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Crítica | Reality Z – 1ª Temporada

por Ritter Fan
231 views (a partir de agosto de 2020)

Transformar quem assiste e quem participa de reality shows naquilo que eles são de verdade é um conceito sensacional. E o melhor é que a própria Endemol, proprietária do mais conhecido desses programas zumbificantes é que é a proprietária de Dead Set, minissérie britânica de 2008 cujo formato foi licenciado para a Conspiração Filmes que, em parceria com o Netflix, produziu Reality Z. Ou seja, é basicamente uma meta-série que, se vista com o olhar certo, pode magoar as hordas (ops!) de fãs cegos de reality shows.

Como “todo meu amor” por esse tipo de entretenimento já foi declarado em minhas críticas de UnReal, basta dizer que a ironia descrita acima casada com a possibilidade – sádica, eu admito – de ver fãs e participantes de um reality show serem literalmente comidos, decapitados e desmembrados na telinha foi o que me atraiu para a série e isso ela, felizmente, entrega com vigor. E mais, com qualidade técnica. A adaptação comandada por Cláudio Torres é madura em seus efeitos práticos e nem um pouco econômica no número de mortes, oferecendo o espetáculo de sanguinolência que qualquer fã do subgênero saberá apreciar.

A história é básica: o apocalipse zumbi chega ao Rio de Janeiro e o cenário do reality show Olimpo (que faz as vezes de Big Brother, claro) torna-se uma ilha de segurança em razão de seu ambiente fechado e autossuficiente. Esqueçam maiores profundidades ou personagens bem desenvolvidos. Isso inexiste aqui, até porque a temporada de 10 breves episódios, na verdade, é muito claramente dividida em duas partes, com a primeira sendo quase que uma transposição literal de Dead Set para o Brasil, com a segunda decorrendo de uma subtrama que vai vagarosamente tomando forma, mas que é basicamente a mesma coisa.

Portanto, Reality Z é uma diversão muito efêmera que se vale da satirização dos reality shows para chamar a atenção, com personagens extremamente caricatos com o produtor e voz de Zeus Brandão (Guilherme Weber), o ser humano mais sensacionalmente asqueroso e babaca possível e que merece um spin-off prelúdio só por causa disso, a participante recém-eliminada Jéssica (Hanna Romanazzi), que é o protótipo da loira burra e o metido a gostosão completamente insensível e preconceituoso Marcos (Gabriel Canella). No segundo momento, o foco fica no político Alberto Levi (Emílio de Mello) que eu ia classificar também como asqueroso e babaca, mas esses adjetivos seriam elogios para ele (ou para qualquer outro político), no policial cocainômano Robson (Pierre Baitelli) e na trinca que representa o último bastião da civilidade formada por Teresa (Luellem de Castro), TK (João Pedro Zappa) e Ana (Carla Ribas), personagens que ganham substancialmente mais desenvolvimento do que aqueles da primeira metade que mais parecem stock characters escritos com funções muito limitadas.

Além do prazer de ver um reality show ser desancado violentamente, a temporada até consegue, por meio de seus estereótipos, lidar com alguma mínima destreza com críticas sociais que, porém, são didáticas demais, quase como se fosse a leitura de algum panfleto. Mas, pelo menos, elas estão lá, já que obras que giram em torno de zumbi precisam classicamente desse subtexto de uma forma ou de outra. Além disso, como já mencionei, há um cuidado grande na produção em si, com um bom trabalho de maquiagem para os desmortos, além de um manejo de câmera muito eficiente, que sabe posicionar-se para momentos de tensão sem desnortear o espectador ou chamar muita atenção para si mesmo.

Em um mundo em que a oferta de filmes e séries sobre zumbis é gigantesca, com uma pandemia verdadeira assolando o planeta, Reality Z pode não oferecer novidades sofisticadas como Kingdom ou porralouquices completamente descerebradas como Black Summer, mas ela certamente tem o seu lugar no panteão de obras nada ambiciosas, mas bem produzidas, que são feitas para divertir descompromissadamente. E, claro, tem fãs e participantes de reality shows sendo dilacerados diante das câmeras, o que é sempre – SEMPRE – um bônus.

