Home Música Crítica | “Power Up” – AC/DC

Crítica | “Power Up” – AC/DC

por Kevin Rick
415 views (a partir de agosto de 2020)

Take time to realize
That your warmth is
Crashing down on me

Mais do mesmo? Repetitivo? Cópia? Falta de originalidade? Lugar-comum? Muito já foi dito da resistência da banda AC/DC por tentar reinventar seu som ao longo das décadas de sucesso global. A verdade é que eles nunca verdadeiramente se importaram com o criticismo da ausência de inovação, usando e esbanjando da fórmula que fez sucesso nos anos 70 e 80 em discos clássicos de rock and roll como Back in Black, T.N.T., Let There be Rock, entre outros. A partir dos anos 90 até Rock or Bust, de 2014, o álbum que protagonizou o tour final pré-hiato dos músicos, a banda australiana se aproveitou do estilo musical que os tornaram ícones mundiais e criaram discos que mais resgatam a nostalgia da sua fanbase – eu incluído – do que necessariamente buscam trazer algo novo para a discografia já eternizada no gênero.

E então nós temos Power Up, a mais nova empreitada do grupo de hard rock, reunindo as figuras conhecidas de Angus Young, Brian Johnson, Phil Rudd e Cliff Williams, mais o guitarrista Stevie Young, substituindo o gigante Malcolm Young, que recebe crédito como compositor em todas as faixas do álbum, em uma forma de homenagem e conservação da sua presença musical de modo lírico e espiritual. E é exatamente essa a experiência proporcionada por Power Up, um tributo à Malcolm, e ao rock and roll idolatrado por esses idosos que se recusam a mudar. Uma declaração da imutabilidade do seu som em uma provação musical da sua maestria perpetuamente inalterável.

Mas ao mesmo tempo que eles entregam a música de alta energia, saturada de grooves que oscilam e penetram o corpo, proporcionando a bateção de cabeça familiar, existe algo diferente nesse álbum. Não é algo novo. Não é uma reinvenção. Muito menos a inserção de outro gênero musical. Não, o que faz Power Up explodir como uma das melhores obras da banda em mais de 30 anos é a revitalização de seus integrantes. A banda está mais energética, fresca e, honestamente, raivosa. É palatável a vontade e a sede por rock dos membros. Brian Johnson está mais agudo e estridente do que há vários anos, Angus mergulhou nos riffs não usados ​​que ele compôs com Malcolm e tirou ouro junto de Stevie, que entra como uma luva no ritmo, e Rudd estabelece a base enquanto Cliff faz o que sempre fez: ficar oculto e alto ao mesmo tempo. E acredito que o mais importante de tudo, que vinha faltando à banda: escrever músicas de qualidade.

Realize tem o rugido inconfundível de Brian, que segura uma faixa como ninguém, já apresentando o trabalho consistente do álbum, que retorna às origens de estabilidade explosiva das faixas musicais. Essa em particular têm acordes poderosos e esmagadores que configuram o tom da obra até o controle deslizante de fechamento do Code Red.  Nessa jornada nada sutil e ininterrupta encontramos faixas como Rejection, mais lenta e remanescente de blues rockShot in The Dark e Kick You When You’re Down, centradas em riffs, Through the Mists of Time, que apesar da tradição que tenho frisado, é uma das músicas mais diferentes do acervo do AC/DC, mais melódica do que triturante. As únicas músicas que não gosto no álbum são No Man’s Land Wild Reputation, que quebram o ritmo gostoso da experiência com melodias esquecíveis, sem hook e cansativamente repetitivas, parecendo que entraram no trabalho para rechear Power Up, soando mais como fillers do que a construção contemporânea energética que as outras faixas oferecem. Também é importante notar o uso fenomenal de backing vocals no álbum, algo também um tanto incomum da banda, que casa muito bem com a harmonia que tenta capturar o som icônico de trabalhos mais clássicos.

A grande maioria de seus álbuns soam parecidos ou praticamente iguais? A resposta é um explosivo e sonoro sim. A questão é: os discos sãos bons? As vezes sim, às vezes nem tanto – apesar de não considerar nenhuma obra da banda ruim -, mas o 17º álbum do AC/DC, Power Up, revigora a melodia da banda, utilizando todo o estilo musical que esperamos deles, mas com um sorriso no rosto ao ouvir os vovôs mais legais da Terra continuarem sua jornada de rock’n’roll, mais sedentos, joviais e raivosos do que nunca. Um testamento do amor, superação e inabalável trabalho artístico de uma das melhores bandas de todos os tempos. Será que teremos mais obras no futuro? Com esses caras, nunca podemos descartar.

Aumenta!: Through the Mists of Time
Diminui!: No Man’s Land

Power Up
Artista: AC/DC
País: Austrália
Lançamento: 13 de novembro de 2020
Gravadora: Columbia Records, Sony Music Australia
Estilo: Rock, Hard Rock

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais