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Crítica | Primal – 3X09: A Coroa Vazia

Ou seria "O Episódio Vazio"?

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Não tive muito o que falar de O Desague da Vida, pois classifiquei o episódio como o primeiro e tímido começo de uma trilogia de encerramento da temporada. E eu estava certo nessa classificação informal, já que A Coroa Vazia é inescapavelmente o segundo passo que nos aproxima do fim. No entanto, confesso que eu não esperava que Genndy Tartakovsky fosse enrolar sua história, fazendo-a caminhar de lado em um irritante compasso de espera do derradeiro episódio, como se ele precisa contratualmente chegar aos 10 capítulos por temporada (e eu não duvido nada que haja essa estipulação em seu contrato, vale dizer). Se a coroa é mesmo vazia – e sem dúvida ela é – diria que o penúltimo episódio da terceira temporada é ainda mais, sem acrescentar nada que não seja a determinação do destino mais fácil para Spear zumbi.

Tartakovsky tinha duas escolhas: matar Spear novamente, dessa vez em definitivo, ou reviver Spear por completo, deszumbificando-o. A primeira alternativa é a que eu sinceramente preferiria, por ser a mais ousada, mas a segunda era a que eu, no fundo, sabia que seria seguida diante do que ela permite que seja feito com a série, ou seja, perpetuá-la. Claro que ele tem um terceiro caminho que seria realmente interessante, mas que duvido que ele execute, que é nos dar a esperança de que Spear voltará ao normal, somente para, então, matá-lo de vez. Diante do que foi apresentado aqui, parece-me, porém, que o que teremos é Spear retornando ao seio de sua família novo em folha, possivelmente até com sua mão reconstruída. Não culpo Tartakovksy por se decidir por esse caminho – se ele se confirmar, lógico -, mas confesso que não gostei nada da “virada de chave”, com Spear ainda fisicamente zumbi, mas mentalmente muito próximo do que ele era antes, desenhando na parede da caverna em um momento e, no seguinte, já aparecendo reconstruído, sem o “corte de cabelo”, sem as cicatrizes e com a mandíbula recomposta. Foi brusco demais, especialmente se considerarmos que estamos no segundo episódio desse processo que, em termos narrativos, simplesmente precisava ter começado no anterior em discretos incrementos visuais.

Os diversos novos desafiantes pela coroa cansaram. Se eles já haviam conseguido esse feito em O Desague da Vida, aqui nem mesmo a tentativa de Tartakovsky de criar personagens diferentes um do outro funcionou de verdade, mais parecendo pastiche do que algo com a mesma pegada da série como um todo. Sim, é simpático Spear ver sua filha em todo lugar e ele começar a construir um brinquedo para ela com espólios de suas vitórias (nada como um brinquedo com história de sangue e violência para construir caráter…), mas o preço cobrado para que isso aconteça é a repetição ad nauseam do que já havia sido feito na semana passada, o que alimenta ainda mais a percepção de que Spear zumbi deixou de ser zumbi de um segundo para o outro, sem que os 40 e tantos minutos dos dois capítulos somados fossem usados para criar a impressão de passagem de tempo e de re-humanização do protagonista.

Mira, Fang e seus filhos tentando achar Spear era minha esperança de que o episódio fosse enveredar por caminhos mais interessantes e desafiadores, mas tudo o que vi foi Tartakovsky brincar com as crianças da história, seja a particularmente super-desenvolvida filha de Mira e Spear que, dias depois de nascer, já está engatinhando, seja os Fanguinhos brincando com ela. Simpático sem dúvida, mas… deslocado… sem peso. E o mesmo vale para o “lobisomem” de olhos flamejantes que violentamente ataca o grupo, aparentemente ferindo Fang seriamente (vai ser ridículo se ela morrer…), pois a impressão que tive foi de ver algo genérico, que só existe para justificar a sequência de exploração que simplesmente deveria ter sido encurtada e mantida só no aspecto exploratório, pois nem tudo precisa ter sangue e vísceras, nem mesmo uma série violenta como Primal.

A Coroa Vazia é definitivamente vazio. Claro que os visuais continuam lindos e a animação é muito boa, mas isso só não basta, especialmente se lembrarmos o que Primal foi até a metade da segunda temporada e o que vinha sendo até o sétimo episódio da terceira temporada. Essa estirada final parece cansada, desmotivada e perdida, sem bom uso da minutagem que não seja a enrolação para chegarmos ao derradeiro episódio que, espero, mude minha impressão dessa trilogia de final de temporada. Se Spear viver, ótimo, que assim seja, mas é necessário algo mais do que isso, algo que reacenda a inegável força que a série tem.

Primal – 3X09: A Coroa Vazia (Primal – 3X09: The Hollow Crown – EUA, 08 de março de 2026)
Criação: Genndy Tartakovsky
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky
Elenco: Aaron LaPlante, Laëtitia Eïdo, Fred Tatasciore
Duração: 22 min.

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