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Crítica | Polar (2019)

por Gabriel Carvalho
417 views (a partir de agosto de 2020)

“Nada de arco-íris.”

Antes de qualquer coisa, é muito cômico que uma das cenas que a Netflix coloca como destaque para a chamada do seu mais novo longa-metragem, justamente no menu que dá acesso à obra em questão, já entregue várias resoluções do enredo de Polar, cinematográfica adaptação dos quadrinhos homônimos. A preocupação da empresa com o plot é a mesma preocupação dos responsáveis por esse filme em tornarem a experiência menos supérflua, resumindo-a a um misto de indecisão estilística e pretensão moralista. O conteúdo é completamente embaçado. Quase como se o roteirista escrevesse o projeto com uma venda – ou tapa-olho. O único verdadeiro ponto positivo é o personagem genérico que Madds Mikkelsen incorpora, um assassino com ar de John Wick. O ator possui presença para consolidar um arquétipo como esse aqui, gracioso e agressivo.

O mercenário que quer sair de sua vida de crime – na verdade, sendo obrigado a fazer isso, por causa de uma aposentadoria compulsória -, mas é impedido por ameaças externas. Não é essa uma premissa muito ordinária dentro do gênero em questão? A contraposição entre a moral dos mercenários de antigamente e a psicopatia dos assassinos da atualidade, entretanto, é um dos cernes mais interessantes do longa-metragem, mostrando um vigor inicial para sustentar a obra enquanto autêntica empreitada. Uma pena que a narrativa prossiga pelos caminhos mais comuns e, com isso, até mesmo se esqueça de qualquer plot pela sua metade, quando o protagonista passa a viver, ao menos momentaneamente, a sua aposentadoria. Os novos mercenários, os jovens sem mais princípios, então caçam o ancião misterioso, o Kaiser Negro, que deve ser morto.

Os jovens contra o “velho” principiam um combate entre eras que é promissor, porém, o coração é pautado pela superficialidade, por um contra-argumento que preza mais pela espirituosidade do negócio do que por uma profundidade nessa embate entre ideologias. As cores, insinuando um quase psicodelismo em certos momentos, impulsiona esse contraste visual e narrativo, porque o protagonista é um criminoso à moda antiga. As sequências de assassinato o envolvendo, por exemplo, trajam um senso de elegância muito correto em vista da expressão apática de Duncan. Já as cenas relacionadas ao grupo de jovens é quase uma coleção esquizofrênica de cores e sangue sendo expostos gratuitamente. A sociopatia inerente àquele ambiente é ofuscada pela irritação do espectador. Jonas Åkerlund é passivo nessa sua murcha abordagem entre gerações.

Para o cineasta, se já não era suficiente esse potencial desperdiçado, o seu projeto também tem que ser inteligente. A duração do longa-metragem é preenchida por sequências super ousadas, com uma montagem onírica, que supostamente comportariam um passado para o personagem principal, agora visto como pesadelos que o assombram. O problema é a incoerência – as passagens são tanto um foreshadowing quanto um flashback. Já Vanessa Hudgens surge como uma presença misteriosa que ganha a afeição de Mikkelsen. As interações entre esses personagens, porém, são movidas com tanta artificialidade que é quase impossível acreditarmos, derradeiramente, no twist proposto pelo roteiro, que surge como um baque, mas sem a força de um golpe como esse. E o texto quer construir um universo próprio, mas nada de marcante é originado.

Os antagonistas, ultimamente, são tão maquiavélicos que o terceiro ato não se sustenta como plausível frente a tanto sangue inocente já despejado. A gratuidade das inúmeras mortes exemplificadas mostra que, como o enredo não possui material para desenvolver essa “espirituosidade” no percorrer da sua narrativa, precisa usar desse tempo, aparentemente vago, para ser chamativo com cenas completamente desnecessárias. O morador de um apartamento é morto. Depois o outro e depois o outro, sem renovar as intenções, apenas enaltecendo os objetivos estéticos e só. Polar é uma produção que verdadeiramente parece apenas querer conquistar o público com um visual específico mais atraente. O desmonte acontece ao passo que percebemos que, além disso, o longa não possui nada a contar. São apenas cenas amarradas pela convenção.

Polar – EUA, 2019
Direção: Jonas Åkerlund
Roteiro: Jayson Rothwell
Elenco: Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick, Matt Lucas, Anthony Grant, Nia Roam, Anastasia Marinina, Fei Ren, Josh Cruddas, Lovina Yavari, Johnny Knoxville
Duração: 118 min.

