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Crítica | Primal – 3X05: Nenhuma Sombra Entre os Mortos

Será que Spear zumbi tem lugar com Fang e Mira?

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Dentre todas as maneiras que Genndy Tartakovsky poderia ter promovido o tão aguardado reencontro de Spear com Mira, Fang e os Fanguinhos, confesso que eu não imaginaria uma escolha tão doce e meiga, ainda que o termo que melhor defina o momento seja agridoce. Mais ou menos como o russo dividiu Reino do Luto, os 10 minutos iniciais de Nenhuma Sombra Entre os Mortos são dedicados a momentos delicados, sem ação, que retratam estados de espírito, que nos fazem compreender o significado da revelação de que Spear agora é bem diferente do que ele um dia já foi por diversos pontos de vista diferentes, todos eles igualmente válidos e com construção lógica inafastável, do tipo que faz pleno sentido dentro do que já aprendemos sobre cada um dos personagens, até mesmo sobre os dois guerreiros coadjuvantes. E isso tudo com um roteiro que não se leva muito a sério, equilibrando drama com genuínos momentos cômicos que chegam até mesmo a subverter expectativas.

Fang, T-Rex fêmea que encontrou em Spear uma alma sofredora gêmea, criando laços profundos com o homem da caverna, continua sendo um animal e, como tal, guiado por instintos e seus instintos não enxergam naquele ser em decomposição seu parceiro de caçadas e lutas. A desconfiança gutural que vimos no final de Presa dos Selvagens continua firme e forte aqui. Mira, por seu turno, compreende que algo terrível aconteceu, mas consegue ver o homem por trás do zumbi e faz de tudo para saber se Spear ainda tem alguma lembrança de sua vida anterior. Os Fanguinhos não ligam muito para o drama que está acontecendo ao redor deles, estando muito mais preocupados em comerem tudo o que puderem e, com isso, brindando-nos com sutis momentos de alívio cômico, momentos esses que são ecoados pelos guerreiros remanescentes que imediatamente tratam de fazer suas mandingas e feitiços de proteção exatamente como fizeram quando viram o cajado do feiticeiro morto no episódio anterior.

Essa situação permanece constante, com Mira fazendo o que pode, mas frustrando-se a cada tentativa, Fang mantendo uma postura aguerrida em relação a Spear que, por seu turno, faz o mesmo com Fang e os alívios cômicos mantendo-se como tais até mesmo durante a perseguição aos mandris. E o nível de comicidade é elevado em alguns níveis por meio da competição entre Fang e Spear pelo coitado do javali que aparece ali de gaiato e, depois, com Spear, como em um videogame, tentando e falhando várias vezes em “passa de fase” nos galhos das árvores atrás das criaturas que levaram Mira embora. A forma como Tartakovsky manobra os sentimentos dos espectadores e mantém a leveza em um episódio que em tese deveria ser sério, uma escolha arriscada, mas que se revela muito acertada, é um toque de gênio, arriscaria dizer, algo que é muito raro de se ver por aí. O ritmo narrativo, a trilha sonora, a transição entre momentos calmos e frenéticos, tudo conspira para que um dos reencontros mais inusitados em memória recente aconteça também de maneira única, diferente, memorável.

Além disso, mais uma vez vemos Spear despedaçar-se e, nesse processo de ruína, ganhar um pouquinho mais de humanidade, algo representado não só pela maneira como ele se sacrifica para salvar Mira, como especialmente pelo terno momento em que ele, todo costurado por uma Mira ainda fazendo de tudo para sacudir sua memória e com Fang desconfiada ao fundo, os Fanguinhos aboletam-se ao seu lado, mostrando a todos ali que pode até não parecer, mas aquela criatura em decomposição ainda é, contra todas as probabilidades, Spear. Com isso, a equipe completa do final da temporada anterior está de volta, o que pode levar a momentos nostálgicos de ação nos capítulos que faltam, mesmo que o processo brutal que consome o corpo de Spear pareça irreversível e que eu, sinceramente, espero que seja, de maneira a evitar um final que reverte, com um passe de mágica, a morte do neandertal.

Genndy Tartakovsky, em sua bizarra tentativa de “desfazer” o que fez com Spear, acerta novamente e faz de Nenhuma Sombra Entre os Mortos um episódio exemplar em uma temporada que continua sua jornada de redenção da série. Ainda há muito pela frente, é verdade, e nós sabemos pela frustrante experiência do ano anterior que é agora que os problemas narrativos mais sérios podem começar a se manifestar, mas, com base em tudo que vi até agora nessa nova temporada, tenho esperanças de que o caminho escolhido renderá todos os frutos que esperamos. Uma coisa pelo menos é certa: vai ter morticínio de porcos do inferno no próximo episódio!

Primal – 3X05: Nenhuma Sombra Entre os Mortos (Primal – 3X05: The Dead Cast No Shadow – EUA, 08 de fevereiro de 2026)
Criação: Genndy Tartakovsky
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Darrick Bachman, Genndy Tartakovsky
Elenco: Aaron LaPlante, Laëtitia Eïdo, Tre Mosley, Phil LaMarr
Duração: 22 min.

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