Crítica | Preacher – 4X02: Last Supper

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E leia aqui as críticas dos quadrinhos.

Eu confesso que estou impressionado com a escolha narrativa dos showrunners para começar esta temporada final de Preacher. Estreando no mesmo dia que MasadaLast Supper se aproveita de um curioso momento bíblico para — como é de praxe na série — reverter o seu significado e usá-lo para criar outra coisa. Até aí, nada de novo no front. O que me impressionou foi a coragem de tomarem os caminhos oferecidos até aqui e fazerem uma narrativa onde UM aspecto está bastante claro (a busca de Jesse por Deus), UM elemento de ação é dado como ponto fixo (o resgate de Cass por Tulip) mas o restante parece se “amontoar” em uma pilha de mistérios onde o espectador genuinamente tem curiosidade sobre o rumo que a grande trama irá tomar antes de se fechar. Nada de obviedades. E isso é simplesmente maravilhoso.

Embora o Santo dos Assassinos e o Cara-de-Cu tenham aparecido em Masada, não temos nada deles aqui, então ao menos nesse aspecto, outra busca continua do outro lado do mundo. Em Last Supper, no entanto, a atenção continua na aventura israelense (a fortaleza fica em Israel, para quem está em dúvida) do trio protagonista, com o texto explorando cada um deles em separado, o que para mim é um verdadeiro parâmetro de diversão. Como Jesse, Cassidy e Tulip possuem personalidades completamente diferentes, suas reações ao perigo, colocação de planos em ação e cadência cômica ou trágica acabam seguindo o caminho da constante novidade, de modo que em um único episódio parece que estamos vendo pequenos shows bem distintos, com uma linha que os liga tematicamente.

O mesmo ponto que observei em relação ao ritmo no episódio passado é repetido aqui, tendo um pouco mais de peso porque a história avança de tal forma que 1) ou o texto de Gary Tieche escolhia desenvolver por completo cada bloco ou 2) acelerava-os em tal medida para que entregassem mais ingredientes a fim de que pudéssemos seguir com a temporada. A escolha pela segunda opção foi sábia, mas o preço estava lá, na dificuldade de junção entre os blocos. E nesse caso também não ajudaram algumas piadas no meio do caminho. Eu normalmente me divirto com tudo o que a série traz de humor, mas algumas falas de Featherstone e uma permanência mais estendida da tortura de Cass com o mesmo padrão de “circuncisão completa” acaba sendo problemática a longo prazo.

Como aconteceu em Les Enfants du Sang, na 3ª Temporada, outro ícone da série em quadrinhos foi apresentado aqui apenas como uma sugestão inicial, dando um gostinho para desenvolvimento futuro do personagem: Jesus de Sade, que será interpretado pelo novato James Smithers, em seu primeiro papel importante nas telas. Eu mal posso esperar pela bizarrice da festa e pela ação de Jesse nessa casa. Já as cenas de ação no episódio ficaram a cargo de Cass e Tulip, em abordagens visualmente diferentes. O diretor John Grillo é muito bom em estabelecer padrões estéticos através de gêneros narrativos como ação, comédia e suspense (ele fez isso em Gonna Hurt também) o que torna tudo ainda muito divertido de se assistir, por mais absurdo que seja. Agora temos Deus em sua “oficina do destino” fazendo um plano de ataque. As coisas não vão ficar muito boas para Jesse não…

Preacher 4X01: Masada (EUA, 04 de agosto de 2019)
Direção: John Grillo
Roteiro: Gary Tieche (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Pip Torrens, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Tyson Ritter, Miritana Hughes, Lachy Hulme, David Field, Virginia Gay, James Smithers, Ditch Davey, Kaan Guldur, Lani John Tupu, Simon Elrahi
Duração: 53 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.