Reality Z – 1ª Temporada (Brasil, 10 de junho de 2020)
Criação: Cláudio Torres (baseado em Dead Set, de Charlie Brooker)
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres, João Costa
Elenco: Ana Hartmann, Emílio de Mello, Carla Ribas, Ravel Andrade, Guilherme Weber, Luellem de Castro, João Pedro, Hanna Romanazzi, Pierre Baitelli, Jesus Luz, Leandro Daniel, Gabriel Canella, Natália Rosa, Wallie Ruy, Arlinda Di, Julia Ianina, Sabrina Sato, Leda Nagle, Pierre Baitelli, Arlinda Di Baio
Disponibilidade no Brasil: Netflix
Duração: 301 min. (10 episódios)

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31 comentários

King 20 de julho de 2020 - 15:12

Essa série foi uma grata surpresa!

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planocritico 21 de julho de 2020 - 14:02

Que bom que gostou!

Abs,
Ritter.

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Ivan Silva Gonçalves 1 de julho de 2020 - 19:38

Merece ser prestigiada!

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planocritico 1 de julho de 2020 - 20:34

Sim, pois é bem boa mesmo.

Abs,
Ritter.

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Pt Andrade 21 de junho de 2020 - 21:44

tem gosto pra tudo mesmo

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planocritico 21 de junho de 2020 - 23:45

Tem.

– Ritter.

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João 21 de junho de 2020 - 18:30

Recomendo 1 contra todos, uma série brasileira pouca reconhecida mas é muito boa, vale a pena dar uma atenção a ela. Acho melhor que 3%, Mecanismo e entre outras séries nacionais e até msm internacionais

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planocritico 21 de junho de 2020 - 19:00

Valeu!

Abs,
Ritter.

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Lucas Cardozo 20 de junho de 2020 - 15:10

Série divertida mesmo. E tem certa pegada trash. O triste é ver gente desmerecendo a série por ser brasileira. Aposto que será mais reconhecida lá fora, assim como 3% foi.

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planocritico 20 de junho de 2020 - 21:55

Estão desmerecendo por ser brasileira ou por não terem gostado mesmo?

Abs,
Ritter.

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Lucas Cardozo 26 de junho de 2020 - 22:00

Por ser brasileiro mesmo. Gente que nem viu e nem faz questão de ver só por ser BR. Eu até entendo não gostar pela série não fazer o estilo da pessoa, mas nunca não gostar por causa do país de onde foi feito rs

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planocritico 26 de junho de 2020 - 23:34

Segregar filmes por nacionalidade é de uma ignorância sem tamanho. Não dá nem para conversar…

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 18 de junho de 2020 - 17:52

Ritter só resolvi ver a série depois de ver sua nota, tinha visto o trailer e não tinha curtido. Pois decidi ver e me surpreendi com a série, muito boa mesmo, produção brasileira e os atores estão de parabéns gostei pra caramba, destaco o dono do programa que fazia o Zeus, ri demais com as cenas dele, o pm viciado, e o ator que faz o deputado. Tomara que tenha uma segunda temporada, ruim que geral morre kkk

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planocritico 18 de junho de 2020 - 18:39

Que bom que você deu uma chance! Achei bem divertida a série e o Brandão (que faz a voz de Zeus) é o cretino mais sensacional da série!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 18 de junho de 2020 - 22:58

Pow man, as cenas dele eram engraçadas demais, a serie é bem da hora, gostei mesmo!

Responder
planocritico 19 de junho de 2020 - 02:08

Ele trancado naquela sala com a “loira burra” foi demais!

Abs,
Ritter.

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Cesar 18 de junho de 2020 - 07:55

Ritter, deixar eu aproveitar o tema da serie e te perguntar, tu conhece outras boas obras sobre zumbis que sejam de época? Quando assisti Kingdom fiquei maravilhado com essa “nova” perspectiva pois nunca tinha vista nada nessa abordagem. Ate cheguei a pesquisar mas nao encontrei.

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planocritico 18 de junho de 2020 - 13:23

Tem vários que se passam na 2ª Guerra Mundial como War of the Dead e outros como Abraham Lincoln vs. Zombies e Orgulho e Preconceito e Zumbis, mas nenhum com a qualidade de Kingdom, que eu saiba.

Abs,
Ritter.

