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Crítica | Rastros de Ódio

por Ritter Fan
527 views (a partir de agosto de 2020)

Rastros de Ódio é um daqueles filmes que deixa o espectador de queixo caído do começo ao fim por, dentre outros aspectos mais técnicos, sua beleza fotográfica. Não tem como não apreciar esse filme. Trata-se de uma saga de cowboys, com visuais lindíssimos, quase inacreditáveis, filmados em locação em Monument Valley, no Arizona e Utah, local que a mitologia do Western no cinema sedimentou no imaginário popular como a paisagem típica do gênero.

John Ford soube explorar esse aspecto em sua plenitude, trabalhando com a Technicolor e a tecnologia VistaVision para capturar o máximo possível do ambiente em planos gerais que servem para demonstrar a imponência da natureza sobre o Homem e a impossibilidade de domá-la. É perfeitamente possível dizer que, dentro de seu gênero, Rastros de Ódio é o filme mais belo, um que poderia ser apreciado apenas por seu visual, esquecendo-se completamente da história.

Não que a história seja desinteressante, longe disso, mas o roteiro do então já veterano Frank S. Nugent, se propõe a colocar o Homem em sua posição de insignificância diante do seu ambiente. Além disso, a temática da solidão, que cerca o personagem Ethan Edwards, encarnado à perfeição por John Wayne, ajuda nesse objetivo e cria uma espécie de “desespero do silêncio” mesmo nas sequências em que ele interage com seus pares.

Apesar de não ser explicitamente baseada em fatos reais, o roteiro de Nugent, extraído da obra homônima de Alan Le May, parece ter sofrido influência de um famoso caso real, ocorrido em 1836, em que uma menina de nove anos foi sequestrada pelos índios da tripo Comanche, tendo vivido entre eles por 24 anos, casando-se e tendo filhos com o Chefe Quanah Park até ser resgatada por um Texas Ranger contra sua vontade. Esse caso é particularmente interessante por ter sido substancialmente repetido no filme, incluindo a sequência de ataque à tribo Comanche, apesar de ser apenas um entre dezenas de casos semelhantes ocorrido por volta da mesma época.

Com isso, a história já fica evidente: Debbie (vivida quando criança por Lana Wood e, mais tarde, pela belíssima Natalie Wood) é sequestrada da fazenda de seus pais logo depois do retorno de seu tio Ethan Edwards, que volta da Guerra Civil e a Guerra Revolucionária Mexicana. A partir daí, o filme é uma longa busca de anos pela menina, empreendida por Ethan, que jamais desiste de seu objetivo de encontrá-la. No entanto, essa linha aparentemente reta inclui a morte de sua família e o sequestro, na verdade, de suas duas sobrinhas, apenas para ele encontrar o corpo de uma delas em um acampamento indígena. Existe uma tensão familiar entre a rudeza de Ethan e a delicadeza de Martha (Dorothy Jordan), esposa de seu irmão, que dá a entender uma paixão entre eles que nunca é levada a cabo.

Além disso, o que começa com uma caçada, torna-se algo mais, muito mais sinistro. Na medida em que os anos se passam, Ethan já não tem mais dúvidas que a menina foi assimilada pela cultura indígena e seu objetivo passa a ser, na verdade, o assassinato da jovem, pois ele não suporta a ideia de ter uma menina branca de sua família em meio aos terríveis índios, mais especificamente com a tribo do chefe Scar, vivido por Henry Brandon, ator branco vivendo um nativo. Assim, o herói de duas guerras ganha contornos bem mais densos e John Wayne carrega essa densidade em sua interpretação, talvez a melhor de sua carreira. Aliás, a presença constante – mas silenciosa – de Martin (Jeffrey Hunter) seu sobrinho que o acompanha na busca de anos, funciona justamente para contrastar personalidades e para colocar o preconceito de Ethan em xeque. É que Martin é 1/8 de descendência indígena e ele é jovial, com personalidade alegre que vai endurecendo ao longo do tempo, mas nunca ao ponto de se igualar a Ethan.

