Crítica | Preacher – 4X09: Overture

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E quando você pensa que a coisa irá explodir em qualidade e boa trama, deixando tudo pronto para um Grande Final, eis que vem esse negócio escrito por Carolyn Townsend que é uma verdadeira afronta ao espectador da Preacher. Vejam bem… estamos falando do PENÚLTIMO episódio do show. Estamos falando de um capítulo que deve estruturar coisas para uma série que não terá mais continuidade. Logo, o mínimo que se esperava era um enredo que fizesse sentido para a temporada em sua reta final e deixasse personagens e tramas em um ponto lógico e coerente para serem finalizados. No lugar disso, no entanto, o que tivemos?

Tivemos a criação de arcos inúteis. “Ah, mas foram bons isoladamente!“, alguém pode defender. A questão é: estamos no penúltimo episódio da série. Não é tempo de criar absolutamente mais nada, é tempo de concluir coisas. Vejam que os showrunners passaram esse tempo todo para desenvolver a postura mais eticamente à beira do abismo em relação a Jesus e a postura — enfim! — dominadora e infame de Hitler. Daí entregam essa virada de chave justamente no penúltimo episódio, quando não temos mais o prazer de aproveitar o que quer que venha desse núcleo, poque há algo mais importante a que devemos prestar atenção, o verdadeiro tema da temporada: o Apocalipse.

Daí passamos para Tulip, Cass e Jesse. Sejam muito sinceros, o que de AVANÇO NARRATIVO tivemos aqui, em relação a esses três personagens? Quarenta e poucos minutos para validar a chegada deles em Masada? Para colocá-los em uma situação que não chega a absolutamente lugar nenhum? Para mim, a única forma deste episódio não ter sido medíocre seria se fosse exibido em formato duplo. Aliás, episódios duplos (como os que tivemos na abertura desta 4ª Temporada, vejam só!) são exibidos assim por um motivo bem específico, e esta situação é uma que se beneficiaria do formato. Então resolveram separar o episódio em dois e não dar nada de realmente palpável aqui para sustentar a existência desta Overture.

Claro que é possível rir aqui pelo fato de Herr Starr ter aproveitado o Mr. Fisty na versão cintaralho, ou pela violência de algumas cenas, ou pelo fantástico plano-sequência que temos logo no início do episódio, mas em compensação, temos o efeito preguiçoso de Deus usando sempre o mesmo poder (que coisa horrorosa! Era melhor ele não ter usado nada!) ou uma “introdução ao Apocalipse” que só enrola e que não consegue criar a impressão geral de fim de mundo, a expectativa para o fim de tudo. E isso ocorre justamente porque a preocupação do roteiro é inventar arcos e intrigas quando a última coisa de que precisamos é disso. Agora não tenho mais tanta segurança em relação ao final. Se a coisa for “zuar inconsequentemente” e não fazer valer tudo o que se construiu na série, o Finale irá pelo ralo. Eu torço imensamente para estar errado. Mas a minha fé não está para remover montanhas não. Que decepção…

Preacher – 4X09: Overture (EUA, 22 de setembro de 2019)
Direção: Laura Belsey
Roteiro: Carolyn Townsend (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Graham McTavish, Ian Colletti, Pip Torrens, Noah Taylor, Julie Ann Emery, Mark Harelik, Tyson Ritter, David Field, Miritana Hughes, Tai Hara, Renee Lim, Arthur Angel
Duração: 41 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.