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Crítica | Raised by Wolves – 1X04 e 5: Nature’s Course e Infected Memory

por Luiz Santiago
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  • SPOILERS! Para ler as críticas dos outros episódios clique aqui.

Com Nature’s Course e Infected Memory lançados no mesmo dia, a HBO Max chega ao meio desta temporada inicial de Raised by Wolves tirando de cena uma dúvida que possivelmente tivesse ficado dos capítulos iniciais do show: se tivesse a oportunidade de começar de novo e sabendo exatamente do que deu certo ou errado, a humanidade faria bom uso dessa nova chance? Haveria algum tipo de tentativa de reparar erros, fazer as pazes com inimigos e educar os filhos dessa nova civilização de uma outra forma? Para Aaron Guzikowski, definitivamente não.

Seguindo a mesma base de apresentação progressiva do que aconteceu no passado + o desenvolvimento de uma porção de mistérios na superfície de Kepler-22B, o texto deixa claro que não haverá muita diferença na construção dessa nova civilização, já que em sua própria raiz, questões muito fortes envolvendo poder, mentiras e crimes fazem parte do menu do dia. Isso sem contar o andamento de um conflito ideológico que foi muito nocivo para a humanidade na Terra e que aqui já cumpre um papel de grande preparação trágica: o entendimento de mundo dos religiosos do Sol e o entendimento de mundo dos ateus, aos quais Mother (Amanda Collin) e Father (Abubakar Salim) pertencem.

Uma das discussões centrais é o que alguém é capaz de fazer para conseguir poder. Ora, se estivéssemos em uma trama conhecida, em nossos, dias, em nosso planeta, já teríamos de cara a resposta para essa pergunta. Nesse recorte, porém, o roteiro reveste essa busca de muito mais significado, e o que torna a narrativa bem rica em si mesma é o fato de que dois indivíduos no meio dos religiosos na verdade não pertencem àquele meio, dando um grande tom de ironia à máscara que eles exibem enquanto simplesmente desprezam todas as ideias à sua volta. No grupo de exploradores do Sol isso tem um tratamento interessante e entendemos cada uma das posições ali demonstradas. Já no bloco dos ateus isso nos faz ranger os dentes de raiva, com a presença de um religioso insuportável como Hunter (Ethan Hazzard), filho de um Clérigo e que constantemente se acha melhor que todo mundo, corroborando essa “opinião” em nome de sua fé (ora, vejam só!).

Esse conflito, porém, tem uma excelente razão de existir nesse núcleo. Campion (Winta McGrath) já demonstrava um conflito interno em relação à fé antes mesmo da chegada dos humanos, e esse novo fôlego de adoração ao Sol tornou mais complexa a sua relação com os pais e com o grupo de irmãos. Conflitos ligados a alguns dilemas, que também podem ser religiosos, são vistos aqui como cimentadores de algo que pode colocar ainda mais coisas a perder. A discussão sobre o aborto e sobre manter vivo o estuprador religioso, contudo, são “apenas” facetas polêmicas dessa esfera religiosa ou de fé, mas o texto a visita também simbolicamente, em duas frentes: uma com o encontro de Mother e o seu criador (numa estranhíssima e ainda não necessariamente clara relação de memória) e outra com as vozes e visões de Marcus, a nova Eminência dos religiosos (Travis Fimmel), numa das cenas mais visualmente soberbas e misteriosas do quinto episódio.

O primeiro alinhamento dramático da série já estava claro, e nesse meio de temporada fechou-se sobre si mesmo: Marcus e Sue (Niamh Algar) encontraram as crianças, o que significa que os dois grupos vindos da Terra estão reunidos… e a luta ou acordo entre eles deve acontecer em breve. Dentro de cada um desses grupos, porém, novos conflitos aparecem, o que mostra que nada será “tão simples” como vencer apenas uma batalha. As criaturas estranhas do planeta, o habitante daquela ossada e o caráter de fantasia que cada vez mais se embrenha na ficção científica são coisas que nos fazem pensar. Fiquei bastante intrigado com a ideia de que havia no planeta uma antiga civilização. Isso talvez faça ecos a Planeta dos Macacos, mas quero crer que não seja algo nesse sentido. Por hora, só me deixa pasmo e incomodado o fato de que Mother, no seu modo Necromante, não tenha tido ideia de fazer um tour pelo planeta, talvez abrindo novas novas possibilidades para a própria série. De todo modo, coisa é o que não falta para se desenvolver nessa segunda metade da temporada. Vamos ver onde isso irá nos levar.

Raised by Wolves – 1X04 e 5: Nature’s Course e Infected Memory (EUA, 10 de setembro de 2020)
Direção: Luke Scott (episódio 4) e Sergio Mimica-Gezzan (episódio 5)
Roteiro: Aaron Guzikowski, Heather Bellson
Elenco: Amanda Collin, Abubakar Salim, Winta McGrath, Niamh Algar, Travis Fimmel, Jordan Loughran, Matias Varela, Felix Jamieson, Ethan Hazzard, Aasiya Shah, Ivy Wong, Litha Bam, Garth Breytenbach, Susan Danford, Owen de Wet, Cosmo Jarvis, Daniel Lasker
Duração: c. 53 min. (cada episódio)

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