Crítica | Projeto Nim

estrelas 4,5

Um projeto científico da década de 1970 chamou a atenção do mundo. A proposta dos biólogos, psicanalistas, linguistas e outros envolvidos, era a de criar um chipanzé como se fosse um bebê humano e ensiná-lo uma complexa linguagem de sinais. Assim nasceu o o projeto que mudaria para sempre a vida de Nim, um chipanzé que foi retirado de sua mãe quando ainda era bebê, e que passou por diversos estágios de aprendizado de uma linguagem de sinais, morando inicialmente na casa de uma das envolvidas no projeto e depois sendo transferido para diversas outras instituições. A película de James Marsh acompanha a vida de Nim do nascimento à morte. O documentário é um dos mais emocionantes da 35ª Mostra SP, e não foi apenas uma pessoa que vi chorar ao final da sessão.

O embate entre Cultura e Biologia estava em alta nos anos 1970. A tentativa de compreender o processo de apreensão cultural e moldagem do ser e caráter social humanos foi levado à Universidade Columbia por um professor que tinha uma tese interessante sobre a possibilidade da um animal adquirir características de comunicação inteligente através de sinais. É nesse mundo que o recém-nascido Nim é inserido, como objeto de um estudo científico.

Em uma forma interessante, vemos apresentados os professores do chipanzé, seus traumas, as mudanças em suas vidas a partir do projeto e os que sofreram ataques quase mortais do símio que já adquiria uma força da qual não tinha noção. O documentário alcança um patamar emotivo porque a história de Nim tem todos os ingredientes para um denso drama familiar.

Entre alegria, companheirismo, sofrimento e abandono, assistimos a uma vida modificada “pelo bem da ciência” e como os cientistas envolvidos tiveram suas vidas modificadas pelo objeto de estudo. Projeto Nim é um documentário sensível e marcante. A natureza humana e a natureza animal se confundem e a conclusão a que chegamos ao final do longa nos pega de surpresa. Quem é o selvagem em toda essa história?

Projeto Nim (Project Nim, UK, 2011)
Direção: James Marsh
Roteiro: James Marsh
Duração: 90min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.