uma tripulação de pessoas que não estão mortas nem vivas. Se o filme fosse uma releitura ou remake, até poderíamos perdoar tal aspecto (e criticaríamos a necessidade de tal remake, claro), o problema é que se trata de uma continuação com os mesmos personagens e o que vemos aqui é uma versão do primeiro filme sem o brilho original.

Já falando na ausência de brilho, aquele que certamente se perdeu no meio do caminho foi o próprio Johnny Depp, que definitivamente não conseguiu resgatar o espírito de Sparrow. Depp nos entrega uma atuação extremamente exagerada – sim, Jack sempre foi o excesso em pessoa, mas havia uma harmonia entre sua personalidade estranha, trejeitos, com o seu lado mais “pensante”. Isso se perde aqui, ao passo que o ator faz uma voz de bêbado exagerada em todos os momentos e Jack passa do malandro para o alcoólatra que desperdiçou sua vida sentado no bar. O mesmo se estende para Geoffrey Rush, que demonstra já um cansaço de viver o mesmo personagem, que outrora representava um dos pontos altos da franquia. Somente Javier Bardem parece se entregar um pouco mais, trazendo a dose certa de overacting tão comum aos vilões da série.

Outro aspecto que prejudica nossa imersão, é a quantidade de sequências e focos desnecessários. Para começar, toda a relação entre Henry e Carina não consegue nos convencer nem um pouco e fica claro que eles estão ali apenas para repetir a dinâmica de Will e Elizabeth, algo que jamais ocorre, claro. Fora isso, temos um foco completamente dispensável e que não afeta a narrativa em absolutamente nada em um oficial da coroa, interpretado por David Wenham, que certamente é desperdiçado nesse filme. Chega a ser ridículo como toda a questão que envolve esse personagem é resolvida em instantes, sem mais nem menos.

Ao menos o desenho de produção continua como um dos pontos altos da série, junto dos excelentes efeitos especiais, especialmente o usados para construir Salazar e sua tripulação, os quais perfeitamente simbolizam a morte em si. Além disso, tivemos mais um exemplo do rejuvenescimento facial realizado pela Disney, que acerta em cheio no jovem Jack Sparrow, o qual, ironicamente, é melhor do que o velho nesse filme.

A Vingança de Salazar pode ter seu alto valor de produção, o que não justifica o nada original roteiro de Jeff Nathanson, que apenas repete a mesma fórmula do primeiro filme, sem acrescentar praticamente nada para a franquia. Com um Jack Sparrow mais exagerado que o normal, uma trama repleta de elementos desnecessários e personagens que não nos convencem, essa obra mostra, de uma vez por todas, que Jack já deveria ter pendurado seu chapéu, enterrando a franquia Piratas do Caribe, que já deu o que tinha que dar.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales) — EUA, 2017
Direção: Joachim Rønning, Espen Sandberg
Roteiro: Jeff Nathanson
Elenco: Johnny Depp, Javier Bardem, Geoffrey Rush,  Brenton Thwaites, Kaya Scodelario, Kevin McNally,  Golshifteh Farahani, David Wenham,  Stephen Graham, Orlando Bloom, Keira Knightley, Paul McCartney
Duração: 129 min.

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50 comentários

@egonhabel 14 de abril de 2020 - 02:10

Realmente a franquia decaiu muito. Esse último filme foi todo picotado, corrido e sem emoção. Mas discordo quando diz que a franquia já deu o que tinha que dar. O universo de Piratas do Caribe é incrivelmente grande, podendo ser comparado com de Harry Potter, Star Wars e GoT. O que se deve fazer sim é olhar pra outra direção, outro momento dentro do universo. Um Spin off.

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Nicolas Dias 18 de março de 2020 - 15:04

Após três anos adiando essa decepção, finalmente acabei cedendo. Eu gosto da trilogia original, mas ela acabou se tornando o pior tipo de blockbuster caça niquel, claro que toda franquia de múltiplas sequências tem um “quê” de caça niquel, mas isso não significa ser tecnicamente desleixada e visar apenas a bilheteria. Ao invés de expandir o universo da franquia, e trazer algo novo, o objetivo desse filme é fazer justamente o inverso, na maior cara de pau eles inventam qualquer coisa que se prolongue por duas horas para dar um restart na franquia, ou seja, desfazer as conclusões do terceiro filme e trazer de volta Orlando Bloom, Keira Knightley e Davy Jones. No fim, esse 5° filme apresenta várias ideias jogadas que não se articulam: tridente, filha do Barbosa, filho do Will,a maldição do Salazar que não tem explicação.
Tudo o que deu certo no primeiro filme foi duplicado no segundo, triplicado no terceiro e assim por diante, agora chegamos no ápice desse exagero, com o estúdio desfazendo a conclusão dos coadjuvantes para trazê-los de volta.

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Haniel 27 de janeiro de 2018 - 14:55

Eu amava Piratas do Caribe. Estou muito triste que eles acabaram com toda a mitologia da franquia, e nos entregaram um presente de grego. Eu amo a primeira trilogia, mas essa segunda tá muito ‘bleh’.