E é exatamente por essa consciência do roteiro sobre a personalidade de Ethan que essa obra de Ford não pode ser chamada, de forma alguma, de preconceituosa. Ela apenas retrata uma época, um tipo de raciocínio explicado (não justificado, claro) pelos anos de conflitos entre os brancos invasores e os peles-vermelhas. E esse aspecto funciona dos dois lados, pois os nativos em Rastros de Ódio não são pintados apenas como seres de alma pura que vivem em harmonia com a massacrante – mas bela, belíssima – natureza ao redor. Vemos nativos maus assim como vemos nativos bons, em uma tentativa eficiente de se criar equilíbrio no roteiro. Até mesmo o final, que não perdoa Ethan e nos faz sofrer por ele, por mais durão e desagradável que seja, tem esse objetivo de crítica.

Se esse grande filme tem um defeito, este é a inclusão de uma narrativa paralela sobre o romance de Martin com Laurie (Vera Miles, que faria Psicose). Há um romance, cartas trocadas durante os anos em que Martin fica longe, um quase casamento e por aí vai. É uma espécie de alívio cômico para uma fita pesada, mas que definitivamente não funciona e, em determinados momentos, arrasta-a bastante.

Não obstante seu pequeno desvio, a atuação de John Wayne, a direção de John Ford e a embasbacante fotografia de Winton C. Hoch, além da narrativa principal, tornam esse filme essencial na videoteca de clássicos de qualquer cinéfilo que se preze.

Rastros de Ódio (The Searchers, EUA – 1956)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank S. Nugent (baseado em romance de Alan Le May)
Elenco: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood, John Qualen, Olive Carey, Henry Brandon, Ken Curtis, Harry Carey Jr., Antonio Moreno, Hank Worden, Beulah Archuletta, Walter Coy, Dorothy Jordan, Pippa Scott
Duração: 119 min.

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47 comentários

Carlos Henrique 13 de março de 2021 - 00:20

Recentemente esse filme foi lançado em blu ray no Brasil (num box com outros 3 filmes do Ford) e revi hoje. Um primor visual.

E o diretor sabia fazer enquadramentos e preencher o espaço de cena como poucos, deleite pra quem gosta de mise-en-scène.

Responder
planocritico 13 de março de 2021 - 00:37

Sem dúvida, meu caro!

Abs,
Ritter.

Responder
Erica 27 de dezembro de 2020 - 17:38

O filme é excelente uma obra de arte, não sei porque ainda não fizeram um remake e ótima resenha

Responder
planocritico 27 de dezembro de 2020 - 17:38

Obrigado! Fico feliz que você goste tanto do filme. Sobre remake, bem, por mim eles deixam esse filme quieto…

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo 22 de maio de 2020 - 22:28

Concordo 100% com a análise. Eu ouso dizer que o primeiro ato do filme contém os melhores 30 minutos iniciais da história do cinema. Um filme que retrata os principais temas do western de uma forma intensa e artística. Não é preciso grandes diálogos para entregar uma grande narrativa, muito pelo contrário, a beleza desse filme está na simplicidade que ele trata de temas complexos como racismo e vingança.
O único porém é, de fato, o alívio cômico excessivo à partir da metade do filme. Imagino que fosse exigência dos grandes estúdios da época, mas poderia ter sido um pouco mais podado.

Responder
planocritico 23 de maio de 2020 - 19:54

O alívio cômico é bem deslocado diante da gravida da temática do filme. Mas o conjunto final continua do mais alto gabarito.

Abs,
Ritter.

Responder
Nelson 6 de setembro de 2019 - 20:27

Assisti hoje este filme e fiquei bastante decepcionado. Não justifica em quase nada o mito em torno dele.

O maior problema é que se trata de um filme profundamente racista e que estereotipa a figura do índio.Entre as várias cenas neste sentido destaco o mocinho Martin empurrando com os pés a pobre Índia. Outro ponto negativo é que para tentar suavizar o filme o diretor inseriu vários momentos cômicos desinteressantes e que só atrapalham a narrativa.

