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Crítica | Planeta dos Macacos: O Confronto

por Melissa Andrade
335 views (a partir de agosto de 2020)

Fazer remake de um filme clássico é algo bem difícil. Existem inúmeros parâmetros que precisam ser atendidos e até superados. Rupert Wyatt, diretor de Planeta dos Macacos: A Origem sabia disso e alcançou uma verdadeira proeza que deixou a todos querendo mais.

Agora em Planeta dos Macacos: O Confronto, com outro diretor, Matt Reeves tem em suas mãos uma missão duplamente complicada: superar seu antecessor e de quebra, apresentar uma excelente sequência.

Pegando do ponto onde parou o primeiro filme, a humanidade foi assolada pela gripe símia e o caos se instaurou. A população mundial foi quase que dizimada e restaram pouquíssimos sobreviventes. Não há mais governo e o mundo virou uma selva gigante.

No meio da floresta, Caesar (Andy Serkis) juntamente com outros símios que liberou do cárcere construíram algo que podem chamar de lar. Cresceram como família, povo e vivem democraticamente em uma sociedade liderada com justiça e tolerância por Caesar. A comunicação é feita através da linguagem dos sinais que é passada a todos os macacos desde novos. Dessa maneira, eles têm vivido bem e em segredo por muitos anos, sem sequer avistarem outros humanos. Blue Eyes (Nick Thurston) filho de Caesar sai com seu amigo Ash (Doc Shaw) para pescar pela manhã e quando retornam encontram uma desagradável surpresa: um humano. Ambos estão bem assustados, Blue Eyes chama por socorro e no menor movimento, o humano atira em Ash. A essa altura, Koba (Toby Kebbell) já se aproximou com reforços e está pronto para atacar o humano que também não está sozinho. O grupo acredita que os macacos não entendem o que eles estão dizendo, mas Caesar aparece para provar o contrário e colocá-los para correr.

De volta para a estrada, Malcolm (Jason Clarke) informa Dreyfus (Gary Oldman) que a floresta não está inabitada e fala dos macacos. Dreyfus acredita que será fácil passar por eles, que são apenas animais, não entendem de nada, mas Malcolm o alerta para não subestimá-los. No lar dos macacos, reina a confusão. Koba acredita que eles devem atacar enquanto é tempo e discursa como os humanos são terríveis, mostrando as cicatrizes que tem no corpo por conta dos experimentos pelos quais passou. Caesar acredita que tudo pode ser resolvido se for nos termos deles e que não há necessidade de guerra, pois eles poderiam perder amigos e o lar que conseguiram construir. Em conjunto decidem que é a hora de mostrar aos humanos que eles não são simples macacos e que a floresta, é território proibido. O que eles não sabem é que há uma hidrelétrica bem próxima de onde estão e é essa a razão pela qual os humanos apareceram.

Armados e montados a cavalo, partem para a cidade para dar seu recado. Porém, a iniciativa ainda que louvável, vai culminar em grandes problemas e num inevitável confronto.

Este filme é inteiramente permeado por um único sentimento: tensão. O espectador fica quase que constantemente sentado a beira da cadeira sem desgrudar por um segundo os olhos da tela. Guloseimas, pipoca e refrigerante ficam obsoletos. Idas ao banheiro também estão fora de cogitação. Matt Reeves conseguiu não apenas apresentar uma sequência sensacional, como fez melhor e ultrapassou o antecessor, algo que acontece com certa raridade.

Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver, escreveram um excelente roteiro que ilustra as semelhanças comportamentais entre os símios e os humanos de forma magistral. Principalmente quando há tanto ódio e preconceito envolvido, algo que na película é comum a ambas as espécies. Do lado dos humanos, Carver (o responsável pelo tiro, interpretado por Kirk Acevedo) sente raiva e culpa os macacos por terem espalhado a doença que matou inúmeras pessoas. Sentimento esse que é comum a maioria dos humanos. Do outro lado, Koba, tomado por um desejo enorme de vingança, acredita que os símios podem e devem levar a melhor sobre os humanos enquanto ainda tiverem a vantagem. E bem no meio deles estão Malcolm e Caesar, que acreditam que há como conviver de forma pacífica.

