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Crítica | Pokemon Red/Blue

por Anthonio Delbon
186 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

Vinte anos após o lançamento de seus primeiros jogos, Pokemon continua no topo de games vendidos com inovações de gameplay, gráficos cada vez melhores e centenas de novos monstros. Eu poderia vir com números aqui para os entusiastas de estatísticas. Para um amante somente das primeiras gerações – e nostálgico por natureza – o mais empolgante, porém, desse vigésimo aniversário, foi o anúncio da vinda das versões Red e Blue para o Nintendo 3DS como presente aos fãs no fim do mês. Nada melhor do que comemorar re-jogando a franquia em que mais fiquei imerso virtualmente na minha vida.

Achei que seria fácil visitar Kanto e escrever sobre o jogo que desperta paixão e memória em tantos de minha geração. Mas como não deixar a saudade e aquele sentimento de utopia perdida da infância influenciar nos escritos de um game que pautou a vida de tantos por tantos anos? O saudosismo não passa pelo simples jogo em si, mas pelo esforço de encontrar outros treinadores com versões diferentes para capturar os 151 pokemons. Passa também, sem dúvida, pela dificuldade de ter pilhas em mãos quando a bateria estava acabando, ou ainda por manhãs e tardes após as aulas, dedicadas especificamente em levar seus xodós ao level 100. Pokemon foi uma febre por quase uma década que construiu jogadores de todo o tipo, democratizou o papel do “especialista” em tempos onde os detonados eram escassos e apareciam apenas nas saudosas revistas Nintendo World. Alguém aí colecionou Pokemon Club ou participou de ligas referentes ao TCG, tão febris e viciantes quanto os jogos para game boy? Alguma twitchcam foi tão famosa quanto a que se dedicou a esse game e criou mitos no próprio jogo, mesmo após mais de uma década?

Portanto, esqueça essa crítica se você quer algo completamente isento. O que prometo é um esforço para contextualizar Red/Blue e Yellow e identificar o que de forte e fraco havia neles. Sim, a dificuldade dos games daquela época era, em geral, maior, tanto pelo que a tecnologia oferecia – cabos Game Link para trocar pokemons, sem wi-fi – quanto pelo próprio esforço que se exigia dos jogadores – algo raríssimo hoje e que traz à tona uma questão sobre o que a própria mídia se tornou: de obstáculo afetuoso à pueril entretenimento? O fato é que tal discussão dá pano para manga e gera um embate de gerações. Nenhuma pode negar, todavia, que as primeiras versões de Pokemon para Game Boy trazem os princípios básicos de um game e de um rpg espetacular: diversão, desafio, construção, envolvimento e ótimas mecânicas de batalha e coleção.

Monstros familiares, desenhos estranhos

A história já se tornou batida. Você é um treinador pokemon que quer se tornar um mestre. Para isso, deve vencer todos os líderes de ginásios localizados em diversas cidades para poder combater na Liga Pokemon e ter chance de se tornar o campeão. A outra possibilidade que é aberta no jogo é a de capturar todos os bichos e tê-los registrados na sua Pokedex, espécie de agenda eletrônica com as informações de cada um. Ambos têm suas dificuldades, ainda mais tendo em vista que ao escolher um dos pokemons iniciais – Bulbassauro, Charmander ou Squirtle – perde-se a chance de ter os outros dois. Pokemon sempre foi um sinônimo de esforço.

Ao ter em mente que Red e Blue – pelo menos na maior parte do mundo, onde a versão Green japonesa não circulou – fundaram a franquia Pokemon, dando início ao que viria a ser o anime de Ash, Misty, Brock e companhia, muito deve ser perdoado. De inúmeros glitches ao design de boa quantidade de monstros, por exemplo, ainda que o lendário diretor de arte e criador do design da primeira geração, Ken Sugimori já estivesse no projeto junto com Satoshi Tajiri, criador da franquia. Comparado aos desenhos que se tornaram mundialmente conhecidos, alguns sprites do game são definitivamente estranhos, algo que logo foi polido com a versão Yellow, já lançada para Game Boy Color e baseada mais no anime do que nos games pioneiros e que trazia, em suma, maior dificuldade e a possibilidade de ter os três pokemons iniciais de Red/Blue.

A mecânica de gameplay baseia-se na tríade fraqueza-neutralidade-vantagem. Cada pokemon inicial citado é forte contra um e fraco contra o outro. Com a evolução dos níveis, novos golpes poderiam ser acrescentados em um dos quatro slots de cada pokemon, o que dava uma ótima gama de estratégia para combater os líderes de ginásio especializados em determinado tipo de pokemon. Por mais que o tipo psíquico levasse vantagem em praticamente todos os outros, o jogo conseguia equilibrar bem os confrontos, sejam eles no game em si ou contra os amigos, o que sempre levava em conta o level dos bichinhos e consequentemente a quantidade de horas colocada no treino dos mesmos.