John Ford gosta de deixar algumas coisas sub – entendidas em seus faroestes como a paixão que Ethan e a sua cunhada sentem um pelo outro. É um tema interessante mas poderia ser melhor explorado pelo diretor.

Para citar os poucos fatores positivos de fato a fotografia é belíssima.John Wayne está bem e carismático como de costume. A simbologia da cena final é muito bonita. Todos entrando em casa e Ethan indo embora com a porta fechando. Trata-se de um homem duro e solitário.

Para quem não viu recomendo o filme ” O homem que matou o facínora” do mesmo diretor. Para mim este sim um filme excelente.

Responder
planocritico 7 de setembro de 2019 - 19:12

É um filme racista ou é um filme que nos faz ver como era o racismo na época em que a obra se passa? Afinal, temos que lembrar que o ponto-de-vista é o do cowboy que ODEIA os nativos.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel 15 de outubro de 2017 - 06:25

Só completando o meu comentário, fiquei com rastros de ódio em ter assistido.

Responder
Daniel 15 de outubro de 2017 - 06:22

Exatamente, ele simplesmente quer matar a sobrinha e deu. Não tem quase argumentação pelo ódio que ele tem dos índios. Para mim ele parece muito mais um cara rabugento do que alguém que tem ódio. Muito fraco mesmo.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:48

Mas você consegue ver o que representa matar sua própria sobrinha simplesmente porque você desgosta de uma raça inteira? As consequências psicológicas e dramáticas disso ecoam até hoje em dia.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel 17 de outubro de 2017 - 00:14

Com certeza, mas parece meio solto, no ar. Tipo: agora vou matar minha sobrinha. E depois nem foi falado nada, não teve a menor reflexão dele. Eu não sei, mas tenho a impressão que tudo nessa história é atirado e nada é aprofundado. Mas acredito que eu talvez não estivesse preparado para ver este filme, pois ele é muito respeitado e diversos críticos o colocaram como um dos melhores filmes do mundo.

Até vou dizer uma coisa que vai parecer controversa: esse filme pode até ser o melhor filme do mundo, mas não é o melhor de faroeste. Rs

Responder
planocritico 17 de outubro de 2017 - 16:32

@disqus_Xl9ULxJxjK:disqus , também não acho nem de longe o melhor faroeste. Mas nem de longe MESMO.

Uma coisa que talvez tenha acontecido com você e que eu me lembro ter acontecido comigo na primeira vez que assisti Rastros de Ódio é a questão da passagem temporal. Ele procura a sobrinha dele por anos e anos sem nunca parar. Isso fica um pouco perdido na história, mas, se levarmos esse aspecto em consideração, perceberemos que ele nunca toma decisões de uma hora para outra.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel 17 de outubro de 2017 - 22:41

Hm, pode ser. Vou tentar ver novamente depois. Queria aproveitar para dizer que sempre leio tuas críticas e fazem parte das que mais gosto na internet. Parabéns, Abraço

planocritico 18 de outubro de 2017 - 14:37

Obrigado pelo prestígio, @disqus_Xl9ULxJxjK:disqus !

Abs,
Ritter.

Daniel 15 de outubro de 2017 - 06:19

Nossa, tem diversos filmes de faroestes excelentes como Era uma vez no Velho Oeste, o bom, o mau e feio, Oito homens e um destino e por vai… Agora, esse filme estar entre os melhores de todos os tempos em diversas listas não dá para entender. O filme é bem simples, não tem nada de complexo, trata de disputas com índios assim como todos os filmes e o ódio que o protagonista tem obviamente porque matam toda uma família.
Fora o rapaz que se apaixona do nada pela garota, pois ele não demonstra a menor emoção quando a vê. Ficou completamente forçada toda a situação dele com ela e o casamento.
Foi um dos poucos filmes de faroeste que senti perdendo o meu tempo assistindo. Aliás digo mais, de todos os filmes que assisti com John Wayne, chego à conclusão que muitos outros atores que fizeram filmes de faroeste foram melhores. Inclusive Charles Bronson, Clint Weastwood e Yul Brynner. John Wayne não tem carisma nenhum.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:47

@disqus_Xl9ULxJxjK:disqus , não acho Rastros de Ódio um filme simples. A trama em si pode ser objetiva, mas eu diria que a temática é extremamente complexa, já que lida com a oposição do homem branco invasor com a do indígena que tenta se defender, mantendo tanto um lado quanto outro em uma desconfortável zona cinzenta.

