Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | Predador 2: A Caçada Continua

Crítica | Predador 2: A Caçada Continua

por Ritter Fan
351 views (a partir de agosto de 2020)

Três anos depois e sem Arnold Schwarzenegger, a Fox trouxe de volta um dos mais mortais alienígenas da Sétima Arte em uma continuação escrita pela mesma dupla original de roteiristas que troca a selva da América Central pela selva de pedra de uma Los Angeles levemente futurista em que o caos do conflito de gangues tomou conta da cidade em meio a uma onda de calor que não parece ter fim. Danny Glover, vindo de uma sucessão de memoráveis filmes – A Testemunha, Silverado, A Cor Púrpura e os então ainda dois Máquinas Mortíferas – e que traz uma bem-vinda humanidade ao protagonista, encabeça o elenco como o tenente Mike Harrigan da força policial local que acaba esbarrando na criatura depois que ela chacina jamaicanos traficantes de drogas.

Curiosamente, o filme usa a mesma ambientação urbana e a mesma trama de acobertamento das ações do Predador por uma unidade secreta que a primeira minissérie em quadrinhos desse universo publicada pela Dark Horse Comics um ano antes, ainda que eu ache que tenha sido mera coincidência, uma vez que a produção já devia estar em andamento quando a licença foi obtida e considero difícil que tenha havido “polinização cruzada” entre a editora e a produtora. De toda forma, a continuação, como regra em Hollywood, explora a estrutura do excelente filme original, mas sem se fazer de rogado ao ampliar seu escopo, o número de vítimas, a sanguinolência e também a mitologia desses alienígenas que sangram sangue fosforescente, com um resultado inferior, mas, mesmo assim, divertido.

Jim e John Thomas bebem muito claramente de outras fontes oitentistas para rechear seu roteiro, com uma Los Angeles decadente e entregue ao caos violento de maneira muito próxima à Detroit futurista que vemos em RoboCop, além da sequência de ação final no matadouro ser quase que completamente retirada da incursão inicial dos marines espaciais em LV-426, de Aliens, o Resgate. Isso e a presença de figurinhas fáceis dos filmes de ação da década anterior como, além de Glover, Gary Busey como o misterioso Peter Keyes, líder da tropa que quer a tecnologia alienígena e Bill Paxton, como Jerry Lambert, o novo e malandro – além de metido a engraçado – membro da equipe de Harrigan, emprestam um ar de familiaridade e satisfação que, por vezes, ajudam a glosar as falhas da obra.

Se o trabalho do estúdio de Stan Winston nos efeitos especiais e prostéticos da criatura continuam de tirar o chapéu e a trilha sonora de Alan Silvestri mantém a qualidade e a energia do primeiro filme, mesmo considerando que ele pouco mudou no tema principal, mantendo o tom militarístico que não existe efetivamente na continuação, não se pode dizer o mesmo do design de produção e da direção de arte que resultam em um grande e caro pastiche dos filmes que serviram de inspiração aos roteiristas do que algo que se mantenha em pé por seus próprios méritos. A pegada urbana é completamente genérica e exagerada, com ruas que seguem o padrão obrigatório de um cenário quase pós-apocalíptico, figurinos desconcertantes de ruins (sim, a moda oitentista foi horrível, mas as escolhas no filme parecem vir de doações à Cruz Vermelha rejeitadas pelos donatários) e cenários que tentam emular Blade Runner (a cobertura do traficante colombiano foi muito claramente inspirada na arquitetura do sci-fi de Ridley Scott), mas que parecem mais arroubos criativos com o único objetivo de “serem diferentes” e zero de função narrativa, quebrando qualquer semblante de lógica interna nesse ponto.

Em poucas palavras, se os roteiristas souberam pinçar o que de melhor estava disponível para eles, a equipe de produção simplesmente escolheu a pior forma de levar suas ideias para as telonas. E o trabalho de Stephen Hopkins na direção, que até então tinha A Hora de Pesadelo 5 como o ponto alto de sua carreira, não ajuda muito, já que ele se esmera em manter suas câmeras próximas demais da ação, algo que serviria para inserir o espectador na cena, mas que, aqui, causa aquele incômodo de quando, em um lugar espaçoso, alguém resolve ficar exatamente ao seu lado. Por outro lado, a fotografia de Peter Levy, que Hopkins trouxera dos dois longas que tinha em seu currículo, usa uma paleta de cores quentes que essas sim combinam à perfeição com a putrefação de uma cidade à beira da completa desordem e que contrastam com as sequências noturnas com o Predador e com a ação final no frigorífico.

Ainda em uma era que os efeitos digitais engatinhavam timidamente, mas com o filme exigindo mais do que apenas o famoso efeito de “invisibilidade” da criatura, percebe-se um grande e venerável esforço para fazer o máximo do trabalho com efeitos práticos, normalmente muito bons e que sem mantém bons mesmo com o passar do tempo. Os efeitos óticos, porém, notadamente os de sobreposição de imagens, hoje estão desgastados, mas, à época, cumpriram sua função com honra. Isso é mais do que se pode esperar de muito filme da mesma década.

Predador 2, apesar de estar longe de ser a tragédia que muitos acham que foi, acabou sendo mal recebido quase que universalmente e fez uma bilheteria tímida, que não tirou a produção do vermelho, o que garantiu o enterro da franquia até 2010 (descontando os tenebrosos crossovers com a franquia Alien). Uma injustiça com Glover e com a fascinante criatura que só quer colocar mais alguns troféus em sua prateleira intergalática.

