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Crítica | Punho de Ferro – 1ª Temporada

por Roberto Honorato
119 views (a partir de agosto de 2020)

Finalmente chegou na Netflix a primeira temporada de Punho de Ferro, a série que faltava para completar os Defensores (grupo que junta os personagens das adaptações da Marvel: Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage). Demolidor teve duas temporadas muito bem recebidas  pelo público. Jessica Jones teve reações divergentes, mas ainda assim foi uma boa sequencia do que a Netflix estava fazendo. Luke Cage foi o primeiro tropeço, talvez pelo ritmo mais cansativo e algumas decisões estranhas que a série tomou na segunda metade da temporada fizeram com que não fosse tão bem aceita assim, mas pelo menos rendeu uma quantidade recorde de “visualizações” no serviço de streaming.

A próxima série seria Punho de Ferro, que conta a história do jovem Danny Rand (Finn Jones), que sofre um acidente aéreo com seus pais quando criança. Quinze anos depois, volta para casa, mas agora não sabe como explicar o que aconteceu depois do acidente, principalmente a parte onde ele agora possui os poderes de uma entidade conhecida como Punho de Ferro e precisa deter uma organização secreta. Queria muito poder dizer que foi uma maravilhosa adaptação dos quadrinhos, ou que era uma ótima série de ação, ou que era até mesmo divertida. Mas eu não consigo. Punho de Ferro conseguiu falhar em alguns aspectos básicos, como a direção. São treze episódios dividido em doze diretores (um deles dirige dois episódios, John Dahl), mas nenhum deles parece decidir o que quer com a série.

A primeira coisa que você nota é o ritmo, bastante arrastado e cansativo em algumas partes, mas o que mais me incomodou foi como preguiçosa pareceram algumas direções. Sendo uma série do Punho de Ferro, o mínimo que você espera é que a ação seja de qualidade, mas a coreografia é decepcionante. Travada e sem emoção, você pode até notar em uma cena com a personagem de Jessica Henwick, Colleen, como ficam evidentes os problemas. Ela dá um golpe e recebe outro, sendo que ela estava parada esperando receber um, como se estivesse ali apenas seguindo a marcação. Não existe problema algum nisso, afinal são atores, mas a forma como tudo foi executado, tira toda a graça da cena. Se for pra comparar, Demolidor fazia um ótimo trabalho nesse departamento.

Mas isso poderia ser só um detalhe se também não fossem cenas sem imaginação, elas poderiam ter ficado belíssimas se aproveitassem o potencial que o material proporciona, e eu nem falo de quadrinhos, eu falo de todo o conceito em volta da série. Temos personagens que sabem artes marciais, elementos místicos, cultura oriental… pense em quanto poderia ter sido criado em volta disto ao invés de focar metade da atenção da série em resolver disputas com engravatados e grandes corporações. A luta contra engravatados pode ser algo muito importante, mas só quando isso não foi feito em quase todas as séries do gênero. Em Punho de Ferro, este elemento corporativo é necessário por um ou dois episódios, mas perde seu sentido rapidamente.

Outro problema são os diálogos fracos, que repetem constantemente o que você já sabe, sem contar as vezes que revelam coisas que não deveriam, comprometendo a própria construção dos personagens. Nenhum deles parece convencer e você não sabe exatamente porquê eles estão ali a não ser que ele mesmo explique (sabemos que alusões religiosas são constantes em filmes e séries de heróis, mas um personagem chega a dizer que ressuscitou depois de três dias). Sabemos que a série tenta fazer de Danny um rapaz inocente e de bom coração, mas ele não deveria ser tão ingênuo a ponto de contar para todos detalhes que deveriam ser mantidos em segredo. Eu sei, mais uma vez, é só um detalhe, mas que se repete e ilustra bem o que quero dizer.

Mas nem tudo é um problema. A série chega a dar uma melhorada nos últimos três episódios, com um avanço no ritmo e na trama, e algumas locações são convidativas e a direção de arte é competente quando quer. Sim, os personagens tem vários defeitos, principalmente de estrutura, mas tem seu charme. Colleen, que já mencionei, é as vezes até mais interessante de se ver do que o próprio Danny. Tom Pelphrey, que interpreta Ward Meachum, começa e termina caricato, mas parece ser o único que realmente “evolui” (aspas por motivos de “não quero dar spoiler”). Rosario Dawson volta mais uma vez como a enfermeira Claire, e por mais que estejam ficando um pouco ridículas as situações e coincidências que levam ela para os membros dos Defendores, ela é uma ótima atriz e aproveita seu tempo em tela. O maior desperdício é David Wenham, como Harold Meachum. Ele entra para a triste lista de vilões ruins da Marvel. Em uma linha de personagens excelentes como Wilson Fisk, Kilgrave e Cottonmouth, Harold se faz o mais fraco, com uma história pouco intrigante e um personagem de poucas dimensões. Até mesmo Cascavel, da série Luke Cage, tinha sua graça, com sua atuação exagerada, mas era divertido de assistir.

No fim, Punho de Ferro é uma tentativa de inserir o personagem em uma sequencia, mas soa mais como uma adição obrigatória ao catálogo da Netflix/Marvel. O rumo preguiçoso e sem imaginação que a série toma, reciclando — desnecessariamente — um pouco do enredo das séries anteriores mostra como desperdiçaram uma ideia tão boa. Com problemas que poderiam ter sido facilmente resolvidos, só imagino como seria se alguém pegasse este material e realmente se divertisse com ele. Faltou vontade.

Punho de Ferro – 1ª Temporada (Iron Fist) — EUA, 2017
Direção:
 John Dahl, Farren Blackburn, Uta Briesewitz, Deborah Chow, Andy Goddard, Peter Hoar, RZA, Miguel Sapochnik, Tom Shankland, Stephen Surjik, Kevin Tancharoen, Jet Wilkinson
Roteiro: Scott Buck, Scott Reynolds, Gil Kane, Roy Thomas, Dwain Worrell, Ian Stokes, Quinton Peeples
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Jessica Stroup, Tom Pelphrey, Barrett Doss, David Wenham, Clifton Davis, Rosario Dawson, Ramon Fernandez, Wai Ching Ho, Carrie-Anne Moss
Duração: 13 episódios de aprox. 55 min.

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