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Crítica | Preacher – 2X01: On the Road

por Luiz Santiago
156 views (a partir de agosto de 2020)

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estrelas 5,0
Há spoilers. Clique aqui para ler todas as críticas dos episódios. E clique aqui para ler todas as críticas dos quadrinhos.

A Segunda Temporada de Preacher estava entre os retornos mais esperados da grade de séries de 2017. Depois de estrearem uma saga que funcionou como um caminho alternativo à deliciosa e infame epopeia de Garth Ennis e Steve Dillon nos quadrinhos, os showrunners do programa precisavam de um retorno forte o bastante para manter o nível da temporada anterior, e isso, considerando todas as camadas: religiosa, tragicômica, gore e sentimental, ligando a Condenadíssima Trindade formada pelo pastor Jesse (Dominic Cooper), pelo vampiro Cassidy (Joseph Gilgun) e pela badass pistoleira com conceitos morais que funcionam como uma montanha russa, Tulipa (Ruth Negga) ao cowboy assassino vindo diretamente do inferno para matar Jesse e tirar a entidade Gênesis de seu corpo: o Santo dos Assassinos (Graham McTavish).

Uma das grandes preocupações era a ligação temática entre as temporadas (considerando que a cidade do ano de estreia do show explodiu e, até onde se sabe, todos os seus habitantes morreram na explosão — com exceção do Cara-de-Cu) e o trabalho com a passagem do tempo entre Call and Response e este On the Road. Mas Sam Catlin foi direto ao ponto. Seu roteiro aqui é de uma fluidez admirável, começando com o trio no carro de Tulipa conversando (na verdade, Cassidy fazendo uma palestra indignada sobre o prepúcio arrancado do pênis dos bebês em toda a América) e de cara enfrentando o primeiro empecilho. Tudo é muito bem arquitetado e merece nossa total atenção. Percebam como a conversa envolvendo prepúcios e cremes para o rosto se encaixa na canção Come on Eileen, do Dexys Midnight Runners, que se encaixa em um simples pedido da polícia para o trio encostar o carro, dando início a eventos que terminariam em um alucinante banho de sangue.

Ainda mais forte do que na 1ª Temporada, o trio parece conectado por uma espécie de fatalidade divina em forma de amizade, lembrando muito a relação que Jesse e Cass tem em Até o Fim do Mundo e colocando Tulipa como um ponto de oposição e consciência interessante, que todavia acende um sinal de atenção, porque sua postura relutante em ver Jesse usando A Palavra pode descambar para uma caraterização chata da personagem. Aqui, porém, não há problemas com o que ela faz, porque esta postura não estraga nenhuma cena, inclusive a que mais poderia estragar se não tivéssemos um bom roteiro, a interrogação da dona do strip club onde Deus supostamente havia aparecido PELO JAZZ (vocês acham que Deus é um dos integrantes da banda? Se sim, qual dos músicos? Eu votaria no baterista).

Prestem atenção no título do episódio e considerem o que foi apresentado aqui. Estamos no primeiro dia da busca por Deus, em uma sequência imediatamente após onde fomos deixados na última temporada (com direito a notícias ainda sendo exibidas sobre a explosão da cidade) e o capítulo nos dá exatamente o que precisamos saber neste ponto, recolocando os personagens em cena e ampliando seu novo propósito, que a priori é achar Deus e fugir do Santo dos Assassinos. Só com isso já era possível construir uma boa temporada de fuga, mas notem que algumas pistas indicam o surgimento de tramas paralelas muito interessantes. O temido sobrenome L’Angelle é citado aqui e algumas confirmações do elenco também apontam para o aparecimento de Herr Starr e, talvez, de Jesus de Sade nesta temporada. Haja coração!

O único ponto que me pareceu um uso gratuito (embora bem pensado) da fotografia — que em todo o restante do capítulo é muito boa — foi no início, com o envelhecimento e granulação da imagem para simular uma perseguição de carro em um filme dos anos 70, com cor saturada e uma camada de sépia para intensificar o ar retrô. Pela forma abrupta como começa e termina e por não haver um padrão ou função maior no escopo do episódio — ele é apenas uma boa gracinha pontual –, não vi exatamente como uma boa escolha, mas obviamente, não tenha sido mal executado. Apenas me confundiu do por quê foi utilizado. Em outros cenários técnicos, como montagem, maquiagem, figurinos e efeitos especiais temos trabalhos aplaudíveis. A sequência de abertura serve como exemplo para todas essas áreas e de certa forma me lembrou até a excelente avacalhação de Deadpool, tanto no cinema, quanto nos quadrinhos.

A chegada do Santo ao final do capítulo me arrancou um grito de “mas já?” e me deixou quase tremendo, contando as horas para o próximo episódio. Cheio de boas interpretações, humor ácido e politicamente incorreto (ainda bem!), muita heresia (ainda bem!) e manutenção da qualidade geral da 1ª Temporada, Preacher começa o seu segundo ano como uma revelação divina, nos fazendo temer pelo destino dos que buscam a Deus. Mas não da maneira contrita e pura de coração que normalmente se imagina. Coitado de Criador quando for encontrado.

Preacher 2X01: On the Road (EUA, 25 de Junho de 2017)
Direção: Evan Goldberg, Seth Rogen
Roteiro: Sam Catlin (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Ian Colletti, Jeanette O’Connor, Abbie Gayle, Robert Catrini, Donald Watkins, Rutherford Cravens, Jimmy Lee Jr., John Bostic, Sherri Eakin, Sam Malone, Patti Brindley, Graham McTavish, Pip Torrens, Luke Hawx
Duração: 45 min.