Predador 2: A Caçada Continua (Predator 2, EUA – 1990)
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Jim Thomas, John Thomas
Elenco: Danny Glover, Kevin Peter Hall, Gary Busey, Ruben Blades, María Conchita Alonso, Bill Paxton, Lilyan Chauvin, Robert Davi, Adam Baldwin, Kent McCord, Morton Downey, Jr., Calvin Lockhart, Elpidia Carrillo
Duração: 108 min.

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17 comentários

Marcelo Gomez 17 de novembro de 2020 - 16:36

Horrível, uma história sofrida. Tentaram introduzir cenas cômicas que acabaram ficando sem noção longe de uma realidade

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planocritico 17 de novembro de 2020 - 16:39

Não acho horrível não, mas certamente é MUITO inferior ao primeiro.

Abs,
Ritter.

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TChaleira Sousa 7 de outubro de 2019 - 21:16

Eu acho o filme tão bom quanto o primeiro.

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planocritico 11 de setembro de 2018 - 18:26

Eu acho que o Harrigan corta um dobrado para matar o Predador, mas concordo com você que a cena no metro, com o cara descarregando dois pentes de balas direto no alienígena não faz o menor sentido. Isso a adaptação em quadrinhos, aliás, corrige direitinho.

Abs,
Ritter.

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planocritico 11 de setembro de 2018 - 11:55

A expansão do universo do Predador é muito interessante, mas, convenhamos, isso ocupa 10 minutos do filme. Não que ele seja ruim, pois não é, mas o primeiro é tão melhor que é uma pena que esse não tenha sido mais bem aproveitado.

Abs,
Ritter.

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planocritico 11 de setembro de 2018 - 11:53

Obrigado, @disqus_UrTI0nUrF3:disqus !

A referência ao final é bem legal mesmo, assim como o presente que o Greyback dá para o Harrigan.

Abs,
Ritter.

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planocritico 11 de setembro de 2018 - 11:49

Nem reconheço a existência desses filmes aí contra o Alien…

Abs,
Ritter.

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pabloREM 11 de setembro de 2018 - 10:21

Gosto do filme, na verdade, com exceção daquelas duas atrocidades cinematográficas em que ele confronta o Alien, gosto dos três filmes.

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John Locke 10 de setembro de 2018 - 19:13

Cara, eu curto bastante esse filme.
E adoro a referência ao Alien na luta final na nave do Predador.
Irei rever a trilogia antes do novo.

Parabéns pelo trabalho.

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Anton Chigurh 9 de setembro de 2018 - 23:05

Para mim o 2º filme é bem inferior ao 1º porque além do figurino sem identidade e bizarro dos personagens e dos diálogos fracos, conseguiram desmistificar a imponência do bichano.
Digo isso porque assistindo ao 1º filme, você tem a sensação de que o Predador é quase invencível, uma vez que ele caça e mata um a um, os membros de um pelotão formado por diversos caras durões, bombados, armados até os dentes e liderados por ninguém menos do que o Arnold Schwarzenegger no auge da forma física.
É o único filme que chegou a me fazer sentir pena do Arnold tentando sair na porrada com alguém, no caso o bichão.

Já no 2º filme, todos sabemos que o Predador não é o mesmo do 1º filme, pois ele morreu na explosão. A impressão que ficou é que o Predador do filme de 1990 é mais jovem, menos inteligente e experiente, menor e mais fraco que o outro, pois se ele fosse tão casca grossa como o do 1º filme, não teria aquela cena forçada no final, em que o personagem do Danny Glover (muito menos badass do que o Arnold) sai na porrada com ele dentro da nave, e ainda consegue matar o bicho usando uma de suas armas.

Além disso, esse filme tem uma cena totalmente sem noção e que foge do contexto já explicado no filme anterior. É a cena do tiroteio dentro do metrô, quando depois de matar quase todo mundo, o Predador vai em direção do Jerry ( personagem do Bill Paxton) que descarrega toda sua arma atirando no monstrão, e o bichano continua andando tranquilamente em direção a ele, como se as balas estivessem atravessando ele, como se fosse um fantasma. Essa cena é forçada demais pois justamente no 1º filme quando descarregam um arsenal de balas no bicho, é mostrado que ele pode ser ferido, morto, pois deixa o icônico sangue brilhante numa folha e o Arnold diz a frase : ” Se ele sangra, podemos matá-lo” .

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Rene Had 9 de setembro de 2018 - 16:50

Eu gosto desse filme, inclusive assisti no cinema em 1990. Mas é claro que não dá para comparar com o clássico de John Mctiernan

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planocritico 9 de setembro de 2018 - 16:53

Também vi no cinema em 1990 e lembro-me distintamente de não ter gostado a ponto de nunca mais ter revisto o filme até recentemente para fazer a crítica. E foi uma surpresa eu acabar gostando, ainda que moderadamente.

Abs,
Ritter.

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Cleison Miguel 10 de setembro de 2018 - 11:22

Também gosto desse filme, sempre gostei, ele ter expandido (ao menos para mim, já que não conhecia as HQs e só tinha visto o primeiro filme) o universo do Predador sempre foi um ponto que pesou a favor da continuação.

Já revi no passado e continuei a gostar, mas confesso que recentemente (nos últimos 10 anos pelo menos) não vi para avaliar melhor.

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planocritico 9 de setembro de 2018 - 12:25

Esse segundo Predador eu nunca consegui gostar nem próximo do nível que gosto do primeiro.

Abs,
Ritter.

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planocritico 9 de setembro de 2018 - 12:24

É bom, mas realmente bem inferior ao primeiro!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 9 de setembro de 2018 - 10:06
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Thiago Lima 9 de setembro de 2018 - 09:35

Pessoalmente eu gosto desta sequência, apesar de ser inferior ao primeiro filme.

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