Agora sobre John Wayne não ter carisma, nossa, não poderia discordar mais. O cara não precisa falar nada para dominar todas as sequências em que aparece em todos os seus filmes. Ele é o arquétipo do personagem estoico sobre o qual diversos atores contemporâneos e posteriores se basearam para construir os seus próprios personagens.

Abs,
Ritter.

Responder
jv bcb 19 de julho de 2016 - 02:03

não gostei.
O filme é um poço de potencial perdido. Na teoria o protagonista é um cara cheio de ódio no coração, que é consumido pela vingança, porém esses traços na maioria das vezes são ditos pelos outros personagens, não mostrados, quando são mostrados são em cenas sem muita importância que acabam por não nos fazer sentir os sentimentos do personagem. O filme é cheio de gorduras, o casamento com a índia, a briga entre o martin e o cara que ia se casar com a Laurie, aliás, como é dito na crítica, o relacionamento dos dois é uma subtrama inútil que em nada acrescenta. O martin também se limita a ser o cara que quer achar a irmã, quando tinha potencial para ser mais complexo, já que o mesmo não teve família e foi adotado pela família que seria vitimada. A menina que é sequestrada no começo não quer voltar por virado parte daquele grupo de índios, mas no terceiro ato ela sem nenhum motivo resolve voltar, além disso no final o filme se acovarda e faz o protagonista desistir de matar a sobrinha, o que não só seria mais interessante e marcante, como também foi uma mudança de decisão feita do nada, podemos argumentar que ele refletiu, mas a direção trata tudo de forma tão superficial que não sentimos o conflito do protagonista. A direção também falha ao tratar a cena em que o john Wayne decide matar a sobrinha como se não fosse algo importante, era uma decisão importantíssima, mas é dirigida de qualquer jeito, John Ford na minha humilde opinião deveria ter feita a cena de forma mais cadenciada com planos mais fechados nos rostos dos atores.
Mas o filme tem suas qualidades, a fotografia é linda, a rima do começo com o final é bela, as atuações são boas e as cenas de ação são boas para a época, porém a trilha sonora é onipresente e completamente esquecível.
Respeito a importância do filme, mas dentro do que entendo como um bom filme, essa obra não se adéqua.

Responder
planocritico 19 de julho de 2016 - 13:03

@jvbcb:disqus , entendo seus pontos. Sua análise está muito boa e faz sentido. Concordo que o filme é cheio de gorduras como o casamento e como a relação de Martin com Laurie. Chega a ser irritante, na verdade.

Mas eu ainda acho que a história principal é contada com maestria e uma melancolia muito forte. John Wayne está impressionante na fita, um cara torturado pelo passado e que só tem uma missão na vida. E, mesmo sendo durão, não consigo imaginar o final com ele matando a sobrinha. Isso iria contra quem ele é debaixo dessa casca de guerra e solidão que ele tem.

Novamente, entendo seus pontos. Nem todos os filmes considerados “clássicos” (uma definição estranha, na verdade, pois é difícil determinar o que faz de um clássico um clássico) funcionam para todo mundo e seus comentários são muito pertinentes.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 19 de julho de 2016 - 13:03

@jvbcb:disqus , entendo seus pontos. Sua análise está muito boa e faz sentido. Concordo que o filme é cheio de gorduras como o casamento e como a relação de Martin com Laurie. Chega a ser irritante, na verdade.

Mas eu ainda acho que a história principal é contada com maestria e uma melancolia muito forte. John Wayne está impressionante na fita, um cara torturado pelo passado e que só tem uma missão na vida. E, mesmo sendo durão, não consigo imaginar o final com ele matando a sobrinha. Isso iria contra quem ele é debaixo dessa casca de guerra e solidão que ele tem.