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58 comentários

Neide Oliveira 22 de maio de 2019 - 03:31

Caraca quem consegue sair de uma tortura brabeza daquela, três dias sem comer na maior adrenalina da vida, ainda arrancar a ponta de uma faca, sair matar todos os jovens soldados do gordinho ridículo e ainda dar porrada em todo mundo que acha pela frente, levar dois tiros. um na perna e
sair andando pra chegar onde curiosamente sua coleguinha de armas morava. Que por acaso era por ali, assim, tipo no bairro ou sei lá e se recuperar milagrosamente em horas. Carregar o jipão de altas armas pesaadassas e ainda matar um exercíto. Ufa pera aí, cansei só de digitar aqui. Bom continuando, ah já tava acabando.
Muito exagero. O cara não é um suuuuper assassino. Pisaram na bola. Nem vou falar nada dos ridículos tentando matarem ele no início.
Tirando isso gostei. O M.M de tapa olho ficou muito sex.

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Big Boss 64 19 de maio de 2019 - 19:49

Gabriel, você foi ver com outra expectativa. Quanto mais eu assistia, só lembrava de “RED: Aposentados e Perigosos” (que também é um filme excelente) e sabe o que ambos tem em comum? Uma aventura descompromissada. Se quiserem ação com draminha genérico vão ver John Wick, mas se quiserem um filme de Metal Gear sem Metal Gears… vejam Polar. RECOMENDADÍSSIMO!!!

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Rony B. 9 de março de 2019 - 21:01

Filme muito bom, sem pé ou cabeça, mas ótimo passa tempo em tempos de chuva. Sem mimimi, dá para assistir!

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Edu Fields 11 de fevereiro de 2019 - 00:14

Sombriamente colorido. Um arco-íris em tons de cinza num caleidoscópio despretensioso e instigante, que nos arrebata pelas interpretações e a sensibilidade mortífera. Sanguineamente recomendo-o. 🤘✌🖖👍

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Saimon 9 de fevereiro de 2019 - 22:20

Abro o netflix pra dar uma distraída e me deparo com Polar. Começo a assistir e aparece logo de cara a Lagertha. Continuando, Black Kaiser aposentado. Flashbacks de pancadaria: Aprovado. Sem enrolação: Aprovado. Esse filme é ripa na chulipa rapaziada, quem quer desligar um pouco o cérebro e ver o solid snake em ação, pode assistir que não tem erro. Filmaço.

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Big Boss 64 19 de maio de 2019 - 20:02

Agora eu entendi porque gostei. É Metal Gear Solid na veia kkk

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Daniel Marques 5 de fevereiro de 2019 - 17:22

Que diabos de vilão é aquele? Coisa mais sem pé nem cabeça. Filme é fraco, mas aquela agente que, digamos, se envolve de corpo e alma nas missões, salva as quase duas horas perdidas. 🙂

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Cassius Braia 3 de fevereiro de 2019 - 22:23

O filme é autenticamente ruim. É péssimo. Interpretações ruins, diálogos ruins, clichês demasiados, tudo ruim, nada salva…. Aviso! Quem não assistiu, não perca seu tempo com esse filme .

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Gera Gonçalves 1 de fevereiro de 2019 - 14:09

Cara a crítica acertou em tudo. O filme é tão ruim que é bom. Sabe quando vc quer assistir algo sem mensagem? Pegar uma pipoca ligar o play e escapismo? Achei um filme B de primeira grandeza. E ainda tem o MM. Indico.

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Alexandre Marcello de Figueire 31 de janeiro de 2019 - 18:53

Trama superficial, tudo já foi visto inúmeras vezes no cinema.

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Daniel Marques 30 de janeiro de 2019 - 11:22

Desculpe o off-topic, mas quando sai (vai sair?) a crítica de “Você” (série da Netflix)?

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Flavio Batista 28 de janeiro de 2019 - 16:36

Eu achei pelo trailer que o filme era serio, mas qdo vi o primeiro aposentado sendo morto e deram destaque para a brochada pot mortem, eu saquei q vinha bagaceira da braba.
Daí, ficou mais facil de ver. E, Mads é foda mesmo no meio dessa tosqueira.
Cara, tem uma cena q ele destroi a garganta de um cara com uma mão nua, como se ele fosse um vampiro.
Fora que tem a Deusa Lagherta loira, morena e platinada. Ah, velho, como vcs reclamam desse filme? haha

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Gera Gonçalves 1 de fevereiro de 2019 - 14:03

hahaha né não?

