Crítica | Pulse (2006)

Pulse, refilmagem do japonês Kairo, traz pessoas que em determinado momento da narrativa, buscam ser parte de uma existência sem sinais de qualquer rede wi-fi. A premissa, dirigida por Jim Sonzero, cineasta guiado pelo roteiro de Wes Craven e Ray Wright, é a suposta (e depois comprovada) invasão de fantasmas que chegam ao nosso plano físico através da internet. O problema é que estas entidades não querem apenas fazer uma breve visita. Eles promovem tanto medo e horror, em especial, por causa do design de som de Steven Avila, em carga auditiva exaustiva quando estes monstros aparecem para os personagens e, consequentemente, para os espectadores, presenças sombrias também angustiantes pela trilha sonora de Elia Apiral, sempre barulhenta, haja vista o uso de metais pesados quase ensurdecedores. Plano Crítico.

Hoje as discussões metafóricas sobre a internet são consideradas por alguns como algo ultrapassado, ou talvez, debatido demais, afinal, desde Jogos de Guerra e A Rede, ambos de 1983 e 1995, a cultura cibernética se apresentou dramaticamente como um âmbito da vida humana repleto de vantagens e desvantagens. Lógico que há muitas possibilidades interessantes na internet, meio que promoveu o que chamarei aqui de “democratização da globalização”. Ser global não era mais uma exclusividade das elites, mas ao passo que as demandas de mercado exigiram mais acesso aos demais segmentos da sociedade, as conexões aumentaram e hoje, salvaguardadas as devidas proporções, estamos todos no mesmo barco dos aplicativos e redes sociais, alguns com pacote de dados sofisticados, outros dependentes de ofertas limitadas, mas em geral, boa parte tem acesso ao bendito sinal que nos permite ser parte da cibercultura.

Pulse, refilmagem do japonês Kairo, traz pessoas que em determinado momento da narrativa, buscam ser parte de uma existência sem sinais de qualquer rede wi-fi. A premissa, dirigida por Jim Sonzero, cineasta guiado pelo roteiro de Wes Craven e Ray Wright, é a suposta (e depois comprovada) invasão de fantasmas que chegam ao nosso plano físico através da internet. O problema é que estas entidades não querem apenas fazer uma breve visita. Eles promovem tanto medo e horror, em especial, por causa do design de som de Steven Avila, em carga auditiva exaustiva quando estes monstros aparecem para os personagens e, consequentemente, para os espectadores, presenças sombrias também angustiantes pela trilha sonora de Elia Apiral, sempre barulhenta, haja vista o uso de metais pesados quase ensurdecedores.

Diante do exposto, o temor: as presenças do plano sobrenatural não apenas querem estar por aqui, mas também promovem uma onda de suicídio para aqueles que decidem insistir em contato. Tudo começa quando Hattie (Kristen Bell), uma dedicada estudante de Psicologia, testemunha a morte de seu namorado Josh (Jonathan Tucker), um jovem que carrega um vírus em seu computador pessoal e nem sequer imagina que acessa páginas conectadas aos âmbitos mais sombrios do ciberespaço. Ela enfrenta o luto, segue com sua vida, mas recebe constantemente algumas mensagens com a breve frase” “help me”. Intrigada, Hattie decide procurar por respostas, padrão destes filmes, até que encontra Dexter (Ian Somerholder), o comprador do notebook de Josh. Inicialmente, ela acredita que tudo seja uma brincadeira de péssimo gosto, mas a verdade é muito mais horrenda que um simples ato humano de maldade.

Descobre-se que ele utilizou uma rede wi-fi perigosa, abertura de portal que trouxe fantasmas para a nossa dimensão. Agora a luta de todos os envolvidos é sobreviver aos terríveis seres criados pela equipe de Kevin O’Neill, supervisor de efeitos visuais, criaturas que deixam as pessoas em paz apenas quando não há sinal de internet. A mensagem? Alegoria pura para os males da cibercultura em nossas vidas. Isso pode ser visto de maneira bem bacana na primeira metade do filme, quando um dos personagens vende DVDS com produções que ainda serão lançadas meses depois do momento em questão, numa gozação com os efeitos da pirataria. A internet, em Pulse, é o terreno da destruição, o espaço para o estabelecimento do caos.

Para nos contar essa história, a direção de fotografia investe num tom azulado que nos remete aos filmes de temática cibernética. Assinado por Mark Plummer, o setor é competente no desenvolvimento dos cantos escuros e da profundidade de campo para nos fazer temer o destino dos personagens que tal como as narrativas de zumbis, é pessimista e segue de acordo com a ideia de que chegamos a um ponto tão avançado de destruição, neste caso, das relações comportamentais, que não há mais volta. Os protagonistas parecem conseguir encontrar o caminho da salvação, mas para isso, torna-se necessário viver onde não haja “conexão”, haja vista o interesse de manter-se a salvo das criaturas estruturadas pelo design de produção de Gary B. Matteson, tido como exagerado/mal concebido por espectadores mais exigentes.

Ao longo de seus 90 minutos, Pulse traz problemas em sua execução, especificamente no roteiro, afinal, falta carisma para os personagens em suas trajetórias. Além dos mais, há carência de necessidades dramáticas realmente empolgantes, algo que nos faça purgar pelos destinos apresentados. Isabella Fuentes (Christina Millian) e Stone (Rick Gonzalez) são coadjuvantes que surgem em cena para ajudar a protagonista no exercício de seus diálogos em busca de resolução para os conflitos. O professor Cardiff (Zach Grenier) representa o antagonismo no cotidiano acadêmico de Hattie, balanceado com o Dr. Waterson (Ron Rifkin), terapeuta que serve de explanação do perfil psicológico da personagem. Ademais, um filme de terror mediano, sem grandes momentos de intensidade, provavelmente concebido para ser algo mais impactante, mas que infelizmente não alcançou os objetivos gerais e específicos de sua jornada dramática.

Pulse — Estados Unidos, 2006
Direção: Jim Sonzero
Roteiro: Wes Craven, Ray Wright
Elenco:Amanda Tepe, Christina Milian, Ian Somerhalder, Jonathan Tucker, Kristen Bell, Rick Gonzalez, Riki Lindhome, Samm Levine, Tate Hanyok
Duração: 90 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.