Crítica | Preacher – 4X06: The Lost Apostle

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios. E leia aqui as críticas dos quadrinhos.

Se nos episódios anteriores, especialmente em Search and Rescue e Bleak City, estivemos frente a uma constante movimentação de personagens, com Deus nos bastidores tramando com Herr Starr as engrenagens do Apocalipse, aqui em The Lost Apostle presenciamos O Criador em ação.

Uma das coisas que eu sempre gostei em Preacher é a maneira como os roteiros abordam, com níveis diferentes de comicidade, as figuras cristãs. Algumas, como Jesus, até o momento, mantêm exatamente aquilo que se espera do personagem, e vejam que nesse episódio o ideal de perdão do pecador, no momento da morte, também é colocado em cena. No capítulo passado, vimos Jesus abraçando Hitler. Ou seja, esse Jesus da série é o Jesus bíblico, ou pelo menos um personagem muitíssimo parecido, em ideais, com o Jesus bíblico. Todo o restante, porém, os roteiristas não perdoam e, em certa medida, corrompem faces do comportamento desses seres celestiais, o que é sempre divertidíssimo de se ver.

Aqui nós temos a resposta para uma pergunta que ronda a temporada desde a estreia, em Masada. Descobrimos o mistério de Jesse caindo do avião, em pleno Outback, e como Deus está envolvido em tudo isso. Para mim, o passo em falso do episódio foi o fato de o roteiro mostrar apenas uma sequência de ações que, mesmo sendo maravilhosas, não completam tão bem o capítulo como aconteceu semana passada. É como se estivesse faltando algo e isso não tem nada a ver com o cliffhanger. Ainda tenho dúvidas sobre o real papel de Deus no meio de toda essa história, mas há uma via de mão dupla para enxergarmos o personagem naquilo que a temporada prometeu: ele fugindo de sua morte (?)/captura/questionamento/possibilidade de voltar para o céu e ele organizando o Apocalipse para impedir que essas coisas aconteçam.

Fiquei bem feliz que o núcleo de Tulip e Cass tenha se encontrado com Jesse & Cia. Quando não estão em situações extremas, os personagens tendem a um certo sentimentalismo que não me agrada, flertando com o melodrama. Se estivéssemos no começo da série, seria algo mais ou menos suportável, porque é possível entender isso como motivo de desenvolvimento dos indivíduos, certo? O sofrimento para a maturidade, uma escolha bem recorrente nos roteiros de séries. Mas estando na temporada final, penso que não há mais tempo para isso. Melhor mesmo é colocar os dois em ação e aí sim eles funcionam bem.

Agora com todos os peões em jogo, temos uma reta final de temporada cheia de boas promessas. Meu desejo é que os showrunners aproveitem bem tudo isso e tragam uma sequência de episódios finais inteiramente compensadores. Em nome de Deus, esperamos que seja assim.

Preacher – 4X06: The Lost Apostle (EUA, 1º de setembro de 2019)
Direção: Jonathan Watson
Roteiro: Gary Tieche (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Tyson Ritter, Aleks Mikic, Scott Johnson, Archie Thomson, Deone Zanotto, Luke Jacka, Bev Killick, Tony Farrell, Jared De’ Har, Sunny S. Walia, Chad O’Brien, Jackson Tozer
Duração: 41 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.