Crítica | Qualquer Gato Vira-lata

estrelas 2

Qualquer Gato Vira-lata (2011) é a segunda peça teatral de Juca de Oliveira adaptada para o cinema. A primeira, Caixa Dois (2007), foi uma fraca comédia de cunho social dirigida por Bruno Barreto, que não conseguiu muita coisa. Desta vez, a nova peça ganha tratamento jovem e a história de um romance chega ao ponto máximo das repetições cinematográficas e motivos estéticos passáveis, apenas aliviados pela simpatia do elenco e pela espirituosa veia cômica encabeçada por Álamo Facó.

Na mesma linha de Hitch, o Conselheiro Amoroso (2005) e Ele Não Está Tão A Fim De Você (2009), o filme brasileiro traz a história do namoro fracassado pela canalhice de um “pegador” e pela impertinência de uma namorada (a estonteante Cléo Pires), que de sobra, não possui um grama de autoestima. Então aparece um professor de biologia com uma tese sobre o comportamento do animal macho, aliando esse comportamento como uma forma de entender (?) o modus operandi da sedução masculina e as escorregadas do sexo feminino. Eis o espaço aberto para as dicas sobre conquista/reconquista, abandono, desencontros amorosos e a obviedade do happy ending. Acrescenta-se ainda o cunho estranhamente machista que pontua a obra.

Mas apesar de ser um amontoado de tudo o que já se viu em comédias românticas, o filme de Daniela De Carlo e Tomas Portella chega, a algum ponto, a agradar, porque toca na ferida mais constante dos relacionamentos e o drama romântico e cômico daí surgido não deixa o espectador passar incólume – principalmente pela “decupagem do exagero” empreendida pelos diretores, numa forma interessante de repetir sem mostrar que repetiu.

Um dos pontos a se elogiar no filme é a sua duração acertada. Embora a edição não seja algo de destaque, o filme traz uma agradável leveza e vivacidade que acaba por fazer os 95 minutos de projeção passarem rápido. A trilha sonora, no entanto, é algo mal aproveitado, e o erro reside na colocação das músicas, não na escolha. A cartilha novelística guia o restante da película, que a despeito de sua mesmice, não se permite ser odiada, dando para o espectador vários elementos que lhe permitam lembrar do filme com o mínimo de boas impressões, mesmo que o resultado de todo o conjunto não seja bom.

Não há por quê se estender mais. Qualquer Gato Vira-lata é um reflexo do pensamento atual sobre relacionamentos amorosos e uma junção de tudo o que já se produziu no cinema do gênero. É possível rir e divertir-se. Mas a qualidade do produto não é lá essas coisas. Se tiver tempo, assista.

Qualquer Gato Vira-lata (Brasil, 2011)
Direção: Daniela De Carlo e Tomas Portella
Roteiro: Claudia Levay, Júlia Spadaccini (adaptação da peça de Juca de Oliveira)
Elenco: Cléo Pires, Malvino Salvador, Dudu Azevedo, Álamo Facó, Rita Guedes, Jean Pierre Noher, Kiko Mascarenhas, Gillray Coutinho, Veronica Debom
Duração: 95min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.