Novamente, entendo seus pontos. Nem todos os filmes considerados “clássicos” (uma definição estranha, na verdade, pois é difícil determinar o que faz de um clássico um clássico) funcionam para todo mundo e seus comentários são muito pertinentes.

Abs,
Ritter.

Responder
jv bcb 19 de julho de 2016 - 02:03

não gostei.
O filme é um poço de potencial perdido. Na teoria o protagonista é um cara cheio de ódio no coração, que é consumido pela vingança, porém esses traços na maioria das vezes são ditos pelos outros personagens, não mostrados, quando são mostrados são em cenas sem muita importância que acabam por não nos fazer sentir os sentimentos do personagem. O filme é cheio de gorduras, o casamento com a índia, a briga entre o martin e o cara que ia se casar com a Laurie, aliás, como é dito na crítica, o relacionamento dos dois é uma subtrama inútil que em nada acrescenta. O martin também se limita a ser o cara que quer achar a irmã, quando tinha potencial para ser mais complexo, já que o mesmo não teve família e foi adotado pela família que seria vitimada. A menina que é sequestrada no começo não quer voltar por virado parte daquele grupo de índios, mas no terceiro ato ela sem nenhum motivo resolve voltar, além disso no final o filme se acovarda e faz o protagonista desistir de matar a sobrinha, o que não só seria mais interessante e marcante, como também foi uma mudança de decisão feita do nada, podemos argumentar que ele refletiu, mas a direção trata tudo de forma tão superficial que não sentimos o conflito do protagonista. A direção também falha ao tratar a cena em que o john Wayne decide matar a sobrinha como se não fosse algo importante, era uma decisão importantíssima, mas é dirigida de qualquer jeito, John Ford na minha humilde opinião deveria ter feita a cena de forma mais cadenciada com planos mais fechados nos rostos dos atores.
Mas o filme tem suas qualidades, a fotografia é linda, a rima do começo com o final é bela, as atuações são boas e as cenas de ação são boas para a época, porém a trilha sonora é onipresente e completamente esquecível.
Respeito a importância do filme, mas dentro do que entendo como um bom filme, essa obra não se adéqua.

Responder
Antonio Rocha 21 de maio de 2016 - 10:51

Em minha opinião o melhor western de John Ford é Paixão de Fortes (My Darling Clementine 1946). Acho Rastros de Ódio super estimado. Há momentos de muita chatice como aquele em que o personagem se vê forçado a se casar com uma índia. O destaque maior é mesmo a bela fotografia. É mais um daqueles westerns que induz o ódio aos índios, situação que John Ford buscou se redimir mais tarde quando realizou Crepúsculo de Uma Raça (Cheyenne Autumn 1964).

Responder
planocritico 22 de maio de 2016 - 18:31

@disqus_iT8WPBri34:disqus, talvez Paixão dos Fortes seja melhor mesmo. Não morro de amores por Rastros de Ódio, mas reconheço a qualidade da fita, ainda que a sub-trama do casamento realmente esteja deslocada. Sobre a questão dos índios, entendo, mas o filme é baseado em fatos reais da época. Havia muito preconceito mesmo, mas o filme trabalha de forma que isso seja razoavelmente relativizado.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 22 de maio de 2016 - 18:31

@disqus_iT8WPBri34:disqus, talvez Paixão dos Fortes seja melhor mesmo. Não morro de amores por Rastros de Ódio, mas reconheço a qualidade da fita, ainda que a sub-trama do casamento realmente esteja deslocada. Sobre a questão dos índios, entendo, mas o filme é baseado em fatos reais da época. Havia muito preconceito mesmo, mas o filme trabalha de forma que isso seja razoavelmente relativizado.

Abs,
Ritter.

Responder
Thiago Sarti 3 de janeiro de 2017 - 20:52

Não dá para analisar a visão que o filme constrói sobre os nativos fora do momento de produção da fita. Mas me parece que mostrar os modos rudes e o preconceito de Ethan não é suficiente para redimir a fita. No final das contas, a tônica acaba por ficar na estigmatização dos nativos, mesmo que em determinados momentos eles mostrem as comunidade indigenas de maneira complexa e mostrem Ethan escalpelando o líder indigena.

