Crítica | Piteco – Fogo

Piteco-Fogo-Eduardo-Ferigato-e-cores-de-Marcelo-Costa-Graphic-MSP plano critico quadrinhos

Nesta 23ª edição do selo Graphic MSP retornamos à Aldeia de Lem, agora com Piteco vivendo aquilo que foi o sonho da Thuga por um bom tempo: uma vida de casado. E claro, este quase impossível casal pré-histórico de Mauricio de Sousa tem uma filha, Thala, que se torna o centro das atenções nessa nova história do selo, com roteiro e arte de Eduardo Ferigato e cores de Marcelo Costa e Mariana Calil.

A passagem do momento de paz para o motivo que abalará a convivência na tribo é rápida. A apresentação do autor também é objetiva, pois ele usa de uma atividade essencial para essa sociedade, especialmente para o Piteco (e agora, para sua família) como trampolim para uma jornada de aprendizado para Thala, seu pai e a tribo inteira, se considerarmos as conquistas obtidas ao longo da história. De uma cena de caça, nuances de ritual de passagem e ligação com o título da graphic novel (Thala está aprendendo a caçar com o pai e acender e controlar o fogo com a mãe), o roteiro traz a invasão de Lem por uma poderosa e desconhecida tribo, com indivíduos que se autodenominam “Os Filhos do Fogo”.

O ideal narrativo para as batalhas, a ideia para o Deus do fogo e aquilo que faz com que as chamas dessa nova tribo nunca se apaguem — ou mesmo a superioridade que isso traz para esses novos guerreiros — é algo bem interessante desse volume. A questão é que eu não vi o roteiro de Ferigato adicionar algo a mais em torno dessa grande costura da obra. Notem: há um ataque acontecendo e um plano de fuga, de luta. A ação está em alta a todo o tempo, mas não sobra muito espaço para que os personagens realmente pensem e, em termos gerais, para que haja um desenvolvimento harmonioso da saga. Isso pode apenas ser uma questão de preferência, mas mesmo os bastantes efetuosos em relação a Fogo devem perceber que há um certo desequilíbrio na forma como o autor trata os temas e até mesmo os dois lados em luta. No todo, os invasores e sua relação com a “água negra” acabam tendo mais espaço do que os protagonistas em termos de exposição.

plano critico piteco fogo ataque

A arte, por sua vez, foi o maior atrativo para mim. Assim como na história do Shiko, eu vejo que os desenhos aqui combinam com este Universo rústico, algo que a aplicação de cores também valoriza. Em termos de preferência, eu gostaria que a finalização fosse um pouco mais suja e que houvessem menos quadros de fundo branco, mas é apenas um detalhe de gosto pessoal que não conta na visão geral para a arte, da qual gostei bastante. Assim como gostei da forma como o autor finalizou a luta e trouxe conclusão… pelo menos até a cena final, que achei abrupta, talvez com um gancho para uma futura edição, mas pelo menos para mim, essa escolha não funcionou muito bem.

E para concluir, eu gostaria de chamar a atenção para algo que tem me incomodado de um jeito… peculiar. E digo isso porque eu entendo perfeitamente ajustes editoriais e novidades de pesquisa, assim como revisões e descobertas de novos materiais. E principalmente, eu admiro e apoio que o selo traga correções e todas as informações possíveis sobre os personagens que publica. É um sinal de respeito para com o público e uma forma de manter a história desses personagens viva e, acima de tudo, correta. No entanto (e aí vocês entendem por que eu disse que é um “incômodo peculiar“), não posso deixar de achar estranho o fato de um projeto como esse, tendo o próprio criador como consultor em cada novo livro e um competente time nos bastidores, deixe passar informações tão importantes como datas de origem de personagens ou informações essenciais sobre o início de suas publicações. Isso já tinha acontecido em Recuperação e voltou a acontecer aqui. Como disse, eu entendo tudo o que envolve a coleta dessas informações e que a pesquisa é constante, mas para o porte do projeto, eu não consigo deixar de achar estranho esse desencontro. E vocês, o que acham?

Piteco – Fogo (Brasil, junho de 2019)
Graphic MSP #23
Roteiro: Eduardo Ferigato
Arte: Eduardo Ferigato
Cores: Marcelo Costa, Mariana Calil
Letras: Diego Sanches
Editora: Panini Comics, Graphic MSP, Mauricio de Sousa Editora
Páginas: 98

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.