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samuelramos 26 de setembro de 2017 - 01:29

É uma pena esse filme ser tão fraco. Eu gosto muito da trilogia (mesmo com seus altos e baixos). O da vez é apagado, o boy é sem sal e a garota se leva a sério demais. Sobre a fórmula, realmente foi cara-de-pau, pois parecia que o casal original estaria de volta, mas nada acrescentam a trama. Sobre o Jack, ele perdeu toda a graça e o Barbossa passou o filme todo se pergunatndo “o que eu tô fazendo aqui?”. O Salazar ficou legal, pelo menos. Apesar de ser o mais curto da franquia, esse filme cansa, seja pelos excessos ou pelas piadas forçadas. Lamentável.

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Davi 11 de junho de 2017 - 15:25

Eu acho que o Jack bêbado foi uma diferença bacana pros outros filmes. Aqui ele está realmente acabado, pra baixo. Em muitos momentos dos outros ele se mostrava bêbado, mas aqui ele é um e está tentando voltar ao normal.
E isso meio que só acontece no final. Claro, não é como se tivessemos tido um desenvolvimento dele, foi mais uma de suas personalidades da vida sendo mostradas. Mas não me incomodou esse ponto.

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Andries Viljoen 27 de maio de 2017 - 19:14

não é o pior filme da franquia, mas está longa de injetar nova vida a ela. Está na hora de Jack Sparrow se aposentar. Nota 4.7 na escala de 0 até 10.0

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Andries Viljoen 27 de maio de 2017 - 19:09

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar diverte os espectadores menos exigentes , mas usa uma fórmula de sempre e isso soa como um bêbado que está batendo não fundo da garrafa para as últimas gotas de rum.

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André Godoy 27 de maio de 2017 - 13:55

Assisti ontem e concordo que podiam ter parado no terceiro e abraço. Mas não, insistiram num quarto, 6 ANOS depois sem ninguem esperar (eu nem fazia ideia) lançam esse 5º, que fora os efeitos da tripulação e do próprio Salazar em si, não tem nada de mais, ainda entrega uma CENA EXTRA depois de todos os créditos, indicando que haverá o 6º filme, e que mais um antigo inimigo voltará, não vou dar spoiler mas não precisa de muito pra adivinhar de quem se trata. No mais, grande abraço!

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Doutor Luggae 13 de junho de 2017 - 19:06

ja vi o filme, mas não vi a cena pós crédito, o que acontece nela?

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André Godoy 21 de junho de 2017 - 21:39

(SPOILERS)

O casal Will e a Elizabeth tão dormindo, ai aparece uma sombra no formato Dave Jones, dá um raio, eles acordam e não tem ninguém, depois dá um close no chão e tem umas conchinhas, ou seja: ele tá vivão e volta pro sexto.

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Maze 26 de maio de 2017 - 04:42

Ainda não vi, mas sinto que deviam ter parado no terceiro, que encerrou bem a história, porque no quarto já cai muito a qualidade, apesar de ser muito bonito visualmente. Vou acabar vendo pelo visual novamente.

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Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:43

O visual do filme realmente é incrível, mas concordo: deveriam ter parado no terceiro.

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Wanessa Teixeira 26 de maio de 2017 - 15:12

O visual realmente é lindo! se assistir em 3D então, melhor ainda. Só compensa por conta disto. Mas concordo com a critica do Guilherme, e ainda acho o terceiro o melhor da franquia, na minha opinião.

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JJL_ aranha superior 25 de maio de 2017 - 17:29

Poderiam recomendar bons filmes de piratas que não sejam piratas do caribe?!

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Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:47

Opa, aqui vai:

Piratas, do Roman Polanski
O Capitão Blood
A Princesa Prometida (nesse caso estou sendo bem livre no conceito “filmes de piratas” hahaha, mas é um excelente filme).
Série Black Sails

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JJL_ aranha superior 26 de maio de 2017 - 12:54

Fiz a mesma pergunta na aula de história e o professor recomendou essa mesma série. Princesa prometida eu já assisti e não gostei, apesar de divertido.

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Guilherme Coral 27 de maio de 2017 - 11:34

Veja Black Sails sim, não vai se arrepender! Ela terminou recentemente, dá pra maratonar tudo.

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JJL_ aranha superior 27 de maio de 2017 - 11:49

Comecei a ver, fiquei preocupado quando vi o nome Michael Bay, mas parece interessante.

Magnosama 25 de maio de 2017 - 12:00

Abandonei a franquia depois do 2° filme.

Sem arrependimentos.

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Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:48

Ainda defendo o terceiro, o clímax é realmente primoroso.

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Anton Chigurh 25 de maio de 2017 - 05:30

Na minha opinião essa franquia Piratas do Caribe é ruim de dar dó, desde o 1º filme até o último. Eu nem perco meu tempo indo ver uma aberração destas.

Blockbuster sem noção, com história até meio infantil de tão boba que é, e ainda insistem em lançar sequências porque tem gente que consome esse tipo de filme, do mesmo modo que consomem outras péssimas franquias, como Velozes e Furiosos e suas 500 continuações, e Transformers.

