Crítica | Preacher – 4X04: Search and Rescue

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Search and Rescue é um episódio onde as coisas avançam da maneira mais interessante possível para esta última temporada da série. De parcerias inesperadas, ligação entre núcleos diferentes do show, um andamento notável em relação à temática desse ano (onde tudo termina, o verdadeiro apocalipse) e conclusão de mini-arcos que já estavam testando um pouco a nossa paciência, esse episódio conseguiu fazer muita coisa em pouco tempo, aumentando o perigo para todo mundo e mantendo a imensa diversão que é assistir a este programa.

O primeiro grande acerto do roteirista Mark Stegemann foi colocar um fim definitivo no ciclo de sofrimento de Cass e na abordagem circular e pouco interessante dada a Tulip em torno desse salvamento. Justamente pelo contraste entre as ações de Jesse (e de maneira um tantinho mais distanciada, do Santo dos Assassinos com Eugene), esse pequeno patinar narrativo em Masada tinha chegado a um ponto em que, ou avançava de vez ou começava a realmente atrapalhar a temporada. Ainda bem que a primeira opção foi escolhida e, como resultado, temos uma satisfatória libertação de Cass e uma excelente linha narrativa que se inicia com a improvável dupla formada por Jesus Cristo e Tulip.

Eu acho absolutamente sensacional o fato de que a série deturpa e bagunça todos os elementos cristãos possíveis (inclusive fazendo um Deus infame — basicamente o Deus do Antigo Testamento, convenhamos) mas mantém Jesus com a docilidade e bondade que se espera dele, pelo menos por enquanto. Nós havíamos visto um pouco de Jesus em Dirty Little Secret, mas o que temos aqui é realmente uma participação efetiva do personagem, com uma ótima oportunidade para o ator Tyson Ritter trabalhar — e ele realmente entrega a performance que combina com o Filho de Deus, protagonizando alguns dos momentos mais engraçados do episódio sem que o roteiro precise investir muito em punchlines ou coisas do tipo.

Aproveitando muito bem o que tem em mãos, o diretor Kevin Hooks integra a violência à construção de um plano divino que pouco a pouco começa a se fazer claro. Tudo, nesse aspecto, funciona aqui, e embora eu não tenha gostado das cenas com Hoover 2, nada foi capaz de tirar o nível de entretenimento proporcionado por este episódio. O castigo de Deus a Jesse e sua longa sequência com o piloto, para mim, foi excelente. Os dois juntos formaram uma ótima parceria cênica e mesmo que alguns possam ver esse bloco como filler, tudo ali acaba fazendo sentido se pensarmos na promessa de Deus em fazer Jesse sofrer e no gancho que este bloco dá para o andamento da temporada, com o Santo e Eugene chegando à Austrália da maneira mais… improvável possível, o Anjo voando com Cass para longe e Tulip se unindo a Jesus para sair de Masada.

Exceto Jesse, todos agora estão trabalhado em duplas e, sinceramente, é uma melhor que a outra. Resta saber o que será da provavelmente frustrada reunião entre os representantes do céu e do inferno (Jesus e Hitler) e de como o plano de salvação e danação geral, enfim, será posto em prática. Eu já falei isso, mas não canso de repetir: Preacher vai fazer uma falta danada.

Preacher – 4X04: Search and Rescue (EUA, 18 de agosto de 2019)
Direção: Kevin Hooks
Roteiro: Mark Stegemann (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Tyson Ritter, Lachy Hulme, David Field, Ditch Davey, Aleks Mikic, Alex Cooke, Clyde Boraine, Daniel McBurnie, Matthew Connell
Duração: 41 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.