Crítica | Predadores Assassinos – Trilha Sonora Original

Um dos mecanismos que colaboram com o bom estabelecimento da atmosfera de horror e aventura de Predadores Assassinos é a sua trilha sonora, composta e conduzida pela dupla formada por Max Aruj e Steffen Thum. Produzida pela Paramount Pictures Corporation, numa parceria com a Remote Control Productions, o fio condutor das 25 faixas que duram 49 minutos e 56 segundos é o tema de abertura, Race Day, produção que investe bastante em cordas tensas, faixa atmosférica e responsável por estabelecer o clima de pavor e perigo de todo o filme.

Dirigido pelo francês Alexandre Aja, tendo como produtor o mestre do horror Sam Raimi, o filme narra o velho e eficiente combate entre seres humanos e forças da natureza. Na trama, pai e filha precisam garantir as suas respectivas sobrevivências ao lutar contra jacarés enormes, oriundos do subsolo da casa, tomado pelas águas caudalosas do pântano próximo, agitado pela força de um furacão nível 5. Testados por elementos físicos e psicológicos, os personagens enfrentam poderosas forças instintivas, ameaçadoras e aterrorizantes.

Toda essa “cena dramática”, acompanhada pela trilha que mescla a tensão de cordas de violoncelo com percussão acústica e sintética, fazem a paisagem sonora de Predadores Assassinos um exercício apurado da linguagem musical em filmes deste subgênero. Tendo como capa comercial, um dos posters mais eficientes da campanha publicitária, com a placa de sinalização que reforça “cuidado com os jacarés” e a silhueta de uma das criaturas a deslizar pelas águas frenéticas no momento do tornado, a trilha sonora faz o que industrialmente o campo do horror tem feito constantemente, mas desta vez, com um resultado mais encorpado.

Higher Ground possui traços de John Williams em Tubarão, tal como Dive e Swin for It, faixas tensas e bem encorpadas. Os intervalos melódicos são breves, entrecortados por constante tensão. Crawl Space também nos remete ao som do horror na aventura do tubarão-branco de 1975, com a presença de batidas que nos remetem aos sons cardíacos de alguém em profunda tensão. Battle Plan e Tag Team são semelhantes, erguidas com tensão crescente e sons extraídos de violenta justaposição de instrumentos musicais.

As quatro cordas afinadas do violoncelo é o que se estabelece como maior presença narrativa na trilha de Predadores Assassinos. Instrumento de corda geralmente tocado com arco na posição vertical, o violoncelo é um dos protagonistas nas cenas em que a presença das criaturas precisa de acentuação por meio de abruptas inserções. Os responsáveis pelo resultado positivo do material, Max Aruj e Steffen Thum, podem ter como garantido o espaço na seara de produção musical para o gênero com tranquilidade, tamanha a eficiência do trabalho.

Max Aruj, de Los Angeles, estudou piano clássico e jazz desde os seis anos, experiência que o permite desenvolver trabalhos de conteúdo no campo das trilhas sonoras. Bacharel em Música pela USC T School of Music, estudou composição e piano com os renomados Stephen Hartke e Daniel Pollack, respectivamente. O alemão Steffen Thum, coautor da trilha sonora é experiente na composição de material para a TV, jogos e peças publicitárias. Inserido desde 2014 no campo das produções para cinema, Thum é um dos músicos da produtora de Hans Zimmer, algo que lhe garante aprendizado contínuo com quem já possui nome estabelecido na indústria há bastante tempo. A trilha de Predadores Assassinos, como exposto, já é a pavimentação de um bom caminho.

Predadores Assassinos (Music from the Motion Picture)
Compositor:
 Max Aruj, Steffen Thum
Gravadora: Paramount Music Corporation
Ano: 2019
Estilo: textura percussiva

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.