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2017 - 22:58

Mas o final para Ethan é negativo. Ele perde. Há condenação de suas atitudes, mesmo que indiretamente.

Abs,
Ritter.

Responder
Thiago Sarti 4 de janeiro de 2017 - 19:47

Entendo seu posicionamento. Mas seria um pouco mais cuidadoso em dizer que “ele perde”. Além disso, mostrar Ethan como anti-herói não significa mudar a visão sobre os indígenas. Senti a mesma coisa quando assisti Sniper Americano: há uma clara crítica à guerra, mas discutida pelo ponto de vista dos prejuízos aos próprios americanos. A visão do filme sobre o outro lado da moeda é a hegemônica, mesmo que em determinados momentos fique um pouco tensionado. Em Rastros de Ódio senti o mesmo: há leves toques de complexidade… Mas q não são suficientes para refletir o povo nativo em outros termos….

planocritico 4 de janeiro de 2017 - 21:05

Sem dúvida é uma linha tênue. No entanto, não vejo mal em um filme defender o ponto de vista do lado hegemônico. É um ponto de vista apenas. Você ou eu podemos não concordar, mas é uma forma de ver uma coisa que existe e, portanto, pode – e deve – ser retratada nas artes desde que não haja ofensa. Não vejo nem em Rastros de Ódio nem muito menos em Sniper Americano qualquer tipo de ofensa. Pode não ser o tipo de condenação ou retratação que achamos que deve ser feita, mas não sei se uma forma de olhar menos profunda sobre o lado mais fraco desabona a visão como todo.

Abs,
Ritter.

planocritico 4 de janeiro de 2017 - 21:05

Sem dúvida é uma linha tênue. No entanto, não vejo mal em um filme defender o ponto de vista do lado hegemônico. É um ponto de vista apenas. Você ou eu podemos não concordar, mas é uma forma de ver uma coisa que existe e, portanto, pode – e deve – ser retratada nas artes desde que não haja ofensa. Não vejo nem em Rastros de Ódio nem muito menos em Sniper Americano qualquer tipo de ofensa. Pode não ser o tipo de condenação ou retratação que achamos que deve ser feita, mas não sei se uma forma de olhar menos profunda sobre o lado mais fraco desabona a visão como todo.

Abs,
Ritter.

Thiago Sarti 4 de janeiro de 2017 - 22:13

Sim, sem dúvida. Não desabona. E não me refiro a ofensas. É um ótimo filme!!! Só tentei chamar a atenção para o fato de que o filme acaba reproduzindo a lógica homem branco desbravador vs. índios selvagens, mesmo que de forma mais tênue e mais complexa ao por exemplo mostrar um homem branco de olhos azuis desbravador com ética questionável. Grande abraço!!!!

Thiago Sarti 4 de janeiro de 2017 - 22:13

Sim, sem dúvida. Não desabona. E não me refiro a ofensas. É um ótimo filme!!! Só tentei chamar a atenção para o fato de que o filme acaba reproduzindo a lógica homem branco desbravador vs. índios selvagens, mesmo que de forma mais tênue e mais complexa ao por exemplo mostrar um homem branco de olhos azuis desbravador com ética questionável. Grande abraço!!!!

Thiago Sarti 4 de janeiro de 2017 - 19:47

Entendo seu posicionamento. Mas seria um pouco mais cuidadoso em dizer que “ele perde”. Além disso, mostrar Ethan como anti-herói não significa mudar a visão sobre os indígenas. Senti a mesma coisa quando assisti Sniper Americano: há uma clara crítica à guerra, mas discutida pelo ponto de vista dos prejuízos aos próprios americanos. A visão do filme sobre o outro lado da moeda é a hegemônica, mesmo que em determinados momentos fique um pouco tensionado. Em Rastros de Ódio senti o mesmo: há leves toques de complexidade… Mas q não são suficientes para refletir o povo nativo em outros termos….

planocritico 3 de janeiro de 2017 - 22:58

Mas o final para Ethan é negativo. Ele perde. Há condenação de suas atitudes, mesmo que indiretamente.

