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Crítica | Raised by Wolves – 1X08 e 9: Mass e Umbilical

por Luiz Santiago
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  • SPOILERS! Para ler as críticas dos outros episódios clique aqui.

Há uma semana estávamos querendo trucidar Hunter, merecidamente. Com esses dois novos episódios de Raised by Wolves, esse desejo talvez tenha ficado para um outro momento. E isso diz algo bem interessante sobre como a série está desenvolvendo os seus personagens. Em tramas de grande enfrentamento entre facções com ideologias e ações bem definidas, é fácil para os roteiristas criarem antagonismos e personagens do tipo “o grande odiado“, normalmente porque a dicotomia de pensamento abre espaço para ações cegas de alguém que prejudica os outros em nome daquilo que pensa, achando que está fazendo o certo. Hunter esteve nesse caminho até os episódios anteriores.

Aqui, porém, ele ganha uma nova camada psicológica, e mesmo que não ela seja fixa, mostra o quanto o show está preocupado em dar variações comportamentais interessantes para cada indivíduo, fazendo-nos recolocá-los em lados distintos de nosso julgamento. Mas não se trata de uma abordagem igual à que os showrunners de The Handmaid’s Tale fizeram com Serena, por exemplo. Hunter teve uma ação condenável, irritante, com seu pensamento doutrinado, cego, apto a forçar a quem quer que fosse a submeter-se ao Sol. Mas um lado do personagem que não havíamos visto ainda era o lado jovem, carente de uma figura familiar (no caso dele, paterna), e isso acaba falando mais forte quando alguém que tentou várias vezes estabelecer um laço (Father, com suas piadas lógicas) é totalmente modificado. Conviver com os militares e os sacerdotes do Sol fez Hunter perceber o quanto sentia falta de um contato humano, de uma relação com alguma figura de autoridade, e ironicamente isso fica marcado para ele através do Father, que é um androide criado pelos ateus. Um sensacional encaminhamento narrativo, não?

Esse arco não foi o único que passou por alguns abalos aqui. A colônia religiosa encabeçada por Marcus simplesmente ruiu e a própria figura de poder que ele representava para a sua religião, também. Embora o caráter de dispersão tenha assumido a cara definitiva — ou seja, pelo menos essa primeira iniciativa falhou, agora partiremos para outra — a intenção de dominar Kepler-22B segue firme e forte, e agora o texto irá se dividir em três grupos para mostrar caminhos diferentes no Finale, puxando o gancho para a já confirmada 2ª Temporada. Não creio que Marcus vá morrer agora, então contarei o núcleo dele como o primeiro. Depois, o núcleo dos soldados que se rebelaram. E por fim, o grande núcleo de Mother, Father, as crianças e Sue, que sentiu na pele a mudança do marido de um ateu para um religioso fanático, realmente confiante de que Sol falava com ele através daquelas vozes e visões (que seguem aqui atormentando Campion e aparecem também para Paul).

Mas o mais estranho de tudo veio obviamente com os fatos ligados ao feto de Mother. Raised by Wolves certamente conta com coisas que desafiam — ou, numa visão mais clara, atropelam — o bom senso, mas parte delas a gente entende como parte de um contexto futurista sobre o qual poucos ou nenhum detalhe nos é fornecido. O que não significa que tudo o que aparece no enredo faça sentido ou seja organicamente aceito na trama. A gravidez de Mother é uma delas. Mas o novo feto não deixa de ser uma adição interessante à história, e fica a dúvida sobre a questão da profecia dos seguidores do Sol — se for essa futura criança, então Mother vai morrer, em breve? — e sobre a integração disso com aquela rocha no meio do deserto ou aquela figura vista nas ossadas uns episódios atrás e que aqui parece parece ter espalhado as placas de metal para atrair Mother e Tempest.

Achei esses dois episódios os mais “fracos” da temporada, em relação aos anteriores, mas o que tivemos nessa dupla foi um ágil andamento da história como um todo, desfazendo a primeira certeza civilizacional por um novo ajuntamento, em outro lugar, e com um novo integrante chegando. Se esse bebê nascer no Finale, talvez já possamos ver como as coisas deverão se organizar em torno dele e que rumo possível Raised by Wolves deverá tomar em seu próximo ano.

Raised by Wolves – 1X08 e 9: Mass e Umbilical (EUA, 24 de setembro de 2020)
Direção: Alex Gabassi (episódio 7) e James Hawes (episódio 8)
Roteiro: Aaron Guzikowski, Sinead Daly
Elenco: Amanda Collin, Travis Fimmel, Abubakar Salim, Winta McGrath, Niamh Algar, Jordan Loughran, Matias Varela, Felix Jamieson, Ethan Hazzard, Aasiya Shah, Ivy Wong, Cosmo Jarvis, Susan Danford, Litha Bam, Clayton Evertson, Loulou Taylor, Brendan Sean Murray
Duração: c. 53 min. (cada episódio)

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