Crítica | Preacher – 3X06: Les Enfants du Sang

PREACH_3X06 les enfants du sang plano critico

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Clichê de gênero é uma coisa engraçada, especialmente quando inserido dentro de um Universo ou cânone bastante rico. Em Les Enfants du Sang, a roteirista Rachel Wagner explora a relação entre Cass e Eccarius elencando o máximo de referências e clichês do ambiente macabro de Entrevista Com o Vampiro (algo que já se tinha dito no painel da série, na Comic Con do ano anterior, e que é muito bom ver, enfim, sua representação na tela) e basicamente do Drácula de 1931 – Versão de Tod Browning, embora toda a mítica em torno dos vampiros estereotipadamente ligados ao modelo de Bram Stoker e, nesse caso, de Bela Lugosi, acaba vindo à tona.

Ao jogar com este clichê de gênero, tanto a roteirista quando a diretora Laura Belsey conseguem fazer com que o episódio avance e junte blocos dramáticos diferentes ao mesmo tempo, mesclando humor negro com outras nuances dramáticas. No núcleo, podemos dizer que o destaque está na duplicidade entre as sequências com Jesse e Tulipa tentando reviver vovó Marie; e Cassidy sendo apresentado aos Les Enfants du Sang e guiado por Eccarius para perceber a extensão e possibilidade de seus poderes. Eu fiquei impressionado o quanto de bobagem alguns espectadores andam falando em fóruns pela internet afora, dando conta da “impossibilidade” de Cass não ter conhecimento de tudo o que ele pode fazer e que essa postura dele não faz sentido. É o tipo de comentário de quem escolheu odiar a série, de quem nunca botou os olhos em um livro ou quadrinhos sobre o Universo dos vampiros e, em termos de representação da personalidade de Cass, parece não saber da existência do arco Orgulho Americano.

Quanto mais a temporada avança — e principalmente a partir de The Tombs — vemos com bons olhos a renovação do Universo televisivo de Preacher, novamente, tendo a noção óbvia de que adaptação não é transliteração. Isso posto, é fácil ver como a série consegue explorar cenários com diferentes abordagens místicas/divinas (coluna central — sob um olhar cínico, claro — dos quadrinhos de Garth Ennis e Steve Dillon) e como a ação, mesmo em segundo plano, consegue estar bem atada a gêneros correlatos, seja através do flerte com os muitos clichês (se bem empregados, dão um bom resultado, como o que presenciamos aqui), seja na real formação de uma atmosfera íntima, algo que parece ter sido a intenção geral da temporada. Um pouco diferente da primeira e totalmente diferente da segunda, temos neste ano abordagens narrativas e estéticas constantemente distintas para cada personagem. Vejam a modulação da fotografia e até a planificação da direção para as cenas com Eugene e o Santo dos Assassinos; Jesse e Cia.; Cass e os Filhos do Sangue e Starr com o Grande Pai D’Aronique.

Apesar do subterfúgio textual funcionar ao término de tudo, a preparação para o assalto ao Banco do Bayou poderia ter um pouquinho mais de cuidado por parte do roteiro, e a trajetória de Madame Boyd (ou Sabina) deveria ter sido mostrada, nem que fosse em uma rápida montagem paralela. Ainda assim, Preacher segue impressionando e mostrando uma versão intrigante dos quadrinhos na televisão. Pelo ritmo como as coisas seguem, fica a pergunta: os eventos das HQs que têm a ver com “Massada” aparecerão nesta temporada? O Graal realmente colocará as asinhas de fora e expandirá aquilo que conhece? A gênese de Gênesis será mostrada?

Preacher 3X06: Les Enfants du Sang (EUA, 29 de julho de 2018)
Direção: Laura Belsey
Roteiro: Rachel Wagner (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Julie Ann Emery, Malcolm Barrett, Colin Cunningham, Betty Buckley, Jeremy Childs, Jonny Coyne, Adam Croasdell, Prema Cruz, Anthony Marble, Han Soto, Nathaniel Woolsey
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.