Crítica | Questões Pessoais

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estrelas 4

Em sua estreia como diretora, Maha Haj não pode deixar de trazer pequenos elementos do cinema de Elia Suleiman, um dos diretores com quem trabalhara antes, como diretora de arte, e através desses elementos, enquadrou os dilemas de três diferentes gerações de uma estendida família palestina, todos sofrendo, a seu modo, com problemas de não-comunicação e tentando achar no outro algo que talvez estava em si mesmo. Tensão, isolamento — não depressivo, mas intenso — e notas de absurdo fazem parte do roteiro, também assinado pela diretora, que em meio a tantos problemas individuais, retrata sutilmente a questão política entre Israel e Palestina.

O espectador não deve procurar imitação da vida ou rapidez na forma como os dramas são mostrados aqui. Quem guia a obra é o casal mais velho, o pai e a mãe de três filhos que também serão mostrados, cada um com seus relacionamentos (ou falta deles) e problemas em se ajustarem aos desejos dos pais. O velho casal não conversa mais. Cada um está imerso em seus afazeres mecânicos, mas aquela situação incomoda a ambos. O pai, pedindo ajuda aos filhos, é quem dá o grande passo para que tudo seja resolvido. Até que, em uma situação bastante peculiar, ele percebe o problema e faz a pergunta certa para sua esposa.

Os sentimentos e as ações cotidianas aparecem no melhor modelo de família nuclear, com uma união às vezes agressiva, que cobra e até obriga o outro a fazer isto ou aquilo de suas vidas, mas fica evidente que não há maldade envolvida. As situações-limite a que esses personagens são expostos os forçam a conversar, a colocar para fora coisas que os incomodam ou a fazerem as perguntas das quais tanto têm medo.

Em alguns casos, a espera pode causar desentendimentos que, sem querer, ganham resultados sociopolíticos. O espectador tem a impressão de que a diretora está evitando questões mais profundas nessa esfera, mas não é este o caso. Há um bom contexto para as pequenas entradas nesse âmbito, e é melhor que seja assim, em vez de existir um tsunami de críticas que atiram para todos os lados e não trazem nada de novo, relevante ou mesmo dramaticamente justificável no filme, para esta questão.

O período em que passou na decoração de cenários deu a Haj uma boa experiência em como fazer o ambiente adicionar muita coisa à história que está sendo contada. Mas ela tem uma ajuda adicional do roteiro, para falar a verdade. Como cada filho mora em um lugar diferente, há uma diferente exigência de trabalho fotográfico e direção de arte, perfeita deixa para que esses cenários sirvam para ressaltar a personalidade ou atmosfera da trama em destaque m cada um desses blocos. O contraste entre a residência do filho da Suécia e dos filhos em Ramallah, na Cisjordânia, ou dos pais em Nazaré, distrito norte de Israel, são o bastante para contextualizar o lugar, tanto que a diretora não precisa de planos externos de inserção para situar o espectador.

Questões Pessoais é uma obra familiar parcialmente densa e parcialmente cômica, que destaca a necessidade do diálogo, seja entre cônjuges, seja entre pais, filhos, irmãos. O roteiro não entrega verdades prontas e nem reafirma a “lição final” para o público, deixando-nos em momentos de virada em cada núcleo familiar, realizando algo que potencialmente pode mudar suas vidas. Esse meios-atos bastam, para bons entendedores.

Questões Pessoais (Omor Shakhsiya) — Israel, 2016
Direção: Maha Haj
Roteiro: Maha Haj
Elenco: Maisa Abd Elhadi, Ziad Bakri, Jihan Dermelkonian, Hanan Hillo, Amer Hlehel, Doraid Liddawi, Mahmoud Shawahdeh, Saana Shawahdeh
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.