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Fórmula Finesse 28 de janeiro de 2019 - 09:28

Vi os dez minutos iniciais e percebi que a canastrice será grande; mas hoje vou desligar o cérebro e assistir esse podrão de sangue doce; Mads merece…se eu suportar ver até o final esse frenético clip gigante, volto a comentar (o #importante).

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Gabriel Carvalho 28 de janeiro de 2019 - 15:59

Espero que goste, né? Mas, meu Deus, passei mal.

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Fórmula Finesse 30 de janeiro de 2019 - 09:46

É, a coisa é meio tosca de verdade, tudo como a excelente crítica pautou: tudo pela estética! Mas apesar de tudo, gostei do personagem Kaiser Negro, e não me furto a dizer que ele merecia uma sequência (obviamente mais bem elaborada) mais adiante. A atuação de Vanessa Hudgens também foi bem bacana, entrega total, como só ela que não percebesse que estava num filme que era uma cascata braba – rsrsrsrsr
Apelaram bonito nas cenas de sexo, hein?

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Gabriel Carvalho 31 de janeiro de 2019 - 19:38

MEU DEUS, AS CENAS DE SEXO. QUE COISAS TENEBROSAS! É NOVAMENTE ISSO QUE EU APONTEI: SÓ A FORMA. E É BREGA DEMAIS.

Perdão pelo Caps Lock…

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Rafael Silva 27 de janeiro de 2019 - 15:34

acabei de assistir e não é tão ruim quanto diz a crítica (minha opinião). As cenas de ação são boas, o motivo pela agência querer eliminar é plausível e o ator Mads Mikkelsen caiu como uma luva no papel. Claro que a relação do Solid Snake com a Vanessa ficou superficial mais não chega a estragar o filme. É um bom filme de ação.

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Gabriel Carvalho 28 de janeiro de 2019 - 15:59

Que bom que gostou.

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Marcelo Sobrinho 27 de janeiro de 2019 - 13:03

Vocês aí do Plano Crítico fazem parte de uma conspiração satânica para destruir a Netflix ou o que? Só sabem falar mal, cruzes!

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Gabriel Carvalho 28 de janeiro de 2019 - 15:59

IO é uma obra-prima, né?

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Marcelo Sobrinho 29 de janeiro de 2019 - 01:07

Eu adorei, mas parece que tem gente aí no site que é paga só pra falar mal da Netflix. Você e aquele crítico babaca do IO eu tenho certeza!

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Luiz Santiago 29 de janeiro de 2019 - 01:18

GENTALHA, GENTALHA, PZZZZZZ

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Matheus Luis 27 de janeiro de 2019 - 02:52

Rapaz, que filme asqueroso de ruim.
Cliquei o play esperando algo na linha de John Wick, recebi um Esquadrão Suicida piorado. Oh, vida…

Responder
Gabriel Carvalho 28 de janeiro de 2019 - 15:59

Super de mau-gosto. E olha que eu gosto de mau-gosto.

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Animes ginviti 27 de janeiro de 2019 - 00:27

Que critica ruim o filme é bom sim.

Responder
Gabriel Carvalho 27 de janeiro de 2019 - 02:16

Argumente.

Responder
Thor Bulinado 26 de janeiro de 2019 - 20:39

Vocês vão fazer crítica de Sex education? A nova série da Netflix

Responder
Gabriel Carvalho 27 de janeiro de 2019 - 02:16

Estamos pretendendo. Está assistindo ela?

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Thor Bulinado 27 de janeiro de 2019 - 02:36

Eu já até cheguei a terminar ela, me prendeu bastante e eu terminei em um dia, queria ver uma opinião mais técnica da série pq ate agr só vi jovem do Twitter falando sobre

Responder
Gabriel Carvalho 28 de janeiro de 2019 - 15:59

Vamos correr para conferir.

Responder
Brontops 28 de janeiro de 2019 - 13:26

Adorei a Sex Education. Mistura podridão e fofura em medidas iguais. E boa trilha. Só fiquei meio confuso por serem ingleses, e não americanos (imaginava os ingleses mais travadões do que sugere a série).

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Flavio Batista 28 de janeiro de 2019 - 16:29

Eu demorei a sacar q era na Inglaterra, so percebi qdo a Deusa da mae dele vai atras dele na festa, por causa do carro…

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Níquel Náusea 26 de janeiro de 2019 - 17:56

Mads Mikkelsen com tapa olho parece que saiu de metal gear

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Gabriel Carvalho 27 de janeiro de 2019 - 02:16

Sim! Fizeram muita essa comparação. Que bom que essa não é uma adaptação de Metal Gear…

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Mr White (Luis Mendes) 26 de janeiro de 2019 - 16:34

Eu gostei. Muito longe dos quadrinhos mas pra min valeu a pena!