Diversas questões são abordadas, mas a que mais sobressai é a dificuldade em aceitar e entender o próximo com todas as suas diferenças, principalmente quando há problemas mais profundos. Bem mais fácil simplesmente apontar os defeitos, erros, do que se colocar no lugar e procurar compreender. Algumas vezes a razão precisa falar mais alto que a emoção, ou atos impulsivos acabam acontecendo e provocando atritos desnecessários.

Não só o enredo está de parabéns, como também toda a parte gráfica, os cenários, locações, efeitos especiais, fotografia, trilha sonora e principalmente os atores que deram vida aos símios. Se antes já era possível acreditar nas emoções transmitidas, dessa vez cria-se um vínculo entre os macacos e o espectador, tornando tudo mais palpável, mais real. Andy Serkis, prova mais uma vez que é o especialista para esse tipo de técnica de captura de movimento, mas foi Karin Konoval que interpreta o símio Maurice quem de fato me cativou. Enquanto a atuação de Serkis era forte e imponente, a de Konoval era tenra e de uma sutileza ímpar.

Em relação aos demais atores, todos desempenharam seus papéis de forma correta, mas o destaque pertence a Jason Clarke que em alguns momentos me lembra o ator Charlton Heston. E apesar de não ser tão apreciadora da tecnologia 3D, dessa vez o recurso foi bem utilizado, principalmente na parte da floresta.

Planeta dos Macacos: O Confronto chega aos cinemas para mostrar que tem como fazer sequências e remakes de qualidade e até superiores ao que prefere acreditar o cinéfilo.

Publicado originalmente em 23/07/2014.

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes) — EUA, 2014
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Mark Bomback, Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russell, Toby Kebbell, Kodi Smith-McPhee, Kirk Acevedo, Nick Thurston, Terry Notary, Karin Konoval, Judy Greer, Jon Eyez, Enrique Murciano, Doc Shaw, Lee Ross
Duração: 130 min.

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35 comentários

Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:24

Filme espetacular, e bem melhor que o anterior, que tinha sido otimo, continua sendo o melhor filme da trilogia.

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Adilson 3 de maio de 2019 - 21:37

Diferentemente da maioria aqui, achei o primeiro filme muito melhor que o segundo, ainda não vi o terceiro. Me incomodou muito a facilidade dos símios em manusear armas de fogo (algo que eles até então não conheciam) e o fato deles terem começado o confronto que culminará na guerra (o inverso pra mim desceria melhor).

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Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:13

Ora, os macacos são inteligentes, e alguns viram no priprio filme os humanos usando as armas dr fogo, mas mesmo assim nem todos usaram, e os que usaram não ficaram tão “peritos” assim

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Diego Fonseca 5 de agosto de 2014 - 00:16

Diferentemente de filmes como “A Era do Gelo” onde as sequências foram superando as antecessoras, isso não ocorre no Planeta dos Macacos: O Confronto, é um excelente filme, mas talvez tenha sido a troca de diretor…

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Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:09

Ora, os macacos são inteligentes, e alguns viram no priprio filme os humanos usando as armas, mas mesmo assim nem todos usaram, e os que usaram não ficaram tão “peritos” assim.

Responder
Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:13

Não superou pq? Não vi nenhum argumento, pra mim a mudança foi bem melhor, conseguiu fazer uma obra mais solida do começo ao fim (e não entendi o que era do gelo tem haver, sendo que pra mim foi justamente o contrario nessa franquia).

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Mateus Woszak 4 de agosto de 2014 - 11:16

Gostei bastante da crítica. Assisti ontem, vai aí minha visão:

Planeta dos Macacos: O Confronto!

Filme muito bom, principalmente por conseguir algo muito difícil em trilogias e sequências em geral: superar o primeiro longa. Após um intervalo de 10 anos, onde a doença – a Gripe Símia – criada em laboratório, quando os cientistas buscavam a cura para o Alzheimer, tomar conta do globo, a raça humana é praticamente dizimada. Caesar e seus amigos passam a habitar a floresta e vivem cada raça em seu canto, até o momento em que o restante da raça humana precisa acessar a floresta para resolver seu problema de energia, devido a existência de uma usina hidrelétrica existente no local.

A idéia do confronto é muito bem explorada, tanto no campo da batalha campal como no confronto de modos de pensar, de cultura. Tanto no lado dos humanos, quanto dos macacos, temos representantes de cada maneira de agir no tratamento a raça “rival” na batalha que está por vir, existindo os Pacifistas e os Vingativos. O filme acaba caindo na mesmice dos roteiros, pintando os vingativos como os vilões, dando alguns novos elementos para justificar seus erros e pagando o preço, mas analisando friamente as justificativas de cada personagem, apresentada ao longo da película, são verossímeis e acabam por fazer você ver que todos possuem suas razões para seus atos, dos dois lados rivais.