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Emerson Rocha 17 de junho de 2020 - 16:20

A série é boa, eu ainda não entendo como outros sites estão descendo o pau no show, claro que falta muita coisa pra melhorar, e espero uma segunda temporada!

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 16:46

Não sabia que estavam descendo o pau não. Eu achei bacana a série, mas não faço questão nenhuma de uma 2ª temporada.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 16:46

Não sabia que estavam descendo o pau não. Eu achei bacana a série, mas não faço questão nenhuma de uma 2ª temporada.

Abs,
Ritter.

Responder
Medeiros EstudPsi 17 de junho de 2020 - 16:20

Sobre a serie: Achei incrível para uma produção nacional, Acho que seria legal uma antologia mostrando como outros estados e grupos lidam com a situação.

Sobre series Nacionais: Acho que gostei dela pq sinto que o Brasil pouco arrisca quanto produções fantasiosas. Sei lá, as vezes parece que todas as produções nacionais são feitas de novelas, Dramaturgia ou a nova leva de comedias estilo Besteirol Americano (sim, Besteirois Brasileiros). REPITO: Parece.

Sobre o comentário do Senaemcena: Meio que concordo com o cara, mas diria isso apenas sobre as series. Acompanho o site de vcs a muito tempo e acho excelente ver a visão de vcs sobre o cinema nacional, conheci mts filmes novos e tive a oportunidade de ter uma nova visão de filmes que assisti quanto mais novo… Mas gostaria de ver a opinião de vocês sobre series e miniseries nacionais…Tipo Capitu (2008), o seriado Sob Pressão, Destino: São Paulo / Rio de Janeiro , Suburbia e, pq não, apelar para a nostalgia e Mundo da Lua hahaha… Enfim, apenas sugestão (ão dessas series, mas de tmais series nacionais) para um site que já incrível…

Abraços a equipe e parabéns pelo trabalho de vocês.!

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planocritico 17 de junho de 2020 - 16:46

Mas o que diferencia essa série de outras de zumbi é ela se passar em um reality show. Mostrar o que aconteceu em outros estados perverte a premissa.

Realmente não temos muitas séries nacionais no site. A grande verdade é que dá um trabalho grande para um retorno – de views, curtidas e comentários – bem pequeno no caso de séries catálogo. Não que isso seja essencial para nós, pois não vivemos de cliques, mas sim porque preferimos, em princípio, investir o tempo vendo vários filmes.

Abs,
Ritter.

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Junior Thefighter 17 de junho de 2020 - 10:42

Assisti tudo no primeiro dia….e adorei a produção…..

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 11:19

A produção é de qualidade mesmo!

Abs,
Ritter.

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Lucas Casagrande 17 de junho de 2020 - 08:40

HAhahahahah ainda tem a Sabrina Sato, mesmo que isso seja bizarro eu tenho que ver uma série BR de zumbis hahaha, sua critica me animou, comecarei esse final de semana

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 10:26

Tem! Olha, é “mais uma série de zumbi”, mas meu sadismo de ver um reality show ser destruído falou mais alto!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Casagrande 19 de junho de 2020 - 11:49

Comecei a ver ontem a noite e acabei de madrugada hahahaha, vi os 10 episódios em uma porrada só

Eu me entreti viu, achei bem legal, bem feito tbm, sua critica define bem demais a série

Responder
planocritico 19 de junho de 2020 - 12:55

Ha! Que legal que gostou, meu caro! Também me diverti bastante!

Abs,
Ritter.

Responder
senaemcena 17 de junho de 2020 - 08:11

Mestre Ritter

Sinto falta no site de vocês fazerem análise de obras nacional. Tem coisa ruim? Tem. Mas tem muita coisa boa. E aqui pra nós (puxando o saco nível omega) o PC é um dos melhores sites de crítica.

Sobre a série. Acho que tô em overdose de zumbi. Efeito pós frustração TWD. Mas ficarei atento sobre essa.

Abraço.

Responder
planocritico 17 de junho de 2020 - 10:26

Nós temos um compromisso semanal de avaliarmos pelo menos UMA obra nacional toda terça-feira. Fazemos isso há muitos anos sem falta. Dá só uma olhada em nosso arquivo de obras brasileiras: https://www.planocritico.com/tag/cinema-brasileiro/

Abs,
Ritter.

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