Responder
Gabriel Carvalho 27 de janeiro de 2019 - 02:16

Que bom que gostou!

Responder
André Prado 26 de janeiro de 2019 - 16:13

Filme Netflix? Passo. Infelizmente essa tem a tona, e infelizmente, corri atrás de uma crítica desse filme justamente pq me interessei pela premissa “John Wick”. Bom, tem algum filme da Netflix que você teria coragem de me recomendar a não ser Roma?

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Gabriel Carvalho 26 de janeiro de 2019 - 18:10

Tem algumas coisas muito boas, André. Recentemente escrevi sobre o filme Mais Uma Chance, que é muito bom.

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planocritico 26 de janeiro de 2019 - 19:40

Beasts of No Nation, The Ballad of Buster Scruggs, Noite de Lobos, Apóstolo, 22 de Julho, Next Gen, Mudbound, Okja, Strong Island, Jim & Andy, 1922, Jogo Perigoso e assim por diante.

Abs,
Ritter.

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Sabrina 27 de janeiro de 2019 - 02:16

O Vazio Do Domingo, Calibre , Lazzaro Felice, A Brigada Lobo, tb são muito bons

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Anônimo 27 de janeiro de 2019 - 16:04
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Douglas Gomes 26 de janeiro de 2019 - 15:49

Netflix tá desesperada pra encher o catálogo de filmes e séries originais, que acaba se ferrando. Eles vêem o enredo e falam que tá bom.

Responder
Gabriel Carvalho 26 de janeiro de 2019 - 18:10

Madds Mikkelsen em um tapa olho? Projeto aprovado.

Responder
planocritico 26 de janeiro de 2019 - 19:40

Não vejo erro na estratégia. O volume acaba agradando todo o tipo de público. Vide Blind Box. Uma porcaria com uma horda de defensores vocais por aí. E, no meio de vários filmes medianos e ruins, tem um monte de coisa boa se você souber garimpar. E isso sem falar na penca de incríveis documentários que tem por lá.

Abs,
Ritter.

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ABC 27 de janeiro de 2019 - 16:30

Até pq a Netflix ainda tem muita cara de locadora. Tem conteúdo de todo tipo lá, ruim ou bom, basta saber vasculhar, atualmente estou assistindo produções sul coreanas.

Saudações.

Responder
planocritico 27 de janeiro de 2019 - 17:41

Exato. Esse é o modelo de negócios deles.

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Lima 28 de janeiro de 2019 - 13:04

Só gostaria de saber se essa estratégia dá algum resultado (retorno) pra eles…

Responder
Sabrina 26 de janeiro de 2019 - 15:26

Esse filme é uma bosta .Porém a Netflix preferiu dar mais destaque para essa merda e deixou meio de lado a maravilhosa série Kingdom. Disparada a melhor série de zumbi .

Responder
Rômulo Estevan 26 de janeiro de 2019 - 17:06

Kingdom é realmente foda,terminei de ver ontem já quero a 2 temporada.

Responder
planocritico 26 de janeiro de 2019 - 19:40

Bem mais fácil “vender” um filme com o Mad Mikkelsen de tapa-olho.

Abs,
Ritter.

Responder
Giovanni Fernandes Silveira 26 de janeiro de 2019 - 09:42

Critica de como treinar o seu dragao 3?

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 25 de janeiro de 2019 - 22:08

Genérico e pretensamente cool, salvo pela presença magnética de Mads Mikkelsen, que eu assistiria mesmo em filme sobre previsão do tempo. Pena, tinha bom potencial.

Responder
Sabrina 26 de janeiro de 2019 - 15:26

Polar é o Esquadrão Suicida da Netflix .

Responder
Gabriel Carvalho 26 de janeiro de 2019 - 18:10

EITA!

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 27 de janeiro de 2019 - 21:23

O problema é que eles estão colecionando “Esquadrões Suicidas” já há algum tempo HAHA

Responder
Leonardo Lima 28 de janeiro de 2019 - 13:04

Rola uma Margot Robbie de shortinho tb ou nem?? Rsrsrs

Responder
Flavio Batista 28 de janeiro de 2019 - 16:36

tem uma Lolita Wannabe de shortinho sim. haha

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