Abs,
Ritter.

Responder
Thiago Sarti 3 de janeiro de 2017 - 20:53

E também achei o filme superestimado

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2017 - 22:58

Esse é um termo relativo e subjetivo demais. Nunca sei realmente o que é um filme superestimado…

– Ritter.

Responder
planocritico 3 de janeiro de 2017 - 22:58

Esse é um termo relativo e subjetivo demais. Nunca sei realmente o que é um filme superestimado…

– Ritter.

Responder
Antonio Rocha 21 de maio de 2016 - 10:51

Em minha opinião o melhor western de John Ford é Paixão de Fortes (My Darling Clementine 1946). Acho Rastros de Ódio super estimado. Há momentos de muita chatice como aquele em que o personagem se vê forçado a se casar com uma índia. O destaque maior é mesmo a bela fotografia. É mais um daqueles westerns que induz o ódio aos índios, situação que John Ford buscou se redimir mais tarde quando realizou Crepúsculo de Uma Raça (Cheyenne Autumn 1964).

Responder
Humberto Linhares Soares 4 de maio de 2016 - 00:43

Que espetáculo da sétima arte! Neste filme John Ford mostra como é que se faz um western… Filme aparentemente de roteiro simples, mas que esconde uma enorme complexidade por trás de seus principais personagens. Para ver e rever.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:32

Com certeza, @humbertolinharessoares:disqus!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 4 de maio de 2016 - 01:32

Com certeza, @humbertolinharessoares:disqus!

Abs,
Ritter.

Responder
Humberto Linhares Soares 4 de maio de 2016 - 00:43

Que espetáculo da sétima arte! Neste filme John Ford mostra como é que se faz um western… Filme aparentemente de roteiro simples, mas que esconde uma enorme complexidade por trás de seus principais personagens. Para ver e rever.

Responder
Pod Filmes Clássicos 15 de março de 2016 - 09:50

Tb consegui vê-lo no cinema, no clássico cinemark. Faz a diferença. Obrigado, Ritter.

Responder
Pod Filmes Clássicos 15 de março de 2016 - 09:50

Tb consegui vê-lo no cinema, no clássico cinemark. Faz a diferença. Obrigado, Ritter.

Responder
Rodrigo 5 de fevereiro de 2016 - 17:50

Ótima crítica. Rastros de Ódio é o meu western preferido e um dos cinco melhores filmes de sempre para mim. Diretor e ator prediletos, John Ford e John Wayne, este último na melhor atuação da sua carreira, em uma película brilhante que espetacularmente abre e fecha a narrativa com tomadas semelhantes – a chegada de Ethan e ao final a sua partida, não há lugar para ele, seu mundo é aquele dos grandes descampados, do céu aberto e da guerra que nunca termina –, como o fechar de um ciclo – daquelas cenas que não canso de assistir. Obra-prima. Felizmente tive a sorte de conseguir assisti-lo no cinema (no Clássicos Cinemark), no domingo de carnaval de 2015. Uma experiência que jamais esquecerei.

Responder
planocritico 6 de fevereiro de 2016 - 09:16

Que legal você ter visto no cinema, meu caro! Não tive essa chance. É realmente um grande filme. Um verdadeiro marco do Cinema.

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 27 de setembro de 2014 - 13:21

Linda e maravilhosa crítica!
Simplesmente adoro esse filme, justamente pelos maravilhosos aspectos que você apontou aqui. É uma obra que nos toma de assalto. A natureza praticamente nos anestesia já nos primeiros minutos. É um dos meus filmes favoritos do Ford e, junto com o quase irrealmente belo “Legião Invencível”, um dos mais belos westerns que já vi na vida…

Responder
planocritico 27 de setembro de 2014 - 14:50

Obrigado, @luizsantiago:disqus. Esses dois filmes formam a dupla caipira “Lindeza e Lindura”… 🙂 – Ritter.

Responder

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