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Crítica | Quarteto Fantástico (2015) – Trilha Sonora Original

por Davi Lima
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Quarteto Fantástico

Em 2015, na nova empreitada da antiga produtora e distribuidora Twentieth Century Fox de trazer uma nova versão de Quarteto Fantástico para o cinema, com uma nova trilha sonora original para sustentar materialmente e emocionalmente a experiência com o filme, em termos gerais de função. Mas antes de compreender uma visão crítica sobre a composição sonora, alguns pontos necessitam a ser elencados sobre a famosa Soundtrack, a música cinematográfica.

Em primeiro lugar, a trilha sonora de um filme intrinsecamente fundam o corpo emocional, como se fundamentam na base estilística da imagens. Em segundo lugar, composições sonoras para filmes se argumentam em cenas, na montagem, sugerindo uma unidade da mesma forma que uma obra audiovisual almeja. E por último, a crítica de música não incidental, projetada para ser mixada com a fotografia e toda a composição sonora, pode soar injusta sem compreender os contextos das trilhas, assim como a trilha pode ser prejudicada pelas as alterações em medida narrativa, e uma edição de som problemática que não é culpa dos compositores de partitura. 

Partindo disso, mesmo que o diretor Josh Trank do filme Quarteto Fantástico de 2015 tenha conseguido a presença do ilustre músico chamado Philip Glass para compor a trilha sonora original da sua obra audiovisual, há muito mais a compacta e pragmática execução do compositor Marco Beltrami, e muita insegurança de se assumir um tema consistente para um filme confuso em suas direções emocionais de construção. Entre os ápices dessa construção, assim como no filme, seja as faixas que envolvem Ben Grimm e Reed Richards, como The Garage, Baxter, que são os prelúdios da história, a amizade que fomenta um sonho e um drama. Essas faixas também preservam algo mais orquestral e temático, ou ao menos as notas de originalidade e sci-fi que Philip Glass implementa na faixa Fantastic Four Prelude com uma flauta, um fagote e provavelmente um órgão que misturadas com um bumbo, as 4 notas tocadas soa como a filosofia científica que Josh Trank parece querer implementar no gênero de heróis, numa espécie de iconoclastia dramática quanto aos poderes e a des maravilha de tê-los. Por isso a tensão de bumbos, por exemplo. Mas essa orquestra tão diversa não de mantém, embora o centro temático com trombone e o violino ressoem bem forte, ou com um violoncelo para causa tensão e o violino vindo como um teor mais dramático em The Garage

Logo, é verdadeiro theme modificado por motifs mais mixados tecnologicamente, como em Baxter no começo, ou termina com algo oniricamente nos tons do teclado. Sem dúvida um trabalho de Beltrami que complementa e impõe sua arte em busca de alinhar essa unidade de Glass, como na pequena faixa de The Lab aparece sons da primeira faixa Fantastic Four Prelude, sempre nessa estranheza sinfônica, do nerd Reed Richards incompreendido e que admira de maneira idolatra a ciência. Enquanto Marco Beltrami, conhecido por trabalhar em parcerias, dessa vez faz o trabalho considerado menos intelectual, como na faixa Ben’s Drop que implementa o drama aterrorizante, a quebra de amizade em meio os poderes assustadores de um acidente científico. Beltrami conhecido por trabalhar com Guillermo Del Toro em Blade II e Hellboy, ou até mesmo na franquia Pânico, fecha a composição que provavelmente o diretor Trank queria, um toque comercial e tenso na medida industrial que ele estava trabalhando com a FOX para fazer de Quarteto Fantástico um filme de super-heróis.

No entanto, embora tudo soe inovador, assim como no filme, seja com regravações ou não, em vista que muito do grande corpo da trilha não é aproveitado na obra, algo bem comum no processo de pós-produção, perde-se a unidade, a coerência sonora além dos ápices de construção dramática por uso de prelúdios. Building  the Future talvez inicie a usar o theme de maneira complementar, não mais central, usado no processo de cena acelerada de um laboratório, ou de passagem de tempo. Mesmo que faça parte da questão científica, e toda a idolatria de Reed, não há mais estranheza linkada, existe uma espécie de “normalização” dramática, que empolga, mas desmistifica aos poucos o projeto de Philip Glass com Beltrami como fonte inicial. É o início de tornar os meandros heróicos em ação para a finalização desajustada do filme, bem diferente em como Launch One retoma a estranheza da ficção científica, até mesmo dos bumbos. Porém, até isso Marco Beltrami parece buscar alguma originalidade em conexões dramáticas que o filme de Josh Trank fomenta isoladamente, como Johnny Storm e Victor Von Doom com Reed richards, a união da ciência, o anseio máximo, em que o theme é retomado, mas as agregações parecem ser o último suspiro de uma orquestra, pois na progressão dramática mais intensa Beltrami parece querer modernizar com a tecnologia, como já avisa a faixa Maiden Voyage.

Não que Marco Beltrami não tenha suas qualidades, o seu trabalho diante de uma conturbada produção de regravações muito modificadoras da narrativa, como aparenta no uso original da trilha, acaba por a raiz orquestral se tornar secundária para um pragmatismo de execução mais direta. A faixa Footprints é muito exemplo disso, um efetiva tensão misturada com vislumbre, com todos os teores de uma viagem espacial, usando o theme como motif, até. Nada mais lembra Philip Glass quando se aproxima no final de Quarteto Fantástico, talvez um clarinete aleatório, mas começa a se enveredar com algo semelhante de Clint Mansell, no uso tensionado dedilhado de um contrabaixo, numa volta de uma orquestra poderosa no final da faixa The Search, para dar ênfase na busca por Reed Richards, o que retoma a sua importância narrativa sonoramente, mas em nada se parece com os projetos iniciais, como uma grande beleza original isolada no meio da grande partitura. Semelhante a esse fervor original, o apelo sonoro para a insurgência do vilão no filme compete felizmente com o tom assustador, mas assim como no filme, ou no que ele vai se tornando, é um alto nível de cena violenta que chega no momento de definir o filme de herói, não de ápice emocional construído. Embora o theme felizmente apareça na trilha resumo dessa descrição chamada He’s Awake, só forma-se um show à parte, bem à parte.

Enfim, ou se ouvir a trilha sonora de Quarteto Fantástico seja denominado com alto e baixos, em que claramente representa o filme em proposta problemática de má completude artística por parte do diretor Josh Trank em suas ideias. No se ouvir é possível compreender que existe uma narrativa encurvada e que depois não continua, apenas caminha comercialmente com sons orquestrados de repetição e empolgação que poderiam ser colocado em outros filmes. Strength in Numbers é a faixa que define isso, o que muitos chamam de genérico, mas pode-se chamar de exequível industrial diante de uma chamada parceria de Philip Glass para propor algo diferente, algo chamado por críticos de trilha como tom artesanal. Para amantes do músico famoso alguma coisa de bom pode se encontrar, mais na trilha isolada do que no filme, ou se satisfazer com o End Titles, uma dose de filme de herói com notas de partitura bem diferentes na parte mais secundária. Para os apreciadores de Marco Beltrami do também Guerra Mundial Z podem ver como o compositor é um dos tapa buraco de qualidade da indústria cinematográfica.

Fantastic Four: Original Motion Picture Soundtrack
Composta por Marco Beltrami & Philip Glass
País: Estados Unidos
Lançamento: 2015
Gravadora: Sony Classical
Estilo: Trilha Sonora

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