Home TVMinisséries Crítica | Rambo: A Força da Liberdade (minissérie)

Crítica | Rambo: A Força da Liberdade (minissérie)

por Ritter Fan
433 views (a partir de agosto de 2020)

A impressão que eu tenho, relembrando a década de 80, é que ou tudo nascia como desenho animado e/ou brinquedo ou tudo se transformava em desenho animado e/ou brinquedo. Certamente minhas lembranças estão erradas, mas provavelmente não tanto assim e uma das maiores provas disso foi que, em meio à “Rambomania” causada por Rambo II: A Missão, de 1985, a Ruby-Spears Enterprises, produtora de Thundarr, o Bárbaro, Heathcliff e Marmaduke, Os Centuriões, dentre vários outros desenhos animados clássicos do final da década de 70 até meados dos anos 90, obteve a licença para adaptar Rambo para a televisão na forma de animação. Nascia, assim, Rambo: A Força da Liberdade que teve, em sua única temporada, nada menos do que 65 episódios.

Para testar as águas, os cinco primeiros episódios foram lançados nos EUA ao longo de cinco dias seguidos no mês de abril de 1986 e contavam uma história única, formando uma minissérie “introdutória”. Com o projeto dando certo, os demais episódios foram encomendados e lançados entre setembro e dezembro do mesmo ano, com a inevitável linha de brinquedos para acompanhar, evidentemente, linha essa que andou paralela à linha diretamente conectada com o filme, duplicando a oferta para os ávidos jovens que, como eu, queriam mais era massacrar soldados inimigos em brincadeiras sem a censura do politicamente correto que determina que armas de brinquedo são as causas para todos os males do mundo.

Como todo desenho da década, o cuidado com a animação em si era inexistente. Todos os personagens, com exceção de Rambo e isso porque seus cabelos esvoaçantes presos pela icônica faixa vermelha e o colar que ganhou de Co-Bao em Rambo II o marcam bem, são genéricos e quase que completamente fungíveis, mesmo entre vilões e mocinhos. É o bom e velho molde de um tamanho só que cabia tanto em G.I. Joe quanto ThunderCats, Silverhawks e seja lá o que mais aparecesse pela frente com personagens humanos ou humanoides. Mesmo assim, a série animada até consegue surpreender pelos detalhes usados nos panos de fundo e na tecnologia bélica e pelo bem-vindo uso da trilha sonora originalmente composto por Jerry Goldsmith.

Em termos de trama, tanto a minissérie em questão quanto praticamente todos os episódios seguintes partem da premissa básica dos filmes: Rambo (Neil Ross) é chamado para uma missão ou pelo Coronel Trautman (Alan Oppenheimer) ou por qualquer outra pessoa que precise de sua ajuda. Mas, bem diferente dos filmes – e para vender mais “bonequinhos”, evidentemente – lutam dois outros soldados: Turbo (James Avery), especialista em engenharia, motores e bólidos de todo o tipo e K.A.T. (Mona Marshall), especialista em disfarces e em artes marciais. Depois, outros colegas seriam adicionados, sempre na saudável estratégia de criar em crianças aquela irresistível vontade de azucrinas os pais até que mais um brinquedo fosse acrescentado à coleção.

Do lado de lá, os inimigos recorrentes são os vários integrantes do grupo S.A.V.A.G.E. (uma daquelas siglas com significados hilários como S.H.I.E.L.D.) liderados pelo pelo General Warhawk (Michael Ansara) e seu braço direito Sargento Havoc (Peter Cullen). Não preciso dizer que essa equipe é ainda maior e mais variada do que a Força da Liberdade (sério, esse nome é muito ruim!) de Rambo – parecendo a organização Cobra, de G.I. Joe, com os típicos exageros de rigueur, com seres cibernéticos, ninjas, motoqueiros, terroristas, etc. – com o precioso objetivo de arrancar dinheiro de pais incautos.

Em outras palavras, Rambo, aqui, torna-se um herói de ação unidimensional típico, exatamente o que Rambo II o transformou, mas com a desvantagem de não conter qualquer lembrança de sangue ou violência, já que as armas, nos desenhos, são enfeites que nunca acertam pessoas, só paredes e veículos. Mas, novamente, é uma animação oitentista baseada em personagem ultraviolento, pelo que não havia saída que não diluí-lo completamente ao ponto de ser quase irreconhecível.

Na minissérie inaugural, Rambo é chamado por Trautman para libertar uma republiqueta latino-americana batizada de Tierra Libre (nossa, quanta originalidade!) da opressão do S.A.V.A.G.E., que deseja conquistá-la a todo custo. Apesar de tematicamente ligados, cada um dos cinco episódios conta uma curta história completa, com começo, meio e fim, que invariavelmente começa com um plano dos vilões que é sistematicamente frustrado por Rambo e seus amigos. É a repetição, nos roteiros, da linha de produção para a criação dos personagens: é tudo igual, só trocando uma coisinha ou outra para apresentar a mesma coisa, só que com um verniz diferente. Novamente, trata-se de um padrão da época para esse tipo de animação e não há como esperar muito mais do que isso.