Essa franquia de piratas misturada com fantasia não chega nem perto de um dos melhores filmes que já vi sobre piratas: o antigo “A dupla dinâmica” de 1983 com Tommy Lee Jones no papel principal.

Mas é aquele negócio né: ” Gosto é igual C*, cada um tem o seu”

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Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:48

Hahahah eu entendo, o nosso editor, Ritter Fan, também não gosta de Piratas do Caribe.

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Marcos Antonio 24 de maio de 2017 - 20:42

Sua critica foi tão ridicula quanto seus contextos! Se fosse um filme tão ruim os fãs não teriam lançado mais de 3 filmes, e arrecadado BILHOES DE REAIS! É tão ruim que ja na pré-estreia ja foram vendidos 1,5 milhoes em todo brasil! Calem bostinha da boca e aprendam a criticar sem falarem merda!

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Maitê 24 de maio de 2017 - 21:50

Pelo amor de Deus, tirem as crianças da sala, esse gif é nojento.

Responder
Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:50

Sou eu depois dos mil xingamentos hhahaha

Responder
Maitê 24 de maio de 2017 - 21:55

Pelo amor de Deus, pelo menos escreva Brasil com letra maiúscula. Se você fosse meu aluno te daria ditado ortográfico. Sorte sua!

Responder
ABC 25 de maio de 2017 - 18:19

Você está pedindo muito, a pessoa não sabe contar até dois milhões…

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Ian Luz 24 de maio de 2017 - 23:39

Homem Aranha 3 é a maior bilheteria entre todos os filmes do Homem Aranha e mesmo assim é um lixo. Nome não é sinonimo de qualidade.

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Maze 26 de maio de 2017 - 04:40

Epa, calma, o roteiro é ruim, mas o filme é muito bem dirigido, com fotografia linda, ótima trilha sonora e atuações na medida. Não culpe o raimi pelos exeços da sony kkkk ele não pode tocar no roteiro e ainda fez um bom trabalho.

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Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:50

O duro é que o roteiro é tão ruim, mas tão ruim… hahahaha

Responder
planocritico 25 de maio de 2017 - 07:02

Ih, alguém esqueceu de tomar o remedinho hoje…

– Ritter.

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JJL_ aranha superior 25 de maio de 2017 - 17:26

Queria ganhar milhões de reais sempre que alguém vem com esse argumento de que um filme é bom porque ganhou dinheiro. Minha bilheteria seria maior que a de avatar.

Responder
Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:49

Aí EU que estaria no caribe relaxando hahahahah

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Mirai trunks 25 de maio de 2017 - 16:15

E desde quando bilheteria significa qualidade?vai tomar seu toddynho cara

Responder
ABC 25 de maio de 2017 - 18:09

Quais foram os fan film de Piratas do Caribe que arrecadaram bilhões de reais?

A única franquia que arrecadou isso foi a original, produzida pela Disney e distribuída pela Buena Vista.

Responder
Guilherme Coral 26 de maio de 2017 - 11:49

Fiquei chocado também, não sabia desses fan films mega bem-sucedidos hahahaha

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genio playboy 7 de julho de 2017 - 16:56

Isso prova que vcs só são um bando de poser…

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Ricardo F. 25 de maio de 2017 - 22:57

Quanto drama…

Responder
Amanda Karla Correa 27 de maio de 2017 - 18:59

ai ai ai… quem falou merda aqui foi você, chegou com discurso agressivo, não acrescentou em nada na discussão, confunde bilheteria, números com qualidade… E eu não sabia que você conhecia os “contextos” do autor da crítica do filme… Que comentário sem noção esse seu!

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Maitê 24 de maio de 2017 - 18:08

Essa franquia já encheu aquilo que eu não tenho. Só de assistir ao trailer você já sente aquela overdose de mesmice, por isso tô fora.

Responder
Guilherme Coral 24 de maio de 2017 - 20:42

Pura mesmice mesmo!

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planocritico 24 de maio de 2017 - 20:55

@disqus_rdmTT9v60n:disqus , eu cansei dela antes da metade do primeiro filme… HAHAHHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Maitê 24 de maio de 2017 - 21:49

HAHAHHAHAHAHAHAHAHA é saber que o i(n)diota do Johnny Deep mesmo com toda essa franquia está falido.

Responder
JJL_ aranha superior 25 de maio de 2017 - 17:27

Eu gostei de todos os três, no quarto eles já tavam sem ideias.

Responder
Elton Miranda 24 de maio de 2017 - 16:20

Realmente a deu mesmo o que tinha que dar

Responder
Guilherme Coral 24 de maio de 2017 - 20:42

E já faz tempo!

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Marta Souza 24 de maio de 2017 - 13:41

Estava muito na cara que seria uma pequena porcaria. Pois aí está. Deviam ter parado no segundo filme.

Responder
Guilherme Coral 24 de maio de 2017 - 20:43

Ainda defendo o terceiro! hahahaha

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