Crítica | Preacher – 2X05: Dallas

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estrelas 4
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Algumas surpresas no andamento de Preacher já são esperadas pelo espectador, mas poucas pessoas imaginavam que voltaríamos ao “básico” da 1ª Temporada, revendo o relacionamento de Jesse e Tulipa por ocasião do “incidente com Carlos”, mergulhando em motivações para o que fizeram dali em diante (e que vimos apenas parcialmente na temporada anterior). Este é o momento onde tudo se transformou para o casal e onde a jornada para a chegada de Genesis ao corpo da pessoa certa realmente começou. Parece um grande plano divino.

Tomando como gancho a excelente aparição do pastor na casa de Viktor, esposo de Tulipa, Dallas mostra como a vontade de alguém em ser um “bom moço” pode acabar se perdendo e ganhando uma versão completamente diferente, mesmo que mascarada pela religião, como foi o caso de Jesse, que correu para a igreja como uma forma de curar uma dor de existência — a vontade frustrada de ser pai e construir uma vida com Tulipa, embora não fizesse muita coisa para que esta vontade se tornasse realidade, além de transar, beber e assistir televisão — e alinhar-se, em última instância, ao seu pai, que lhe deixara uma igreja… aquela que vemos no início de tudo, em Pilot.

Mais do que mostrar como Jesse foi posto no caminho de Genesis, este episódio traz, em um flashback paralelo a ações no presente (ponto extra para a montagem, que se divide em sequências alinhadas e blocos que guardam muito bem as características emocionais, espirituais e de loucura que cercam o show), dando uma sensação de completude interessantíssima, embora venha de maneira tardia no programa. É óbvio que elementos do passado sempre são bons para aprofundar a psicologia dos personagens, justificar alguns comportamentos e dar para o espectador (ou leitor, já que este é um recurso essencialmente literário) camadas diferentes de determinado indivíduo, muitas vezes, com nuances jamais imaginadas. Em Preacher, porém, esse passado, apesar de ser bem retratado pela direção e roteiro, parece deslocado.

Isto ocorre de tal forma que o público não se impressiona com o que é mostrado. A gênese da violência, a forma diferente como Jesse e Tulipa enxergam a vida, o relacionamento amoroso que tinham, os planos para o futuro e a ideia de “divertimento” de cada uma deles, o motivo pelo qual se separaram. Para Jesse, o modelo tradicional da família texana, regada a cerveja e filmes com John Wayne era o ideal. Para Tulipa, nada daquilo era interessante. Ela precisava de mais.

Em um episódio com montagem acelerada, excelentes planos de ação, bom uso de música e fotografia, esse tipo de memória é recebido com duas sensações básicas. A primeira, de que não precisavam mostrar este passado. A segunda, de que é muito bem ver este passado de maneira sólida, oficializando coisas que até então tinham ficado subtendidas ou em suposições feitas pelo público. Talvez a decisão dos produtores em trazer isso agora tenha sido motivada pela chegada de novos personagens, pela caçada do Santo dos Assassinos — não sei vocês, mas me preocupa um pouco como o arco será resolvido — e pelo contraste entre bem e mal que eu já havia destacado como fonte central do roteiro, no episódio Viktor.

Dallas funciona, então, como um episódio-ponte. Entre a excelente cena com a atitude passivo-agressiva de Cassidy (mais uma ótima interpretação de Joseph Gilgun) e o drama tardio de desenvolvimento dos personagens, tivemos espaço para violência pontual, piadas de humor negro e a chegada do Santo (de novo!) ao caminho de Jesse, agora de uma maneira que nos deixa curiosos pela resolução. Certamente uma nova fase de fuga do Santo e pela busca de Deus deve aparecer. Resolvido e conhecido o passado, parece que o Graal, Eugene e questões divinas devem tomar conta da série daqui em diante. A não ser que a doce família de Jesse (hehehe) apareça logo a seguir.

Preacher 2X05: Dallas (EUA, 17 de Julho de 2017)
Direção: Michael Morris
Roteiro: Philip Buiser (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Ian Colletti, Graham McTavish, Bryan Murphy, Robbie Tann, Stella Allen, Michael Beasley, Paul Ben-Victor
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.