Rambo, obviamente, não era material para uma série de TV animada mirando o público infantil, mas isso nunca impediu que as produções continuassem como se fosse a coisa mais normal do mundo, vide as adaptações animadas de RoboCop, Conan e até mesmo do Vingador Tóxico e dos Tomates Assassinos. Afinal, criança também gosta de uma pancadaria descerebrada de vez em sempre…

Rambo: A Força da Liberdade (Rambo: The Force of Freedom, 14 a 18 de abril de 1986)
Direção: Charles A. Nichols, John Kimball
Roteiro: Mike Chain, Barbara Chain, Rowby, Goren, Jack Bornoff (baseado em personagens criados por David Morrell)
Elenco: Neil Ross, Alan Oppenheimer, James Avery, Mona Marshall, Robert Ito, George DiCenzo, Michael Ansara, Peter Cullen, Lennie Weinrib, Edmund Gilbert, Frank Welker, Russi Taylor, Dale Ishimoto, Michael Bell
Duração: 22 min. por episódio (cinco episódios no total)

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12 comentários

Fórmula Finesse 22 de setembro de 2019 - 17:56

Ahaha…eu assisti isso! O Rambo Nutella.

Responder
planocritico 23 de setembro de 2019 - 14:13

He, he. Bota nutella nisso!

Abs,
Ritter.

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helinux 20 de setembro de 2019 - 23:54

Bons tempos de antigamente!!!! Naquela época as manhãs da TV aberta era mais emocionante e divertida…Os desenhos de hoje em dia estão um pouco sem graça!!!!
Era bom demais ver séries Tokusatsu, desenho do He-man, Thundercats, As tartarugas ninja e muitos outros. Bons tempos!!!!

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planocritico 21 de setembro de 2019 - 20:39

Séries tokusatsu, para mim, só Spectreman. O resto pode embalar e jogar no lixo… HAHAHAHAHAHAHAHHH

Abs,
Ritter.

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Dyel Dimmestri 28 de setembro de 2019 - 00:29

Uma série Tokusatsu que vale a conferida, e CHOUJIN SENTAI JETMAN(Esquadrão Homem – Pássaro Jetman). Foi a 15ª série do gênero Super Sentai. Ela foi um projeto do diretor Keita Amemiya, que nos anos 1990,foi um dos mais badalados nomes do cinema de Ficção Científica japonês Um dos charmes desta série, é o de misturar dois universos totalmente díspares: a fantasia e o escapismo dos Tokusatsus e o realismo e a dramaticidade dos Doramas(como são chamados as novelas e minisséries no Japão). Outro ponto bem interessante é que a série subverte os clichês do gênero Super Sentai: O integrante Vermelho que, via de regra, é o líder da equipe, se mostra bastante vacilante e inseguro, em dados momentos, enquanto o integrante Preto(que em sua identidade civil, é um delinquente com problemas com a polícia!!) é o membro mais eficiente e machão do grupo. Além disso, os monstros que a equipe enfrenta fazem homenagem aos monstros das primeiras séries Tokusatsu dos anos 1970. O final é um dos MELHORES e mais peculiares já vistos em uma série do gênero. Assista, e não vai se arrepender. Minha mais forte recomendação.

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planocritico 28 de setembro de 2019 - 19:39

Obrigado! Anotado aqui!

Abs,
Ritter.

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sergiovinciusbuchabick 20 de setembro de 2019 - 21:35

Assisti quando moleque e, anos depois, já adulto, quando reprisaram na Record (era no meio da manhã e eu chegava ao trabalho um pouco mais cedo só para ver).

Nessa segunda experiência, achei ainda melhor que na primeira (quando criança, achava bobo e genérico).

Os inimigos são caricatos e abusam dos estereótipos (o vilão árabe chamava Nomad). Mas o mais legal é o Warhawk e a SAVAGE, no geral. Eles não têm um plano para algo. Não tem um objetivo claro, como acabar com os EUA ou, sei lá, ficarem ricos.

Então, nos episódios, eles fazem de tudo, desde que seja vilania. A que mais gosto (e lembro de cabeça) é quando eles criam um dinossauro robô para roubar bolsas de turistas na frente da Torre Eiffel.

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planocritico 21 de setembro de 2019 - 20:39

Nossa, você viu a série toda DUAS vezes? Mais guerreiro que o Rambo, hein? HAHAHHAHAHAHAHHHA

Mas é um negócio divertido mesmo e você tem toda razão sobre o SAVAGE. Os sujeitos não tem um objetivo a não ser serem malvados. Hilário!

Abs,
Ritter.

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sergiovinciusbuchabick 22 de setembro de 2019 - 07:44

Infelizmente, não vi tudo. Só episódios picados. Era difícil depender da Globo e da Record. 🙂

Responder
planocritico 22 de setembro de 2019 - 17:11

Impossível, basicamente!

Abs,
Ritter.

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Big Boss 64 20 de setembro de 2019 - 10:16

Não tenho palavras a dizer, só emojis:
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

Responder
planocritico 20 de setembro de 2019 - 12:14

Volte aqui quando terminar de assistir todos os 65 episódios!

Abs,
Ritter.

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