Crítica | Preacher – 4X07: Messiahs

PREACHER PLANO CRÍTICO Messiahs

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Em muitos sentidos — exceto na estética — a trama desta temporada final de Preacher se assemelha à de Good Omens. A preparação para o Apocalipse é mostrada a partir de dois pontos de vista, sendo um a favor do acontecimento e outro não necessariamente muito animado com ele, o que coloca diversas forças em cena e cada uma delas parece lutar por um interesse próprio, quando na verdade, há um “grande plano” sendo afetado e também causando toda essa movimentação. O tipo de trama caótica difícil de se escrever, especialmente quando é com ela que se vai terminar uma série. E no caso de episódios que tentam botar um pouco de ordem na casa, como este Messiahs, o espectador não pode ignorar o fato de que definitivamente falta maior conexão entre as partes.

Mas não é como se estivéssemos diante de algo ruim. O roteiro de Mark Stegemann segue na linha dos plots-enigma desta temporada e já sabemos que muitas respostas virão apenas no final, com o afunilamento de todos os arcos para o que deve ser a grande batalha (pré ou durante o Armagedom). Mas a partir da pista final desse episódio nós passamos a ter a verdadeira ideia do que Deus está querendo e de como isso afeta a humanidade.

Muitas coisas, mesmo em um capítulo que apresenta ideia demais e resolve de maneira totalmente atropelada um segmento narrativo (alô alô, Hoover 2!), começaram a fazer sentido. Aqui tivemos um flashback para 2015 (ano anterior à estreia da série) estabelecendo o momento da fuga de Genesis e o tédio e irritação de Deus no céu, tendo que ouvir todas as orações e pedidos estúpidos de suas criaturas. O aproveitamento da oportunidade pelo Pai Eterno é imediato — embora mostrado de maneira exagerada e sem graça — e dá conta dessa insatisfação com a humanidade, culminando com sua vinda para Terra, a fim de aproveitá-la nessa configuração, até o ponto em que estamos agora, momento em que ele está em avançado estágio de experimentação.

Desde que vimos a maquete onde que Deus manipula o movimento dos humanos (tendo preparado, inclusive, o encontro no Outback australiano), percebemos que sua veia criativa está em alta. No episódio retrasado e no passado houveram a indicação de um novo animal ou algo parecido, sendo criado por ele. E aqui, a confirmação geral. Deus está criando coisas novas para habitar a Terra e substituir os homens. A ideia por trás de sua fuga, o fato de não querer ser encontrado e permitir que as coisas simplesmente desandem no acordo Céu/Inferno tem também total amparo pelo roteiro, já que Deus não se importa mais.

Se tirarmos, porém, o núcleo de Jesse e Fiore (como estou feliz em ver Tom Brooke de volta!), pouca coisa realmente nos impressiona. O roteiro corre bastante na exposição do restante das histórias. Muitas cidades, muitos personagens e situações nos são mostradas, mas nenhuma consegue nos engajar tanto quando o núcleo de Jesse, inclusive na parte técnica. Pensando que faltam apenas três capítulos para o fim da temporada, imagino que a série irá progressivamente adentrar a uma jornada cada vez mais épica. Mal posso esperar pelo fim do mundo.

Preacher – 4X07: Messiahs (EUA, 8 de setembro de 2019)
Direção: Iain B. MacDonald
Roteiro: Mark Stegemann (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Pip Torrens, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Tyson Ritter, Aleks Mikic, Tom Brooke, Julie Dretzin, Tai Hara, Renee Lim, Arthur Angel, Shane McNamara, Cam Goodall, Christopher Kirby, Rob Brown
Duração: 41 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.