Crítica | Preacher – 4X01: Masada

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E leia aqui as críticas dos quadrinhos.

Parte da estreia dupla desta 4ª e última temporada de Preacher, Masada continua de maneira mais ou menos orgânica os eventos de The Light Above, com as peças teimosas em busca de Deus (Jesse, Cassidy e Tulip) novamente se reencontrando… ou algo parecido com isso. Por ser o começo da última temporada e conhecendo bem a estrutura dinâmica da série, dava para imaginar que os showrunners não começariam apenas com sequências simples no presente, com um texto unicamente ligado à resolução do problema da vez: resgatar Cassidy. Aqui foi o momento certo para se plantar sementes e colocar as deixas principais da temporada no jogo (especialmente desta, que encerrará o show), mesmo que isso acabe tendo um preço para o enredo.

E o preço que recai sobre o roteiro de Sam Catlin e Kevin Rosen é basicamente o daquela sensação de “desconexão” entre as partes, algo que entendemos ser uma estratégia de semeadura dramática para futura colheira, mas isso quase nunca tem uma boa adequação nos episódios de estreia. O abalo é pequeno, é verdade, mas acumula alguns pequenos momentos de estranheza (vide as cenas pré-créditos) e mexe com o ritmo do episódio.

Eu sempre foi um grande entusiasta da cadência narrativa adotada em Preacher. Desde as primeiras lutas eu vi com bons olhos a maneira como os criadores resolveram fazer a adaptação, criando uma gangorra entre cenas de muita ação e gore opostas ao desenvolvimento de um drama com duas vertentes, uma de busca e outra de descoberta, esta última, compartilhada pelo trio formado pelo vampiro, pela lutadora e pelo pastor. Aqui em Masada, no entanto, o bloco que realmente funciona sem nenhum problema nesse aspecto é justamente no lugar que dá título ao episódio. Entre a comicidade, o cinismo e certo suspense ligado à ação, todo o resgate de Cass é um verdadeiro deleite de sangue. A parte menos interessante do todo é que as sequências em Masada dividem espaço outros blocos de contexto.

E aqui não quero dizer que as outras partes do capítulo são ruins. Não é isso. Mas é nelas que enfrentamos os já citados problemas de tom e de ritmo, fechando o ciclo dos pequenos problemas dessa estreia. Por outro lado, a direção de John Grillo esbanjou criatividade ao fazer tomadas dos mais diversos ângulos possíveis para as cenas em Masada e, para o restante, adotou uma linha mais distanciada, como se quisesse visualmente deixar aquelas linhas no plano de fundo. Todavia isso se torna um pouco difícil, já que a fotografia desse episódio é espetacular de ponta a ponta, chamando diretamente a nossa atenção; e novamente os figurinos são um show à parte, criando contrastes culturais e anacronismos que agradam os olhos, faz rir e dá o tom de múltiplas temporalidades fundidas num só Universo. Agora que tudo mais ou menos se reapresentou, parece que Deus desistiu de avisar para deixá-lo em paz. E então parte para o contra-ataque.

Preacher 4X01: Masada (EUA, 04 de agosto de 2019)
Direção: John Grillo
Roteiro: Sam Catlin, Kevin Rosen (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Miritana Hughes, Lachy Hulme, David Field, Alexandra Aldrich
Duração: 41 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.