Caesar, para quem não sabe, é “interpretado” pelo mesmo ator (Andy Serkis) que dá vida a Gollum/Smeagol e King Kong, e o faz com enorme talento. Mais uma vez o CGI da um show, e o filme, que tem como protagonista uma macaco digital e uma leva de amigos símios, passa a impressão que você pode encontra-los pela andanças da vida, tamanho realismo.

Mais uma indicação válida para quem não sabe o que ver no cinema! 🙂

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Fliperamma 3 de agosto de 2014 - 02:31

Excelente filme. Gostei muito do detalhe ao final em que a imagem dos olhos de Cesar confunde e fica difícil diferenciá-lo de um ser humano, esse é na verdade um dos motes do filme.

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Fliperamma 3 de agosto de 2014 - 02:23

Na verdade o filme possui sim cenas pós crédito. Fique até o final e ouça bem 🙂

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Melissa Andrade 4 de agosto de 2014 - 17:47

Não sabia disso Fliperamma. Prestarei atenção a próxima vez que vir o filme. Obrigada pela dica.

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Spb 31 de março de 2015 - 17:04

Vdd msm, assisti hj de novo..e não conseguia entender pq não tinha cena pos credito.. Mas tem sim e não é bem uma cena e sim um audio. escute bem =D

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Joey Valerio 2 de agosto de 2014 - 23:21

Olha, visualmente o filme é lindo. O trabalho dos atores que interpretaram os símios foi espetacular (destaque para o Serkis, claro). Porém achei o núcleo humano fraco, com exceção do Malcolm (Jason Clarke). Achei o roteiro, de certa forma, estereotipado. Alguns personagens, como o do Gary Oldman, foram desnecessários.
Enfim, eu daria uma nota 6.5 para este filme.

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Fábio Vieira 27 de julho de 2014 - 23:56

Melissa, tem cenas pós-créditos?

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Melissa Andrade 28 de julho de 2014 - 16:59

Não Fábio. Nenhuma cena pós-créditos.

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thiago neumann 27 de julho de 2014 - 12:04

Boa parte do filme me cativou, as cenas de tensão me apeteceram e gostei da atmosfera de suspense e terror que o filme trás em alguns instantes, mas senti um desleixo com os personagens restantes (como no caso: os outros macacos), apenas o Ceasar é trabalhado, e o desfecho do filme é raso, maniqueísta e piegas, diferente do catastrófico e subjetivo desfecho do primeiro filme.

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Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:18

Ora, é um outro filme oras, e um outro final, repetir o mesmo tipo de final ai sim seria um erro, eu não vi nada de piegas nele, e sim uma maneira de hyper a guerra que se aproxima, e eu sou bem mais o final desse do que do primeiro.

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thiago neumann 15 de maio de 2020 - 12:19

Bacana! Que bom que funcionou pra você.

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SH Lee 24 de julho de 2014 - 18:17

Eu vi o “Confronto” e revi o “Origem” ontem.

Eu percebi que pouca gente ressalta o seguinte fato:

O Caesar é o melhor personagem criado no cinema, ou qualquer mídia do tipo, em muitos anos.

A liderança, o carisma que exala é digna de Vito Corleone.

Vc passa a respeitá-lo no primeiro filme, mas no segundo vc passa a amá-lo.

Após tudo que sofre ainda age com justiça nas tomadas de decisões, isso é algo que só vi no Don Vito.

É espetacularmente genial a construção e o auge do personagem nesse segundo filme e com certeza acho até mais grandioso e mais importante do que as atuações do Andy Serkis (Que também são ótimas, por sinal).

Enfim, gostei muito da sua crítica! 🙂

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ronny 24 de julho de 2014 - 10:42

o 3D vale a pena ? nao tenho muitas opçoes de assistir sem esse troço….

Responder
Melissa Andrade 24 de julho de 2014 - 12:57

Oi Ronny. Bem, como mencionei na critica, não sou fã de 3D mas ele foi bem utilizado sim. Assista sem medo. Agradeço a pergunta 😉

Responder
SH Lee 24 de julho de 2014 - 18:15

Não achei muito útil o 3D.
Na maioria das vezes nesse filme, o 3D só sobressaía a legenda.