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24 comentários

Mario Severo msevero1988 22 de agosto de 2018 - 13:37

Boa crítica, a série em si está se desenrolando bem, só não estou gostando da “forçação de barra” com a Tulip. Está ficando chato isso, o personagem está ficando enjoativo, no começo até estava legal, mas agora quando ela aparece e começa a falar muito e dar uma de “bad ass”, começa a irritar e acabo torcendo para a cena acabar logo e passar para a próxima.

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Junito Hartley 29 de junho de 2017 - 14:47

Cara, bela critica, parabéns, so aqui nesse site pra se ler uma critica de qualidade, hj em dia ta difícil.

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Luiz Santiago 29 de junho de 2017 - 16:09

Muito obrigado, @Junito_Silva:disqus!
Esse é o tipo de série que muita gente normalmente empaca por conta da temática, tanto para escrever sobre quanto para assistir. Eu gosto tanta do tema e da forma como está sendo colocado na série que me divirto fazendo os dois. 😀

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Batman 27 de junho de 2017 - 15:46

Início de temporada fantástico!

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Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 21:46

Super fodástico! Violento, herético, cheio de humor negro como a gente gosta! Hehehe

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Batman 27 de junho de 2017 - 22:51

To indo ver o 2 agorinha rs

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Roger Baschi 27 de junho de 2017 - 15:24

Parabéns vcs colocam a crítica de qualquer série, independente do Gosto ou estilo do Editor isto se chama profissionalismo! A segunda temporada começou alucinante…custei a perceber como tinham enchido o tanque a moda TWD huahsuashauhsauhsauhsuahuahsusa promete !! #voltacaradecu

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Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 21:47

#voltacaradecu taí uma hashtag que eu vou começar a usar! HHAHAHAHAH
Já viu o segundo episódio, @rogerbaschi:disqus?

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Roger Baschi 27 de junho de 2017 - 23:36

Obrigado pela atenção …chegando agora em casa, abrindo uma e partindo para assistir …ainda quero ver um de cada de The Mist & Claws ..Lu já sabe bora subir #voltacaradecu

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Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 23:56

Noite de séries com uma gelada! É isso aí, parceiro! 😀

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Stella 27 de junho de 2017 - 01:06

Crítica sensacional. Que bom que Preacher está de volta, depois que Agents of Shield ,American Gods acabaram, fiquei com medo de não ter nada bom (Porque nem Doctor Who está do meu agrado). O episodio foi excelente, e cheio de gore, fiquei de cara com a violência. Que trio mais carismatico! Confesso que cheguei a pensar que fosse rolar um ménage á trois na cama kkkkkkkkk

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Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 06:10

Viu o último ep de DW? Eu não critiquei isolado porque é a primeira parte do finale, aí não fazia muito sentido. Esse eu adorei! hehehehe

Mas Preacher está bem acima esse ano. Outro nível. QUE FODA que foi esse episódio! E olha, eu também pensei que ia rolar um ménage! Quem sabe mais para o fim da temporada? hahahahahahhahah

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Stella 27 de junho de 2017 - 09:09

Ai não vi, vou ver hoje. Nem assisti o penúltimo vou assistir os dois, nem espero muita coisa dessa temporada de DW. O hype que eu tinha despencou direto pro abismo.
Preacher realmente está outro nível. Agora tem que ter #ménague kkkkkkkkk

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Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 10:09

O penúltimo foi bom pra caramba! Acho que vc vai gostar.

E tem novo Preacher hoje! Dois, só pra ajudar a gente a se acostumar com os banhos de sangue!

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Stella 27 de junho de 2017 - 21:03

Acabei de ver o penúltimo episodio de Doctor Who, foi excelente. Isso desperta meu desgosto por Moffat esse ano, ele poderia ter feito algo assim desde o começo afinal é a sua despedida, o 11 isso sim é Doctor Who. Infelizmente esta t vai ser a temporada com a nota mais baixa na minha opinião, porque gostar apenas de 3 episódios, numa temporada de 12 episódios é algo muito inadmissível.

Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 21:44

Concordo plenamente com você. A gente sabe que o desgraçado é um baita escritor. E faz uma presepada dessas, colocando coisas boas só no final. É foda. Agora é esperar pelo épico…

Stella 27 de junho de 2017 - 22:42

Algo que estou meio receosa amigo, é que o novo showrunner é adepto ao modelo de séries norte americanas, de ter somente um plot se estendendo a temporada toda, isso pode ser prejudicial, pois se fosse pelo menos igual a nona temporada com episódios duplos acharia magnifico, mas uma temporada toda? A sexta temporada errou justamente por isso a tentativa de americanização. O que é mais legal são as viagens pelo espaço tempo, só quero ver no que vai dar.

Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 23:55

TOMARA que ele crie algo sólido e que faça a temporada se expandir um pouco, afinal, é uma série de viagens no tempo e espaço, PRECISA de dinâmica e narrativa mais intensas, né.

Wagner 26 de junho de 2017 - 23:18

Esse episódio foi sensacional! O que foram aqueles 10 minutos iniciais: tive que pausar pra rir com a história do prepúcio e a chupeta com tripa!!

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Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 23:50

Eu também tive que pausar, @disqus_R3kXsAGn3a:disqus! Aquilo foi demais! E a naturalidade como os diálogos saem desses três é absurda! Os 10 minutos iniciais foram pra apresentar a temporada com tudo mesmo!

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André Rodrigues 26 de junho de 2017 - 18:16

Muito boa a Critica! E realmente o final do episodio me deixou puto por ter sido tão rápido graças a deus hoje tem mais um episodio!!

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Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 19:17

Nem sabia que hoje tinha mais um! Caramba, que felicidade! HAHAHAHAHHAHAAH

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André Rodrigues 6 de julho de 2017 - 00:01

Foi bom ter te avisado kkkk

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Luiz Santiago 6 de julho de 2017 - 07:38

Valeu, viu!

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