O rival dos mil nomes…e nenhum era carinhoso

Isso acabou criando uma verdadeira comunidade que perdura até hoje, sinal do fantástico trabalho utilizado e aprimorado ao longo dos anos. Jogadores dedicam seu tempo de estudo em algo que, em 1996, foi uma verdadeira bomba inesperada, ainda que os JRpgs viessem em um crescente. Tão ou mais cativante do que isso eram os colecionadores, aqueles que pouco se importavam com os níveis dos monstros, querendo apenas capturar o máximo deles possíveis, principalmente os raros, encontrados em marcantes locais como a Zona Safari, ou ainda únicos, como os pássaros lendários Articuno, Zapdos e Moltres. A exclusividade de alguns monstros em cada versão foi uma jogada de mestre da Nintendo, o que possibilitou uma troca intensa entre os fãs pessoalmente, já que internet sem fio era um sonho em 1996.

Na jornada para conseguir as oito insígnias, itens são necessários para passar de determinadas partes – os chamados HMs. Outros ainda são especiais e servem como um desenrolar de enredo bastante complexo para um game aparentemente infantil. A luta contra a organização Rocket toma inúmeros lugares e permeia praticamente o game todo. Há ainda itens de golpes que podem ser ensinados aos seus pokemons com o intuito de batalha, há pedras de evolução, há poções e aumentadores de status…enfim, uma enorme quantidade de adições que faz de Kanto, a região onde a aventura se passa, um cenário incrivelmente real, ainda que com os gráficos da época.

Outro ponto que aumenta o carinho dos fãs é a trilha sonora. Músicas tocadas em determinadas rotas, florestas e cavernas, o tema inconfundível do seu rival, o som aumentado das batalhas importantes, ou quando o duelo com um pokemon lendário finalmente começa…Red/Blue pode não ser o primor que é Chrono Trigger, mas cumpre muitíssimo bem com seu papel nesse quesito, gerando versões das mais interessantes e inesperadas até os dias atuais.

O grande mérito, e possivelmente o que faz os velhos jogadores mais sentirem falta daquela época, é que Pokemon trazia interatividade extrema entre sua legião de fãs. Com um mundo vasto e rico, discutia-se, colecionava-se, trocava-se e batalhava-se numa espiral de vício benéfico que culminava em simples reuniões de jogatina e trocas de ideias e informações sobre a jornada do dia, cara a cara com seu amigo, seja na rua, seja no apartamento, seja no intervalo das aulas. Nunca um jogo foi tão poderoso nesse sentido e dificilmente será agora que o gameplay online dita as regras.

Se você possui a chance de jogar e o tempo para entrar nesse mundo, não titubeie. Se tiver pelo menos uma pessoa, que seja, para poder iniciar uma jornada em paralelo contigo, convide-a. Pokemon pode ter se tornado um milhão de coisas e ser olhado com receio por adultos que não viveram a época tão intensamente, mas tudo não passa de informação inútil caso se queira ter contato com o um game realmente bom e que cumpre com seu papel mais fundamental: divertir, não simplesmente distrair.

*Sendo este fevereiro um mês especial, mais duas críticas da franquia darão as caras. E não deixe de conferir nossa crítica do especial Pokemon: A Origem, baseado especificamente nas versões Red/Blue.

Pokemon Red/Blue
Desenvolvedora: Game Freak
Lançamento: 27 de fevereiro de 1996
Gênero: RPG
Disponível para: Game Boy

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18 comentários

jcesarfe 15 de fevereiro de 2016 - 21:06

Para mim os games de Pokemon são os únicos que salvava no GBA.

Responder
Anthonio Delbon 16 de fevereiro de 2016 - 22:06

Olha, ando com dificuldade de lembrar clássicos desse tamanho pro GBA…Claro que Mário sempre salva, mas exclusivo como foram os Pokemon é difícil de achar

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jcesarfe 18 de fevereiro de 2016 - 22:23

Quando eu tinha o GBA só salvava os games de pokemon e os RPGs de Dragon Ball Z, de resto era uma chatice só. Nem os jogos do Mario eram bons se comparados aos do Super Nintendo.

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Anthonio Delbon 19 de fevereiro de 2016 - 03:43

Tipo Dbz Legacy Of Goku? E Snes não tem comparação, principalmente as versões de DK eu diria.

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jcesarfe 20 de fevereiro de 2016 - 13:11

Legacy of Goku (todos as 3 partes são muito boas, para o estilo), igualadas apenas por uma (que não lembro o nome) do DS. Não é o melhor rpg do mundo, mas era bem divertido.
Já Donkey Kong, só gostei do N64 e do Super Nintendo, mas o videogame, na minha opinião, perde para o Mega Drive, que por enquanto é o 2º melhor console que já tive.

Anthonio Delbon 20 de fevereiro de 2016 - 19:41

Saudades de Legacy Of Goku, isso porque só fiquei no primeiro e o Freeza deu trabalho! Cara, DK de 64 eu não consigo jogar, hahaha, o de snes marcou demais, gameplay muda muito. Agora, Mega Drive como 2º melhor console…é discutível, mas razoável. Só colocaria Super Nintendo acima, de qualquer maneira. Um ranking daria um belo Plano Polêmico…

jcesarfe 22 de fevereiro de 2016 - 12:05

Legacy foi o melhor jogo de Dragon Ball (é claro que muita gente vai dizer que foi o Budokai, sem nem ter jogado o Legacy).
Mas para mim o PS2 é o único que supera o Mega, com o Super Nintendo em 3º. Para mim o que colocou o Mega na frente do Super, não foi seus gráficos mais bonitos, seus jogos mais sensacionais ou o controle mais adequado para as mãos, mas o jogo do Rei Leão, no Mega era fluído e direto, sem bugs, já no Super.,,,
Isso seria um Plano polêmico que daria muito o que falar.

Anthonio Delbon 23 de fevereiro de 2016 - 18:46

Hahaha sugestões anotadas… Legacy x Budokai já seria um embate polêmico, mas tendo a concordar com você, apesar dos estilos serem completamente diferentes. Rei Leão para snes eu lembro ser um dos games mais dificeis. Confesso que mal lembro da versão de Mega Drive. Vou conferir assim que possível. E ps2 melhor que snes…hummm…difícil comparar essas épocas ou a quantidade de títulos sem cair em um saudosismo, mas é de se pensar sobre, sem dúvida

Alessandro Dias 12 de fevereiro de 2016 - 21:52

O jogo da minha vida, belo texto!

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Anthonio Delbon 13 de fevereiro de 2016 - 18:43

Valeu @alessandro_dias:disqus, da sua e da minha, sem dúvidas. Um abraço!

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Cristiano de Andrade 12 de fevereiro de 2016 - 18:32

Nostalgia pura!
Joguei o Red e capturei todos os pokemons possiveis de versão( não tinha um amiguinho que tinha Blue pra trocar)
Sempre escolhia o Charmander e nos jogos seguintes sempre escolhi o tipo fogo!

As batalhas contra os lideres de ginasio e contra a elite 4 eram emocionantes!

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Anthonio Delbon 13 de fevereiro de 2016 - 18:42

@cristianodeandrade:disqus Charmander era o top, sem dúvida, mas os três formaram a geração mais equilibrada, provavelmente. Pelo menos na evolução inicial. E eu cheguei ao ponto de comprar as duas versões, anos depois, para tentar capturar todos…um projeto frustrado, mas ainda em existência! Abraço!

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Luiz Cardoso 12 de fevereiro de 2016 - 18:28

O melhor jokenpo do mundo!!!

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Anthonio Delbon 13 de fevereiro de 2016 - 18:40

@luiz_cardoso:disqus acabei me lembrando dos tazos que vinham com um jogo literal de jokenpo, nos saudosos salgadinhos

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Handerson Ornelas. 12 de fevereiro de 2016 - 14:49

Puuuuts, que crítica sensacional, cara! Muito bom!

E quando você falou em dificuldade do gameplay lembrei no mesmo momento do satã, o tinhoso, o rubro das profundezas, o diabo cinzento, mas que formalmente é conhecida como Whitney e seu Miltank, nas versões Gold e Silver.

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Alessandro Dias 12 de fevereiro de 2016 - 21:55

Quem nunca levou um toco da Miltank, que atire a primeira pedra! HAHAHA

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Anthonio Delbon 13 de fevereiro de 2016 - 18:39

Valeu @handersonornelas:disqus Nunca vi descrição melhor de Whitney e Miltank! hahahaha Essa merece um capítulo especial pra uma crítica futura de GS. Abraço!

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Cristiano de Andrade 14 de fevereiro de 2016 - 11:25

Whitney e seu miltank era mais difícil que a Elite 4!!

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