Eu economizaria dinheiro e pegaria o normal mesmo.

Responder
planocritico 25 de julho de 2014 - 18:42

Às vezes isso nem é possível, pois a gigantesca maioria das cópias, infelizmente, é em 3D… – Ritter.

Responder
Ana Paula Pescara 23 de julho de 2014 - 21:35

Estou ansiosa para ver este filme . O anterior foi ótimo , inteligente e não subestimou o expectador . Parece que a sequência seguirá a fórmula . Prova que é possível fazer um filme comercial com roteiro inteligente .

Responder
Melissa Andrade 24 de julho de 2014 - 03:14

Não poderia concordar mais Ana Paula. Obrigada pelo comentário!

Responder
Ricardo Correa 23 de julho de 2014 - 21:27

É precisamente este tipo de crítica que me trouxe e me mantém cativo junto ao plano cripítico!! ( Sim o ” críptico ” foi de propósito ok ? ) As análises nunca são apenas técnicas ou mesmo nerds ! Elas traduzem um desenvolvimento e um aprimoramento moral e cinéfilo sem precedentes , fontes de questionamentos internos e sobre as obras de uma forma não autoritária e simplesmente carismática ! Não vi o filme ainda e portanto sobre este não comentarei ainda – mas desde já meus parabéns !

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Melissa Andrade 24 de julho de 2014 - 03:21

Nossa Ricardo fico feliz que aprecie tanto as criticas que fazemos. Procuramos sempre dar o nosso melhor para atender a expectativa daqueles que nos lêem. Volte depois para dizer o que você achou do filme.

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jcesarfe 23 de julho de 2014 - 12:31

O filme é bem como diz a crítica, fantástico, só 2 detalhes me incomodaram:
1º Cézar lembra muito Mandela, e com todo o preconceito inerente na falta de cultura americana é difícil ignorar este fato;
2º Quando o título diz “O confronto” a ideia de batalha vem direto na mente, fato este que pouco acontece é mais um confronto de idéias (e umas poucas brigas).

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Melissa Andrade 23 de julho de 2014 - 13:19

Oi Jcesarfe.
Caesar é um líder nato, talvez por isso lhe tenha lembrado do Mandela.
Quanto ao confronto, a palavra em si é geralmente mais usada em conflitos de idéias que podem vir as vias de fato ou não.
Agradeço pelo comentário!

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Tatiana Jimenez Inda 29 de julho de 2014 - 19:03

A palavra “confronto” simboliza os inúmeros conflitos no filme, não apenas humanos X macacos, mas também dentro das próprias espécies.

Responder
Beatriz Lynch 10 de maio de 2020 - 14:24

Ter lembrado um ser humano que vc não gosta não é bem algo negativo.

Responder
Fábio 23 de julho de 2014 - 02:54

Melissa, que interessante a sua visão sobre o filme. Ótimos comentários! Além do que você falou eu destacaria o notório esforço que foi feito durante o filme para balancear a culpa da guerra entre os símios e os humanos. Ambos cometem uma série de erros e ao final não é possível precisar ao certo quem foi o real responsável pelo confronto. Além disso, não há como não falar sobre a excelente construção de personagem realizada sobre o Cesar. Ele ficou absolutamente fantástico! Andy Serkis está de parabéns. Arriscaria dizer que foi o melhor filme que assisti esse ano e espero que venham novas sequências e que o bom trabalho continue sendo realizado.

Responder
Melissa Andrade 23 de julho de 2014 - 13:16

Concordo com você Fábio. Mas algumas conclusões prefiro deixar para o próprio espectador. Falar muito do Serkis seria quase como “chover no molhado” por isso destaquei a atuação da Karin Konoval. Obrigada pelo comentário!

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Rafael Gardiolo 23 de julho de 2014 - 01:32

Boa crítica. Queria só destacar a sequencia que materializa o título original do filme, inspiradíssima.

Responder
Melissa Andrade 23 de julho de 2014 - 13:11

Bem Rafael não dá para falar de tudo ou estragaria as boas surpresas do filme. Obrigada pelo comentário. Se possível dê um like no post por favor.

Responder
Raphael Travassos 23 de julho de 2014 - 13:27

No ponto, Rafa!

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